Apologetica
Por que os católicos veneram imagens?
Fonte: Lista Exsurge Domini
Autor: ACi Digital
Transmissão: Vicente Gargiulo
Autor: ACi Digital
Transmissão: Vicente Gargiulo
Desde a antigüidade, o homem sempre usou pinturas figuras, desenhos e esculturas, entre outros, para dar a entender ou explicar algo. Estes meios servem para ajudar a visualizar o invisível; para explicar o que não se pode ser explicado com palavras. Quando o homem caiu pelo pecado e perdeu a intimidade com Deus, começou a confundir Deus com outras coisas e a render-lhe como se fossem deuses. Este culto era representado freqüentemente com esculturas ou imagens idolátricas. A proibição do Decálogo contra as imagens se explica pela função de tais representações.
Entretanto, ainda quando muitas pessoas pensam que o primeiro mandamento proíbe a veneração das imagens isto não é necessariamente assim. O culto cristão às imagens não é contrário ao primeiro mandamento porque a honra que se presta a uma imagem pertence a quem nelas é representado. Que dizer, se venera uma imagem não por ser a imagem em si, mas pelo que esta representa.
Neste sentido, Santo Tomás de Aquino em sua monumental Summa Theologiae assinala que "o culto da religião não se dirige às imagens em si mesmas como realidades, mas que as olha sob seu aspecto próprio de imagens que nos conduzem a Deus encarnado. Pois bem, o movimento que se dirige à imagem em quanto tal, não se detém nela, mas tende à realidade da que é imagem".
Inclusive já no Antigo Testamento, Deus ordenou ou permitiu a instituição de imagens que conduziriam simbolicamente à salvação pelo Verbo encarnado, e como exemplo disso temos a serpente de bronze ou a arca da aliança e os querubins.
As primeiras comunidades cristãs representaram a Jesus com imagens de Bom Pastor, mais adiante apareceram as de Cordeiro Pascal e outros ícones representando a vida de Cristo. As imagens têm sido sempre um meio para dar a conhecer e transmitir a fé em Cristo e a veneração e amor à Santíssima Virgem e aos santos. Prova disso, são as catacumbas -a maioria localizada me Roma- onde ainda se conservam imagens feitas pelos primeiros cristãos, como as catacumbas de Santa Priscila, pintadas na primeira metade do século III.
Entretanto, com a encarnação de Jesus Cristo foi inaugurada uma nova economia das imagens.Cristo tomou e resgatou os ensinamentos do Antigo Testamento e lhe deu uma interpretação mais perfeita em sua própria pessoa. Antes de Cristo ninguém podia ver o rosto de Deus; em Cristo Deus se fez visível. Antes de Jesus as imagens com freqüência representavam a ídolos, eram usadas para a idolatria. Agora o verdadeiro Deus quis tomar imagem humana já que ele é a imagem visível do Pai.
Maria e os Santos
A igreja Católica venera aos santos mais não os adora. Adorar algo ou alguém que não seja Deus é idolatria. Há que saber distinguir entre adorar e venerar. São Paulo ensina a necessidade de recordar com especial estima aos nossos precursores na fé. Eles não desapareceram no nada mas a nossa fé nos dá a certeza do céu onde os que morreram na fé estão já vitoriosos em Cristo.
A igreja respeita as imagens da mesma forma que se respeita e venera a fotografia de um ser querido. Todos sabemos que não é o mesmo contemplar a fotografia e contemplar a própria pessoa de carne e osso. Não está, então, a tradição Católica contra a Bíblia. A Igreja é fiel a autêntica interpretação cristã desde suas origens.
A igreja procurou sempre com interesse especial que os objetos sagrados servissem ao esplendor do culto com dignidade e beleza, aceitando a variedade de matéria, forma e ornato que o progresso da técnica tem produzido ao longo dos séculos. Mais ainda: a Igreja se considerou sempre como árbitro das mesmas, escolhendo entre as obras artísticas as que melhor responderam à fé, à piedade e às normar religiosas tradicionais, e que assim seriam melhor adaptadas ao uso sagrado.
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O sentido teológico das imagens
Fonte: Lista Exsurge Domini
Autor: Padre Eduardo
Transmissão: Padre Eduardo
Autor: Padre Eduardo
Transmissão: Padre Eduardo
INTRODUÇÃO
Antes de analisarmos o sentido Teológico das Imagens no Antigo e Novo Testamento, convém que penetremos nos seus aspectos de natureza ou essência do termo na terra de canaã, onde tudo começou, bem como a mesma fora divulgada na Bíblia hebraica, até que o Apóstolo Paulo em seus escritos desse ao Cristianismo o autêntico sentido Teológico àqueles que em vida, depois do Batismo foram associados na terra à Imagem do Deus Celeste.
