Blog Alma Missionária

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segunda-feira, 20 de maio de 2013


Apologética
Missa e a Última Ceia: Reflexões sobre a Eucaristia nos relatos evangélicos
Fonte: Apologetics.org
Colaboração: Milagros Sotelo de Gómez / Venezuela
Tradução: Rogério SacroSancttus
A instituição da Eucaristia se encontra relatada quatro vezes no Novo Testamento, nos três sinóticos e na primeira carta do apóstolo São Paulo aos Corintios.
São João por sua vez, não se refere ao momento da instituição da Eucaristia, atento a seu propósito de não repetir o que outros narraram. mas sim de especifica-los ou concretizá-los e é por ele que através do capitulo 6 temos a promessa da Eucaristia, que é uma parte doutrinária sobre ela e que denominamos este discurso de: O Pão da Vida, a qual se destacam duas partes:
a) Que é dom do Pai aos homens e há de ser tomado pela fé.
b Que é dom de Jesus, que somente se dá no futuro e se toma como comida e bebida.
Os blocos particulares estão entrelaçados pela idéia da Eucaristía e neles se usa a terminologia da última ceia. A doutrina da promessa, se resume em três proposições:
1. << Eu sou o pão vivo que desceu do céu. >>
2.<< Se alguém comer deste pão viverá eternamente.>>
3.<< O pão que vos darei é minha carne para que o mundo viva >>
A palavra grega que Jesus usa para dizer carne é "SARX" que traduz a palavra hebréia "BASAR"; que significa o "composto humano formado pelo corpo e a alma como unidade indivisível"; isto se opõe ao conceito grego dualista de alma e corpo como realidades separadas.
Afirmamos então que na mentalidade hebréia ao dizer : basar = sarx = carne Inclue o homem inteiro, quer dizer. um corpo com alma.
Consequentemente quando Jesus fala em comer sua "carne", quer nos dizer alimentar-se de sua humanidade completa e que nEle vai unida inseparavelmente sua divindade.
O realismo desta promessa de um alimento fica ainda mais reforçado pelo o que Jesus acrescenta:
<< Se não bebeis do meu sangue não tereis a vida em vós. >>
Ao mencionar seu sangue, acentua se o realismo do dom de sua pessoa, já que "carne e sangue" é uma expressão hebraica que significa "homem", um ser humano completo e vivo. Não é como o maná, nem tampouco como o pão com que se alimentou a multidão mas a verdadeira comida e bebida, alimento que produz a vida eterna e a ressurreição final.
A instituição da Eucaristia aparece durante a última ceia pascal que celebrou com seus discípulos e os quatro relatos coincidem no essencial, em todos eles a consagração do pão precede a do cálice; ainda que devemos nos recordar que na realidade histórica a celebração da Eucaristia ( Fração do Pão ) começou com a Igreja primitiva antes da redação dos Evangelhos.
Para entender melhor a Eucaristia situemo-nos no marco dos acontecimentos:
a) Dentro de uma comida festiva de despedida.
b) A instituição da Eucaristia foi encaixada no marco da ceia pascal.
Neste contexto existe uma clara mensagem, Cristo em pessoa é a nova páscoa. A Antiga Aliança foi superada pela Nova e definitiva Aliança, que se sela com o sangue do Cordeiro pascal que é Cristo. O povo da Antiga Aliança comemora a Páscoa de Yahveh; em contrapartida o povo da Nova Aliança, celebra a presença do Senhor entre nós.
A celebração eucarística vai mais além como podemos deduzir pela exposição anterior de reunirem-se para recordar o que Jesus fez por nós, tal como fazem nossos irmãos separados. O Senhor não pode ser uma recordão, o pão de vida e como "memorial".
A celebração eucarística tem a conotação de atualidade pela ação do Espírito Santo, o acontecimento salvífico, o qual nós em nós aqui e agora nos associamos. Não se repete uma e outra vez mas que se faz presente.
Durante a consagração se realiza o milagre da transubstanciação, quer dizer, ainda que diante dos nossos olhos pareça especies de pão e vinho; estas já não são mais, e estamos então diante da presença real e substancial de Cristo com seu corpo, sangue, alma e divindade  isto é, a Eucaristia, que podemos contemplar em seus dois vertentes; como sacramento na qual Cristo se dá a nós como alimento para nos santificar e como sacrificio enquanto Cristo se oferece a Deus como vítima para o perdão dos pecados. Cristo efetivamente não foi imolado nesse momento mas sim se ofereceu para ser imolado na Cruz:" Este é meu corpo que será entregue por vós. Este é meu sangue que será derramado por vós." . Vemos assim que seu corpo e seu sangue já tiveram caráter de vítima imolada; e por isso se a Missa é a renovação do sacrificio da Cruz, a última Ceia foi a antecipação dele.
Há também uma íntima relação entre a Missa e a última Ceia, porque esta foi a primeira Missa celebrada por Cristo, as que seguem depois são o cumprimento das palavras que então Ele pronunciou " Fazei isto em memoria de mim "
A luz da Revelação na Escritura, e no desenvolvimento da Tradição, vemos e entendemos que o Senhor tem uma intenção clara na última Ceia, onde também fica instituido o sacramento da Ordem (em virtude do requerimento do mandato). Deixa um mandamento claro "fazei isto em memoria de mim", para que sua presença e sua salvação cheguem a todos os homens e em todas as épocas, para que possamos ter a vida eterna ao comer sua carne e beber seu sangue.
