Blog Alma Missionária

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sábado, 28 de junho de 2014


sábado, 28 de junho de 2014

Pedro e Paulo, duas figuras de apóstolos

Somos convidados a nos apoiar sobre estas duas colunas, Pedro e Paulo, em sua fé e testemunho.

Por Marcel Domergue*

Segundo Mateus, Jesus diz a Simão que ele é Pedro, a pedra sobre a qual edificará a sua Igreja. Passemos por cima das dificuldades desta proposição que o evangelista atribui a Jesus e tomemos em consideração o fato de que a Igreja se edificará não somente sobre Pedro, mas sobre Pedro e Paulo, sem contar os outros onze apóstolos. Um é o apóstolo dos judeus e, o outro, o apóstolo dos pagãos: o "de dentro" e o "de fora". Esta dualidade é importante porque mostra que, desde o início, mesmo havendo um só papa, a Igreja não foi construída sobre um modelo monárquico.

Ela é feita de intercâmbio, de diálogo, de concertação. Há diferentes maneiras de ser discípulos do Cristo. Se a Igreja promove o culto a tantos santos, é sem dúvida para nos estimular, mas também para nos mostrar que não há um modelo único. A multiplicidade das ordens religiosas nos passa esta mesma mensagem. É preciso reler o capítulo 2 da Carta aos Gálatas para ver como a Igreja nascente abriu-se à diferença. No versículo 11, Paulo nos conta até mesmo a sua altercação com Pedro: podem fazer-se advertências, corrigir-se mutuamente, mas sem se separar. Na segunda Carta (3,15-16), Pedro confessa ter encontrado nas cartas de Paulo passagens difíceis. Como se vê, foi sob o signo de uma unidade feita da união de diversidades que a Igreja foi ganhando forma.

Sem traços de monolitismo. A basílica de São Pedro, em Roma, está, com efeito, dentro da cidade, mas a de São Paulo está "fora dos muros".
Homens frágeis
É notável que as Escrituras não nos apresentem os fundadores da Igreja como pessoas perfeitas, sem obscuridades nem fragilidades. Imediatamente após a profissão de fé de Pedro que, conforme o relato do evangelho, Jesus atribuiu não à hereditariedade de «Simão filho de Jonas», mas à origem absoluta de tudo o que existe, vemos este que acaba de ser qualificado como pedra fundamental do edifício da Igreja ser tratado como Satã, o adversário, habitado por uma voz que não vem de Deus. Uma pedra de tropeço no caminho do Cristo para Jerusalém e à Paixão (passagem omitida em nossa leitura).

Na hora decisiva, Pedro renegará o Cristo que, segundo o evangelho da vigília, far-lhe-á compensar de alguma forma a sua tríplice negação por uma tríplice confissão de amor. Três, uma das cifras do incalculável. Paulo não se poupou nem um pouco: em 2 Coríntios 12,7-10, confessa ser ele mesmo atormentado por um "aguilhão na carne", uma tentação da qual, aliás, é impossível determinar a natureza. Em Romanos 7,14-24, declara-se, assim como todo homem, ser habitado pela "lei do pecado". O conjunto das Escrituras inclui o pecado, a imperfeição do homem, nos desdobramentos do plano da salvação, do triunfo de Deus sobre o nosso mal. Não vamos então exigir dos que nos transmitem o Evangelho e que administram a Igreja uma refeição de que nós mesmos não somos capazes. O mal que há em nós é assumido e usado por Deus para fazer advir o bem.
Figuras exemplares
Esta utilização do que é mau para produzir o que é bom foi justamente o que se deu na Paixão do Cristo. O paroxismo da perversidade provoca um sobre paroxismo do amor. Isto que se passa na Páscoa de Jesus reproduz-se em nossas existências pessoais e também na história da Igreja.

Somos disso os beneficiários e, a partir daí, temos de alimentar a ambição de tornarmo-nos seus imitadores. Fazer surgir no mundo um acréscimo de amor a partir do mal que possamos fazer e daquele de que eventualmente sejamos as vítimas, este é o "programa" da ética cristã. Graças a Deus, Pedro e Paulo, os fundadores da Igreja, estão aí para nos mostrar que é possível. Pecadores, quer dizer, produtores do mal e beneficiários do perdão de Deus, mártires que, assim como Jesus, sofreram em seu corpo a perversidade dos homens e que, no perdão que lhes concederam, aceitaram dar a sua vida, traçaram-nos o caminho a seguir. Felizmente, não foram perfeitos, senão o seu exemplo poderia nos desencorajar. A perfeição está no fim de uma longa caminhada, é um dom que nos está prometido, não um bem já possuído. Enfim, escolher a perfeição poderia ser exatamente deixar de preocuparmo-nos conosco e passarmos a nos ocupar com os outros, "olhar para fora". Assim sendo, a Boa Nova do primado do amor poderia ser anunciada porque vivida primeiro em Jerusalém (Pedro) e, depois, até nas extremidades do mundo (Paulo).
Croire
*Marcel Domergue é sacerdote. O texto é baseado nas leituras da Festa da São Pedro e São Paulo (Domingo, 29 de Junho de 2014). A tradução é de Francisco O. Lara, João Bosco Lara e José J. Lara.
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