I- NATUREZA DO TERMO IMAGEM.
Na concepção antiga a imagem não era apenas uma semelhança do ser representado, mas participava dele, em certo sentido era ele mesmo. Quando Raquel leva os terafim de Labão, esse se queixa que os seus deuses lhe foram roubados (Gn 31, 19.30) quando os danitas levam na sua expedição a imagem que pertencia a Micas, esse os acusa de ter furtado o seu deus (Jz.18, 20.24;Gn 35,2.4; Ex 32,1.4). As imagens dos deuses ofereciam-se holocaustos (Os 4,13), libações (Jr 7,18), trigo, azeite, bolos e toda espécie de comidas (Jr 7,18; Os 2,8) preparava-se-lhes a mesa (Is 65,11; Br 6,26). As imagens eram beijadas e acariciadas (1Rs 19,18; Os 13,2); apertava-se-lhes a mão (Sl 44, 21) e eram carregadas em procissão (Is 46, 7; Jr 10, 5), o povo ajoelhava-se ou prostrava-se diante delas (1Rs 19,18); em torno do altar dançava-se, gritava-se e alguns se feriam (1Rs 18, 26. 29); muitas vezes o culto era acompanhado de ações impudicas (Dt 23, 18s; Os 4, 14. 18).
II- DIVULGAÇÃO DAS IMAGENS
a) Em Canaã: Nos tempos mais antigos os santuários cananeus (as chamadas alturas: bãmõt) não possuíam imagens de deuses, mas apenas colunas de pedra (mossebõt), representado a divindade masculina, e estacas de madeira (‘?serãh; ou Asera) representando a divindade feminina. Daí que nas escavações dos antigos lugares de culto de raras vezes foram encontradas imagens de deuses (as estatuetas pequeninas, porém são freqüentes: os chamados ídolos). Aliás, na destruição de uma cidade, os vencedores as levaram, provavelmente como troféu, ou os habitantes as escondiam num lugar mais seguro (Is 46,7). Num templo de Betsan foram descobertas umas imagens pedra (sem cabeça), uma imagem menor de bronze, representando Astarté (1 Sm 31,10) e pedras consagradas a Mical a deusa Anat; num templo de Hasor, uma imagem de um deus e outra de um leão em estilo heteu. Em b?lu’a (Transjordânia) foi encontrada uma grande pedra sagrada moabítico-egípicia, na qual uma deusa (Astarté) apresenta o rei de Moab a um deus (Kemós).
Perto de dibãn (Transjordânia) veio a lume uma pedra consagrada a um deus da guerra (Kemós?); em outros lugares ainda algumas pequenas imagens de deuses de bronze. Em 1Sm 31,10 menciona um templo de Astarté em Betsan mas geralmente as deusas eram veneradas nas capelas laterais dos santuários.
A Bíblia fala algumas vezes de imagens de deuses (lRs 15,13; 2Rs 21,7; Ez 8,3ss), outras são conhecidas pelas escavações: uma pedra sagrada (incompleta) representando uma deusa-serpente (tellbet-mirsim), um relevo de Atargatis-Derketo (Ãscalon), da época romana, numerosos pequenos relevos e estatuetas de barro, para o culto doméstico, e ainda algumas pedras sagradas da deusa Kadés (na Síria). Até hoje nenhuma imagem foi encontrada que pudesse ser considerada como imagem de Javé. Há apenas uma moeda não-israelita, de Gaza (século V A.C.), em que Javé é representado como Diôniso (Haas, Bilderatlas).
