Apologética
As indulgências e Martinho Lutero
Fonte: O que são as Indulgências
Autor: Prof. Felipe Aquino
Digitalização: Rogério SacroSancttus
Às vezes a Igreja é acusada de ter vendido indulgências na Época de Lutero, no século XVI. Jamais isto aconteceu.
Houve infelizmente alguns mal entendido por parte de muitos fiéis do fim da Idade Média, que fizeram das indulgências algo de mecânico, relegando a importância máxima da atitude interior de conversão e amor a Deus ao dar esmola; daí,a aparência de que a Igreja vendia indulgências, o que nunca foi verdade.
O que aconteceu na época de Lutero, foi que o Papa Julio II, em 1507, tinha começado a construção da nova Basílica de São Pedro, em Roma, e tinha concedido uma indulgência ao Jubileu a quem oferecesse esmola para essa obra; iniciativa que foi repetida em 1514 pelo Papa Leão X. Em 1517, na província de Magdegurgo, na Alemanha, a pregação das indulgências jubilares foi feita com grande solenidade por Johannes Tetzel, dominicano, que nem sempre foi fiel ao espírito das indulgências e da sã doutrina.
Foi contra isso que Lutero reagiu, enviando em 31/10/1517 uma carta a Alberto de Brandeburgo e a seu ordinário; uma carta dura pedindo providências contra a pregação de Tetzel e junto enviou as 95 teses sobre as indulgências.
Para Lutero, a indulgência era apenas uma remissão da pena canônica imposta pela Igreja. e não para ser paga na vida futura, e não podia ser aplicada aos defuntos.Para ele não existe o "tesouro da Igreja"; também negavao primado e a infalibilidade do Papa e dos concílios, e defendia as três teses que deram margem a reforma protestante:
1- "Sola Scriptura": apenas a Escritura como fonte de fé, interpretada individualmente, o chamado "livre exame".
2- "Justificatio Sola Fide" : a justificação somente pela fé e não pelas obras.
3- "Sola Gratia" não aceita a mediação da Igreja Hierarquica entre Deus e os homens.
Lutero chegou a escrever em sua tese 82, o seguinte:
" Porque, afinal, o Papa não esvazia o purgatório por motivo da santíssima caridade e da suma necessidade das almas que, entre todas, é a razão mais justa, do momento que liberta um número sem fim de almas por motivos do funestíssimo dinheiro para a construção da basílica, que é uma razão muito leviana?"
Em 1518, face a crescente propagação das teses de Lutero na Alemanha, o Papa Leão X, as submeteu a exame e intimou Lutero a apresentar-se a Roma, o que não aconteceu graças a influência de Frederico da Saxônia. Acabou sendo entrevistado em Augsburgo, pelo Cardeal Tomás de Vio, chamado Caetano em 1518. Por outras razões, e para evitar discórdias maiores, Leão X tentou amenizar a questão, já que Lutero tinha o apoio de gente influente no Estado.
Após as defesas apresentadas por Lutero, começou a ficar claro, e hoje não se tem dúvidas, que a luta de Lutero se dava não contra os abusos morais do clero de Roma, ou sobre outras questões teológicas discutidas na época, como as indulgências, "MAS SOBRE A PRÓPRIA CONSTITUIÇÃO FUNDAMENTAL DA IGREJA", como afirma Giacomo Martina (História da Igreja, Vol I, Ed. Loyola, 1995, SP. Pag. 133).
Face a gravidade da questão, em 1520, após o encerramento do processo contra Lutero, em Roma, foi promulgada a Bula "Exsurge Domine", de Leão X, obrigando que Lutero se retratasse dentro de sessenta dias a respeito das várias teses: livre arbitrio, pecado original, confissão, boas obras, sacramentos em geral, a graça, contrição dos pecados, indulgências, purgatório e primado do Papa.
A Santa Sé aceitou 54 das 95 teses de Lutero, mas rejeitou 41, por não estarem de acordo com a "Sã Doutrina".
Neste periodo Lutero escreveu três obras que tiveram grande divulgação:
1- À nobreza cristã da nação alemã, incitando à derrubada de três muralhas que defendiam a Igreja romana: o direito exclusivo do Papa de convocar concílios, a distinção entre clero e laicato e o direito exclusivo da hierarquia [Magistério da Igreja] de interpretar as Escrituras.
2- O De Captivitate babylonica ecclesiae praeludium, onde critica a doutrina dos sacramentos, aceitando apenas o batismo, a penitência e a Eucaristia, mas não a transubstânciação e o valor sacrifical da missa.
3- O De Libertate Christiana, onde exaltava a liberdade do homem interior, justicado só pela fé e não pelas obras.
Finalmente em 1520, Lutero queimou publicamente o Corpus Iuris Canonici, simbolo da autoridade do Papa, juntamente com a bula Exsurge Domine. Então o Papa Leão X excomungou Lutero e seus seguidores, em 03 de janeiro de 1521, através da Bula Decet Romanum Pontificem.
Como se vê, a questão de Lutero teve muito mais a ver com a "natureza da Igreja", constituida por Jesus, do que com apenas as indulgências. Aí residiu a gravidade de seu erro, que acabou provocando o grande cisma. Por causa da Reforma a Igreja perdeu quase um terço de seus filhos.
Lutero nãp soube distinguir a Igreja, instituida divinamente por Jesus, santa e infalivel e as pessoas da Igreja, fracas e pecadoras. As parabolas do joio e do trigo, e da rede lançada ao mar, indicam que até o final dos tempo a Igreja trará pescadores no seu seio. Infelizmente, ao inves de jogar fora o peixas ruins, Lutero lançou fora a propria rede, isto é, a Igreja.

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