Blog Alma Missionária

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terça-feira, 13 de maio de 2014

Colar nas provas é pecado?

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Pergaminhos, sanfonadas, papéis de baixo da perna, dentro das mochilas, lembretes na borracha, contorcionismos para ver a prova do colega de trás. E tudo isso com o mesmo ideial = copiar a resposta de uma questão que na hora deu um branco, ou como é conhecido popularmente, colar.

Seria esse ato tão simples e banal um pecado?

Apresentar uma prova com questões corretas e adquirir uma nota boa sem virtude de seus méritos não é um ato honesto. Enganou o professor e tal atitude pode ser compreendida como uma ação da mentira.  O ato ilícito é contrário à perfeição cristã. Só a mentira perniciosa, isto é, aquela que é feita para causar dano ao próximo, é pecado mortal. A mentira jocosa, que se conta, por exemplo, em 1º de abril, é pecado venial.

A mentira é uma comunicação (significatio) falsa unida à intenção de enganar.” Santo Agostinho, Contra mendacium, 26: PL 40, 537

Santo Tomás explica que a intenção de enganar (voluntas fallendi) (Suma, II-II, q. 110, a.1); é uma forma que esta fica qualificada moralmente pela falsidade formal, isto é, pela simples vontade de dizer - ou fazer - o que é falso, de expressar algo contrário ao próprio pensamento. Daí o conceito em latim que considera a mentira locutio contra mentem.

Mentir 
“para si mesmo” em absoluto seria mais grave do que mentir “para outro” enquanto não mente “para si mesmo” .


Isto é, a mentira no coração seria intrinsicamente má. Tendo a verdade in corde, só mentirá in verbis com vista a um determinado fim. Neste caso, o fim da mentira é que será o lastro do seu valor moral.  

Mentir por caridade para com o próximo continua sendo ilícito, e continua sendo pecado, embora não seja mortal. É pecado venial, vai contra a perfeição, a mentira, tanto jocosa, quanto oficiosa.

A mentira trai a confiança e a promessa que toda palavra-sinal significa para o outro, com efeitos socialmente destruidores. Toda comunidade e sociedade procedem do encontro livre de pessoas que se comunicam, abrindo-se mutuamente na verdade do próprio pensamento. A palavra, pronunciada ou expressada de qualquer maneira, é ato de confiança mútua, instauradora de relações humanas. Comunicar é da fé à palavra. 

Toda mentira atenta contra esse crédito da palavra. Viola a promessa que toda palavra significa para o destinatário,induzindo-o ao erro, desviando-o para prazer próprio e ferindo-o em sua dignidade de pessoa. Toda mentira é abuso de confiança, que afasta as pessoas e favorece a ruptura dos vínculos sociais. A mentira engana o outro, com consequências aviltantes, contagiosas e involutivas.

Vejam o que diz Santo Tomás:
 
E, por sua vez, são duas as intenções possíveis na vontade desordenada: uma delas, expressar algo falso; a outra, enganar a alguém, o qual é efeito próprio da falsidade. Logo, se se dão essas três condições — enunciação de algo falso, vontade de dizer o que é falso, e intenção de enganar — neste caso há falsidade material, por ser o dito falso, falsidade formal, porque se diz voluntariamente o que é falso, e falsidade eletiva pela vontade de enganar. No entanto, o essencial na definição de mentira se toma de sua falsidade formal, isto é, da vontade deliberada de proferir algo falso. Daqui a etimologia da palavra mentira: mentira é o que se diz contra a mente.

Segundo isto, se se enuncia algo falso crendo que o que se diz é verdade, haverá nisso falsidade material, não formal, porque não se tinha intenção de dizer nada falso. Falta, aqui, portanto, a razão formal perfeita do conceito de mentira, porque o não intencionado é meramente acidental e, em consequência, não pode constituir a diferença específica. Mas quem diz uma falsidade com vontade de dizê-la, embora resulte que o que diz é verdade, seu ato enquanto voluntário e moral de si é falso, e só casualmente resulta em verdade. Isto é, portanto, pelo que se especifica a mentira. No entanto, o intento de falsear o pensamento de outro, enganando-o, não é o que especifica a mentira, por mais que resulte ser complemento da mesma. De igual modo que, nas coisas naturais, a espécie se obtém por aquisição da forma, ainda no caso de que não se siga o efeito da mesma. Tal ocorre, por exemplo, nos corpos pesados, mantidos a força no alto para que não caiam conforme sua propensão natural.
 (S. Th., IaIIae, q.110, a.1, co.)

Jesus trapaceria por algum motivo? A resposta é não!

Cristo é o nosso norte SEMPRE. As vezes nos preocupamos tanto com questões pastorais que não deveríamos ficar complexando as coisas. Se Cristo não faria nós tambem não fazemos. No fim estaremos felizes da vida e com a alma em paz por saber que procuramos pensar e agir como Cristo e não como os teólogos de praia dos nossos tempos. Cristo basta!

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PARA CITAR ESTE ARTIGO:

Colar nas provas é pecado?

David A Conceição, 05/2014 Tradição em Foco com Roma.

Grupo Tradição - Vaticano II acesse:


CRÍTICAS E CORREÇÕES SÃO BEM-VINDAS: 

tradicaoemfococomroma@hotmail.com
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