b) Na Bíblia hebraica: Temos diversas palavras para imagem selem, t'münãh, tab'nit, etc.; além disso, termos depreciativos para imagens de deuses, tais como 'elilim (deuses miúdos, nulidades: Is 2,8.18-20), siqqus (abominação: Jr7,30; 16,18; significando Abominação da desolação), gillulim (coisas tortas? Ez 6,4). A distinção que se fazia originariamente entre imagem talhada (pesel) e imagem fundida (massekãh) não foi sempre mantida, de sorte que pesel pode indicar qualquer imagem (Ex 20,4; Is 44,10). No culto legítimo, toda e qualquer imagem, também de Javé, era severamente proibida, Ex 34,17 proíbe particularmente as imagens fundidas, Ex 20,23, imagens de ouro e prata, que representassem "outros deuses que não Javé". Ex 20,45 e Dt 5,8s proíbem toda espécie de imagens que pudessem "suscitar o ciúme de Javé"; portanto: deuses alheios; Lv 26,1 proíbe imagens feitas para serem adoradas. Em todos esses textos, excetuando-se Ex 34, 17, que é de teor muito geral, só se fala em imagens de outros deuses. Em Dt 4,15-18 as imagens de Javé são também proibidas pelo motivo de que Javé, no Sinai, não se demonstrou em figura nenhuma; Is 40,12-18 proíbe as imagens, porque nenhuma criatura seria capaz de representar o Criador do universo. Que o culto legítimo de Javé era de fato sem imagens, vê-se bem nas narrativas bíblicas; só a arca era o símbolo da presença de Deus. Os querubins na arca e nas paredes do templo, e os touros que carregavam a bacia de bronze, nunca foram objetos de adoração. Só a serpente de bronze (Num 21,8ss) foi, mais tarde, venerada com sacrifícios de perfumes e, por este motivo, afastada do templo (2Rs18,4). Também o efod e os terafim, que se encontrava em alguns santuários de Javé (Jz 8,27; 17,5; 1Sam 21,9; Os 3,4), não podem ser considerados como imagens de Javé, pois nunca foram objeto de culto. O que eram na realidade ainda não sabemos com certeza. No culto ilegítimo, porém, parece ter havido imagens de Javé.
A imagem feita por Micas, que os danitas lhe tiraram, deve ter representado Javé; Micas, como seu nome indica (quem é igual a Javé?), era um devoto de Javé (Jz 17,4s.13; 18,24.30). As imagens de touros, em Dan e Betel (1Rs 12,28-38; ÊX 32,1-6), talvez tenham sido, na concepção do rei Jeroboão, apenas suportes de um Javé invisível. O povo, no entanto, venerava-os como sendo "os deuses que libertaram Israel do Egito" (Os 8,5; 13,2), portanto, como se fossem representações do próprio Javé, e como se fosse esse um simples deus da natureza um Baal (Os 2,18); por isso essas imagens foram estigmatizadas mais tarde como "deuses alheios" (lRs 14,9; SI 106,19-21; 2Crôn.11,15). A reforma de Josias (2Rs 23,4-20) conseguiu expurgar,o culto Oficial, mas não acabou com culto ilegítimo (Jer 44,8ss). Só depois do cativeiro todas as imagens desapareceram do culto, e de modo tão radical, que os judeus detestavam não apenas as imagens de Javé ou de outros deuses, mas quaisquer representações de um ser vivo. Opuseram-se várias vezes, e com violência, contra a introdução de imagens em Jerusalém (Ant. 18,3.1; 6,2.8). Nem todos, porém, partilhavam dessas idéias rigorosas; provam-nos os numerosos afrescos e mosaicos nas sinagogas de Bet-Alfa, Gérasa, Naara e Dura_Europos e túmulos judaicos em Roma, enfeitados com representações de animais e de homens.
No século II dC os rabinos ainda proibiam toda e qualquer imagem (Mechilta sobre Êx 20,4); no século IV foram permitidas como enfeites, não como objetos de culto (Lev 26,1).
III O homem como imagem de Deus.
a) No AT: Que o homem foi criado segundo a imagem de alguma divindade, era uma idéia muito espalhada na antiguidade (p.ex. Ovid. Metam. 1,83), particularmente entre os babilônios (p. ex., epopéia de Gilgamexe 1,80ss). Assim também em Gn 1,26, Deus (elõhim) diz: "façamos o homem à nossa imagem" (hebr.: como o nosso selem), "segundo a nossa semelhança" (hb.: como o nosso d"müt em Gn 1,27 (Deus criou o homem à sua imagem [selem]), 5,1 e 9,6 (pois é à sua imagem [selem] que Deus fez o homem) provam que as duas expressões de 1,26 (imagem e semelhança) têm o mesmo sentido: significam que a pessoa humana tem semelhança com a de Deus, e não se trata de uma distinção, p. ex.: entre uma semelhança natural e outra sobrenatural (pela graça).
Na concepção do autor sacerdotal essa semelhança nem se baseia na imortalidade (esta noção lhe era desconhecida), nem exclusivamente na forma do Corpo Humano. O homem é parecido com Deus (Gn 5;1) como o filho com seu pai (5,3), porque recebeu do seu Criador algo divino. (2,7); Sendo imagem de Deus, ele representa Deus entre as demais criaturas. (Em Babel o rei é chamado "imagem de. Marduc" entre os seus súditos, isto é, o representante vivo de Deus na terra).