Todos os elementos e palavras presentes nos relatos da instituição da Eucaristia, apanha todas as grandes idéias do Antigo Testamento. ( Aliança e Reino de Deus, expiação e martirio, culto e pregação escatológica). Cristo é o centro de tudo, por Ele se realiza a obra salvadora de Deus em plenitude e consumação. Na Eucaristia se concentra tudo o que Deus tem feito e há de fazer pelos homens na historia da salvação. O Reino de Deus não é somente proclamado por Ele como próximo, mas que foi inaugurado já por sua presença e por sua obra; neste sentido, a Eucaristia é um adiantamento do que em plenitude gozaremos no Céu.
Para ilustrar o que significa a Eucaristía como misterio de fé, limitemo-nos a João 6,25-40 dentro do discurso do Pão da Vida. Jesus lhes declara que esse pão destinado a dar vida para o mundo é Ele em pessoa mas pontualiza que é condição indispensavel ter fé, tem que crer em Jesus e isto nos planta uma pergunta: O que é crer em Jesus ? para Ele, "crer nEle " é o mesmo que " ir a Ele " , é se entregar a Ele. Não é um simple acontecimento, mas uma aproximação afetiva e uma decisão da vontade para seguir Jesus e além disso nos afirma que tudo isto é uma Graça que o Pai concede: << que todos os que venha ao Filho e creia nele, tenha a vida eterna>>, Jesus ao longo do Evangelho repete que Deus chama a todos os homens pela fé, logo o dom é oferecido a todos os homens, mas é aceito por uns e recusado por outros, por outro lado como o dom de Deus entende-se que é gratuito e que o homem não tem nenhum mérito proprio para recebe-lo. O mérito que podemos ter, consiste no exercício que fazemos desse dom, quer dizer, se o abraçamos e o vivemos.
Na teoría todo cristão sabe ( ou deve saber) que na Eucaristia esta presente Jesus em corpo, sangue, alma e divinidade. Mas parece que na prática não o levamos impresso em nossa consciência, nem no coração, porque se assim fosse sentiríamos em nosso ser fome e sede de recebe-lo diariamente como verdadeira comida e verdadeira bebida. Toda nossa vida estaria centrada ao redor da presença real do Mestre e a Santa Missa seria como consequência lógica a primeira , diaria e mais importante necessidade de nossa vida.
Por outro lado ao estar imersos na celebração eucarística, não caberia nenhuma distração e a profundidade do misterio nos invadiria. Desta forma vivendo e deixando-nos penetrar pela Graça, os que nos rodeam veriam por trasluz que nossa fé é vida e não somente teoria.
O caráter de "memorial" que tem a Santa Missa, por definição exige de nós a atitude de introduzir-nos ao misterio pascal tal e como é; não como recordação de algo que aconteceu, mas associando-nos a uma ação que segue se verificando hoje, por ele quando celebramos a Santa Missa, nos transladamos, nos fazemos presentes na Ceia do Senhor e estamos com Maria ao pé da Cruz. Estamos alimentando-nos do Corpo e Sangee do Senhor, estamos sendo salvos em virtude de seu sacrificio. Estaremos participando da unidade em comunhão com o Senhor e por ele podemos unir nossos sacrificios e sofrimentos aos de Cristo. Somente "por Ele ,com Ele e n´Ele" tem um sentido profundo e ascende a dimensão redentora.
Necessariamente o encontro com Cristo Eucaristico e uma experiencia pessoal e íntima, há de ser o encontro pleno de amor de dois apaixonados. É portanto impossivel generalizar sobre eles. Porque somente Deus conhece os corações dos homens. Devemos transluzir em nossa vida, a transcendencia do encontro íntimo com o Amor. Resulta logicamente pensar que quem recebe esta Graça, está em maior capacidade de amar e de servir o irmão e que além disso alimentado com o Pão da Vida deve se estar mais fortalecido para enfrentar as provas, para encarar o sofrimento, para contagiar sua fé e sua esperança. Enfim, para levar a missão num término feliz, a vocação, que o Senhor lhe outorgue.
Se apreciassemos devidamente a Presença Real de Cristo no sacrario, nunca o encontraríamos sozinho acompanhado unicamente da lampada Eucarística acendida, o Senhor hoje diz a todos e a cada um, o mesmo que disse aos Apóstolos "Tenho desejado ardentemente comer convosco esta Páscoa, antes de sofrer." Lc.22,15. O Senhor espera com ansia para nos dar como alimento.
Somos conscientes disso? De que o Senhor nos espera no Sacrario com a mesa celestial servida.? E nós, por que o deixamos esperando.? Ou por acaso quando alguém vem visitar a nossa casa o deixamos sozinho na sala e vamos nos ocupar de outras cosas.?
É exatamente isto o que fazemos em nosso apostolado, quando nos enchemos de atividades e descuidamos na oração diante do Senhor, que nos espera no Sacrario, preso porque nos "amou ao extremo" resultando que Aquele que fez o mundo e tudo o que nele contem (incluindo nós) se encontra ali, oculto aos olhos, mas incrivelmente luminoso e poderoso para saciar todas nossas necessidades.

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