MENSAGEM DO DIA
05/05 Cont. Aborto: fetos e mulheres - Pe. Zezinho, scj
Aborto: fetos e mulheresPe. Zezinho, scj
Se de um lado está a saúde da mulher que abortará, do outro está a vida do feto ameaçado de aborto. Se uns exigem do Estado que ajude a mulher em risco de vida, os outros exigem que o Estado não permita interromper a vida de um feto em gestação.
Não há como argumentar de maneira fria. É tão conservador quem deseja conservar a mulher viva e com saúde, como quem deseja conservar o feto vivo e com saúde. A emoção começa a dominar o tema quando se decide quem dos dois deve morrer: o feto ou a gestante! Aí nascem os apelidos e as acusações e os adjetivos: retrógrado, insensível, irrealista, conservador. Mas não se trata de vidas? Como chamar de progressista quem opta pela morte do feto? Como chamar de retrógrado quem propõe que o adulto arrisque sua pelo feto que gerou? Não se enaltece em poemas famosos quem arriscou sua vida pela pátria? Não se aplaude a mãe que se joga sobre o filho e salva sua vida? Vale apenas o argumento de que ela quis ou não quis? Diante da vida concebida e ali presente o argumento quero-não-quero perde sua força. Ninguém quer morrer, mas se alguém deve morrer que morram os pais e não seu filho indefeso. Não saberão viver com sua escolha se sobrevierem sacrificando seu filho. A distinção entre filho-filho e filho feto não cola. Se já é feto já é filho. Decidir que um ser humano só se torna filho e pessoa quando nasce, ou após 14 semanas de vida é coisa que cientista sério não assina em baixo. Exatamente em que dia, hora e minuto alguém se torna gente?
A briga tem mil nuances e há defensores inteligentes de um lado e de outro. Os que optam pela vida adulta têm centenas de argumentos fortes. Os que optam pela vida incipiente, também. Um olha a realidade do presente. O outro a realidade futura, que não deixa de ser realidade, tanto que o mundo vive hoje da das projeções que faz...
De um político católico se exige que não hesite. Se não pretende trair sua igreja nem seu povo, terá que defender a vida em todas as suas dimensões, tomar o lado dos mais fracos e saber que os adultos devem correr os riscos em favor de uma vida nova, tenha ela o tamanho de uma unha, ou seja ela um viçoso bebê. A Igreja não mede uma vida pela idade ou pelo tamanho: a vida humana tem o direito de se desenvolver. Pode-se corrigir, mas não extirpar nem apressar seu curso.
É luta de fundo político, espiritual e religioso. Quem crê que Deus existe e é o autor de todas as vidas, questione-o como quiser, mas terá que admitir que a vida pertence a Ele, inclusive as geradas pro acidente e fruto da injustiça humana. É assim drástica a doutrina católica. A dos evangélicos e pentecostais têm nuances, mas também estes cristãos defendem a vida e combatem o aborto.
Quem não crê em Deus usará de outros argumentos uma vez que acha que a vida pertence aos que a geraram e não à sociedade e ao Estado. Os pais e os médicos postulam eles, devem ser soberanos para decidir.
Ainda veremos esta luta por decênios. Por enquanto quem pressionar nessa direção correrá o risco de perder porque a maioria dos cristãos brasileiros defende a vida. Cabe às igrejas não abrir mão desta doutrina, por mais sofrimentos que lhe custe. Nenhum dos lados está disposto a desistir. Os que entendem que o feto não é um ser humano não desistirão. Os que o vêem como vida humana e pessoa em formação também não se calarão. Teremos que escolher quem nos representará nas instâncias mais altas. Até agora está claro que não admitimos que se sacrifiquem os fetos humanos. Para nós um feto é mais do que apenas um feto. Alguém nos deixou viver. Queremos a mesma chance para quem se alojar num útero de mulher! Os argumentos de cunho emocional criarão trincheiras e já criaram. Mas dar apelidos a quem defende o feto, além de ser campanha de mau gosto, não cola. Tanto quem deseja conservar intato o ventre quanto quem deseja o feto intato são conservadores! Progressista é quem protege vidas e a qualidade de todas elas, não de apenas algumas!
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