Por isso a vida do homem é inviolável (Gn 9,6). Ele é como que um Deus de segunda categoria, coroado (Sl 8,6) com beleza e glória (imagem é, com poder e glória que irradiam visivelmente); ele é um rei, constituído por Deus para reinar sobre os demais seres vivos (Gn 1,28: Sl 8,7ss; Eclo 17,3). Não indica que para o autor sacerdotal o homem, depois, tivesse perdido essa semelhança. E só mais tarde (Sab 2,23s) que a semelhança com Deus é relacionada com a imortalidade, para a qual Deus criou o homem, e que lhe foi roubado pelo demônio.
b) No NT, imagem tem sempre o sentido de representação de um objeto ou de uma pessoa; por isso a lei mosaica é apenas a sombra e não a imagem das coisas vindouras (Hb 10,1). Quando S. Paulo chama o homem de "imagem de Deus e reflexo de sua glória" (lCor 11,7s) , ele se inspira, certamente, na concepção de Gn 1,26s. O homem, criado imediatamente por Deus, representa e reflete a glória do criador. Contudo, o primeiro homem foi feito "da terra" (Adão; Gn 2,7); tornou-se imagem da terra, é terrestre; não é "do céu", celeste, como, o "Segundo Homem", Cristo (l Cor 15,47). O cristão, "predestinado para se tornar semelhante à imagem do Filho de Deus" (Rom 8,29), imagem é, para alcançar uma perfeita semelhança com o Cristo glorificado, deve "trazer a imagem do homem celeste" (l Cor 15,49), representar e realizar no corpo e na alma o Cristo glorificado. Por isso o cristão, que como homem é a imagem, do Adão terrestre, deve ser transformado inteiramente, para alcançar o estado do Segundo Adão, o Cristo glorificado que, por sua vez, é a imagem de Deus (2Cor 4,4; Col 1,15); “Possuía a forma divina e tomou a forma de escravo, tornando-se semelhante aos homens” (Fp 2,6s). E' por ser Filho de Deus, que Cristo é, no sentido pleno da palavra, a imagem de Deus (2Cor 4,4; Col 1,15), o representante perfeito de seu Pai entre os homens ( Jo 1,14.18; 12,45; 14,19; Hb 1,3; Sab 7,26).
Conclusão: Dentro do contexto do Novo Testamento, São Paulo distingue Ídolos de Imagens. Ambos não são sinônimos. Independentemente de Imagem ser escultura, pintura, etc.........Imagem é tudo aquilo que excita a vista. O ato Encarnatório do Deus feito Homem, na pessoa e na Imagem de Nosso Senhor Jesus Cristo (Jo 1), Ele mesmo provou visivelmente e concretamente que é a Imagem do Deus Invisível. Por isso que o Cristão é "predestinado para se tornar semelhante à imagem do Filho de Deus" (Rom 8,29), imagem é, para alcançar uma perfeita semelhança com o Cristo glorificado, deve "trazer a imagem do homem celeste" (l Cor 15,49), representar e realizar no corpo e na alma o Cristo glorificado. Por isso o cristão, que como homem é a imagem, do Adão terrestre, deve ser transformado inteiramente, para alcançar o estado do Segundo Adão, o Cristo glorificado que, por sua vez, é a imagem de Deus Celeste (2Cor 4,4; Col 1,15).
Paz e Bem!
Pe. Eduardo
Pe. Eduardo
Devoção Mariana e culto as imagens
Fonte: Mundo Católico
Autor: João Paulo II
Transmissão: Jorge Dantas
Autor: João Paulo II
Transmissão: Jorge Dantas
Instrução proferida pelo papa João Paulo II na audiência geral de 29 de outubro de 1998:
Depois de ter justificado doutrinalmente o culto da Bem-Aventurada Virgem, o Concílio Vaticano II exorta todos os fiéis a tornarem-se os seus promotores: "Muito de caso pensado ensina o sagrado Concílio esta doutrina católica, e ao mesmo tempo recomenda a todos os filhos da Igreja que fomentem generosamente o culto da Santíssima Virgem, sobretudo o culto litúrgico, que tenham grande estima às práticas e exercícios de piedade para com ela, aprovados no decorrer dos séculos pelo Magistério".
