"Carta aos Artistas" – Parte II“Autenticidade do artista de Deus: há um preço a pagar!”Na segunda matéria sobre a
“Carta aos Artistas” do Papa João Paulo II, Ana Lúcia, missionária e ministra de música da Canção Nova, fala sobre o tema: “Autenticidade do artista de Deus: há um preço a pagar!”
"Todo homem recebeu a tarefa de ser artífice da própria vida: de certa forma, deve fazer dela uma obra de arte, uma obra-prima" (Carta aos Artistas)..: Carta aos artistas - Parte I Assim nos chama à reflexão o Beato
João Paulo II na Carta aos Artistas. E hoje eu o convido a continuar refletindo sobre esta carta, que é um verdadeiro tesouro.
Ana Lúcia durante show na Canção Nova
Foto: Andrea Moraes/cancaonova.com
Sem dúvida alguma, a vida é a maior obra de arte que podemos compor para homenagear o maior dos Compositores, o próprio Deus. De Deus nos vem a capacidade de livremente escolher a forma, a cor e o sentido de nossas vidas. Já o artista, ao elaborar um novo trabalho, precisa "agir segundo as exigências da arte", procurando um resultado final de maior perfeição. E por mais belo que este seja, o resultado não indica a moral nem o caráter do autor. Uma coisa é compor a vida. Diante das provações ou dos momentos de calmaria, vamos imprimindo nossa identidade. Outra coisa é uma canção, uma pintura ou uma escultura, entre outros.
"Mas, se a distinção é fundamental, importante é igualmente a conexão entre as duas predisposições: a moral e a artística." (Carta aos Artistas)Apesar de não obrigatoriamente a arte exprimir seu criador, é quase impossível não dar um pouco de si quando se dedica a ela. Certa vez ouvi um compositor católico dizer que cada música, para ele, é como um filho que nasce, e no decorrer do seu crescimento vai se revelando.
"Sabiamente quando o artista plasma uma obra-prima, não dá vida apenas à sua obra, mas, por meio dela, de certo modo manifesta também a própria personalidade" (Carta aos Artistas).Fica um pouco de nós no que fazemos, e aquilo que trazemos no coração se imprime na arte. Quantos artistas sublimaram o momento de maior dor de suas vidas exercitando sua arte.

Aqui chegamos a um ponto nevrálgico da carta: quando nossa arte está a serviço de Deus, não dá para cantar o que não se vive. No caso, eu me refiro à música, porque é o ministério que exerço, mas você se veja dentro da sua vertente. Não tem maquiagem que consiga disfarçar o coração vazio de um ministro de
música . Abro parênteses para falar daqueles que, não tendo o coração cheio de Deus, se valem da espiritualidade de outros artistas e, assim, se difunde a cultura do plágio. Plágio de melodia, de letras (que cada vez mais usam as mesmas frases feitas), de estilo, de forma de ministrar a música, de postura...Já percebeu que muitos estão entrando numa forma? Para falta de autenticidade espiritual o plágio pode ser um remédio rápido, mas que não leva salvação às pessoas.
"Onde está o teu tesouro, aí estará o seu coração", nos diz a Palavra. O artista que se dispõe a evangelizar com sua arte precisa constantemente encher seu coração de Deus, com uma espiritualidade ativa e constante, ou dará apenas de si para os outros. Ou pior ainda: se contentará em imitar aquele que teve algum êxito.
Para levar o amor de Deus com minha música, eu me exercito muito! Preciso suar! Como na academia, é preciso constância, disciplina, determinação. Na espiritualidade não pode haver comodismo, é preciso rezar, se aproximar de Deus, colocar constantemente a sensibilidade de artista aos pés da cruz, porque a vaidade, o orgulho e o egoísmo nos perseguem.
Estamos em constante batalha contra nós mesmos e contra o mal. O soldado destreinado é golpeado no início do combate, eu preciso estar constantemente treinando, me esforçando, para ser eficaz na luta.
A arte atinge o coração do homem de forma esplêndida! Como diz monsenhor Jonas, é como flecha certeira. Não posso errar, por intermédio de mim muitos precisam encontrar a Deus de forma a ter a vida totalmente transformada, e não sabemos quantas chances teremos. É preciso acertar! É questão de
salvação ou morte eterna.
A sua arte pode ser canal de salvação ou de pecado, só depende da sua fidelidade!
Deus o abençoe!
Ana Lúcia Biajoni
Missionária e ministra de música
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