| 40 - APOCALIPSE DOZE | ![]() | ![]() |
| Por Carlos J. Magliano Neto | ||
Por fim, nas páginas 48, 49, 50 e 51 é feito um longo comentário sobre Apocalipse 12, texto que é citado pela Igreja de Cristo quando fala da Assunção e Glorificação de Nossa Senhora por causa das palavras: “E viu-se um grande sinal no céu: uma Mulher revestida de sol...”. Após analisar versículo por versículo, o senhor conclui dizendo que o texto não fala de Maria, mas
“toda estruturação do texto de Apocalipse 12 aponta para o fato de que a mulher é a nação de Israel” (pág. 51)
Não precisava destinar quatro páginas do seu livro para refletir sobre Apocalipse 12 e chegar a conclusão que a Igreja já chegou há muito tempo: ao escrever este texto João falava sobre o povo santo, a nação de Israel, como também sobre a Igreja Cristã, pois a Besta atacava os seguidores de Cristo (v. 17).
O que acontece é que este texto não é algo real, mas uma “visão”, um mito com o objetivo de esclarecer algo para os cristãos que estavam sendo perseguidos ferozmente por César Nero, o Imperador. Por não se tratar de algo real, as palavras de João tomam uma dimensão maior, e passam para além de apenas um significado.
A gerações cristãs sempre souberam que João falava do povo de Deus, porém perceberam uma semelhança com a figura de Maria. E foi aí, que também destinam este texto para falar de Maria.
Não é de se estranhar essa interpretação mariana do texto se analisarmos três pontos:
1º - O Filho da Mulher é o Messias, o Salvador do Mundo (v.5), o que nos faz lembrar da Mulher que deu à luz a Jesus: Maria.
2º - O termo “Mulher”: o mesmo autor do Apocalipse escreveu no seu Evangelho que por duas vezes Jesus chamou sua Mãe de “Mulher” (Jo 2,4 e 19,26) e em Gálatas 4,4 usa-se o mesmo termo para ela: “Deus enviou seu Filho, nascido de uma mulher”. Sendo assim, o uso do termo Mulher também facilita a lembrança de Maria.
3º - Já comentei o quanto João se baseou nos primeiros capítulos de Gênesis para escrever o seu Evangelho. Agora parece que mais uma vez João os utiliza. A cena muito se parece com Gn 3,15, quando, depois de tentar Eva, a Serpente ouve de Deus: “Colocarei inimizade entre você e a mulher, entre a sua descendência e os descendentes dela”. As gerações cristãs entenderam desde cedo que aí Deus já prometia o Salvador, e por conseqüência, já falava da sua Mãe, a Mulher da qual Ele iria descender. Veja agora o paralelo: em Ap 12,9 assim está: “Esse Dragão é a antiga Serpente”, perceba que João lembra da cena de Gênesis afirmando que o Dragão é a Serpente que Deus amaldiçoou no início. Ao lembrar da Serpente, João torna fácil a lembrança do ódio posto por Deus entre a Serpente e a Mulher (Gn 3,15 compare com Ap 12,4.13) e da mulher que seria mãe de uma descendência santa (Gn 3,15 compare com Ap 12,17). Todos esses pontos de Gênesis 3 que falam profeticamente de Maria aparecem em Apocalipse 12.
Logicamente que os pormenores, dependendo da interpreta-ção que se dêem a eles, não vão bater com a vida de Maria. No entanto, sabemos que é uma linguagem figurada, simbólica e que se trata de uma realidade de fantasia, porém, com um fim de evangelização. Afirmar que a Igreja só interpreta Apocalipse 12 apontando para Maria é mutilar o estudo bíblico milenar que a Igreja faz sobre a Palavra de Deus.
“Todos estes argumentos e reflexões dos santos padres apóiam-se como em seu maior fundamento nas Sagradas Escrituras. Estas como que põem diante dos olhos a Santa Mãe de Deus profundamente unida a seu divino Filho, participando constantemente de seu destino” (Papa Pio XII, Constituição Apostólica Munificentíssimus Deus).
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quarta-feira, 19 de dezembro de 2012
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