Com esta última afirmação os Padres conciliares, sem chegar a determinações particulares, queriam reafirmar a validade de algumas orações como o Rosário e o Angelus, caras à tradição do povo cristão e frequentemente encorajadas pelos Sumos Pontífices, como meios eficazes para alimentar a vida de fé e a devoção à Virgem. O texto conciliar prossegue pedindo aos crentes que "mantenham fielmente tudo aquilo que no passado foi decretado acerca do culto das imagens de Cristo, da Virgem e dos Santos".
Repropõe assim as decisões do II Concílio de Nicéia, que se realizou no ano 787 e confirmou a legitimidade do culto das imagens sagradas, contra quantos queriam destrui-las, considerando-as inadequadas para representar a divindade (cf. Redemptoris Mater, 33). "Nós definimos" - declararam os Padres daquela assembléia conciliar - "com todo o rigor e cuidado que, à semelhança da representação da cruz preciosa e vivificante, assim as venerandas e sagradas imagens pintadas quer em mosaico quer em qualquer outro material adaptado, devem ser expostas nas santas igrejas de Deus, nas alfaias sagradas, nos paramentos sagrados, nas paredes e mesas, nas casas e ruas; sejam elas a imagem do Senhor Deus e Salvador nosso, Jesus Cristo, ou a da Imaculada Senhora nossa, a Santa Mãe de Deus, dos santos anjos, de todos os santos justos" (DS, 600). Evocando essa definição, a Lumen Gentium quis reafirmar a legitimidade e a validade das imagens sagradas em relação a algumas tendências que têm em vista eliminá-las das igrejas e dos santuários, a fim de concentrar toda a atenção em Cristo.
O II Concílio de Nicéia não se limita a afirmar a legitimidade das imagens, mas procura ilustrar a sua utilidade para a piedade cristã: "Com efeito, quanto mais frequentemente estas imagens forem contempladas, tanto mais os que as virem serão levados à recordação e ao desejo dos modelos originários e a tributar-lhes, beijando-as, respeito e veneração" (DS 601).
Trata-se de indicações que valem de modo particular para o culto da Virgem. As imagens, os ícones e as estátuas de Nossa Senhora, presentes nas casas,nos lugares públicos e em inúmeras igrejas e capelas, ajudam os fiéis a invocar a sua presença constante e o seu misericordioso patrocínio nas diferentes circunstâncias da vida. Ao tornarem concreta e quase visível a ternura materna da Virgem, elas convidam a dirigir-se a Ela, a suplicar-lhe com confiança e a imitá-la, acolhendo com generosidade a vontade divina. Nenhuma das imagens conhecidas reproduz o rosto autêntico de Maria, como já reconhecia Santo Agostinho ("De Trinitate 8,7); contudo, ajudam-nos a estabelecer relações mais vivas com Ela. Deve ser encorajado, portanto, o uso de expor as imagens de Maria nos lugares de culto e noutros edifícios,para sentir a sua ajuda nas dificuldades e o apelo a uma vida cada vez mais santa e fiel a Deus. Para promover o correto uso das sagradas efígies, o Concílio de Nicéia recorda que "a honra tributada à imagem, na realidade, pertence àquele que nela é representado; e quem venera a imagem, venera a realidade daquele que nela é reproduzido" (DS 601).
Assim, adorando na imagem de Cristo a Pessoa do Verbo Encarnado, os fiéis realizam um genuíno ato de culto, que nada tem em comum com a idolatria. De maneira análoga, ao venerar as representações de Maria, o crente realiza um ato destinado em definitivo a honrar a pessoa da Mãe de Jesus.
O Vaticano II exorta, porém, os teólogos e os pregadores a evitarem tantos exageros como atitudes de demasiada estreiteza na consideração da dignidade singular da Mãe de Deus. E acrescenta: "Estudando, sob a orientação do Magistério, a Sagrada Escritura, os santos Padres e Doutores, e as liturgias da Igreja, expliquem como convém as funções e os privilégios da Santíssima Virgem, os quais dizem todos respeito a Cristo, origem de toda a verdade, santidade e piedade" (LG 67). A autêntica doutrina mariana é assegurada pela fidelidade à Escritura e à Tradição, assim como aos textos litúrgicos e ao Magistério. A sua característica imprescindível é a referência a Cristo: tudo, de fato, em Maria deriva de Cristo e para Ele está orientado.
O Concílio oferece, por fim, aos crentes alguns critérios para viverem de maneira autêntica a sua relação filial com Maria: "E os fiéis lembrem-se de que a verdadeira devoção não consiste numa emoção estéril e passageira, mas nasce da fé, que nos faz reconhecer a grandeza da Mãe de Deus e nos incita a amar filialmente a nossa mãe e a imitar as suas virtudes" (LG 67).

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