Blog Alma Missionária

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terça-feira, 18 de dezembro de 2012


Aprendendo com o presépio


Em muitos lares católicos, no tempo do Natal, é costume as famílias montarem seus presépios, desde os mais simples até os mais elaborados, mas todos com a imagem do Menino Jesus envolto em panos, deitado em uma manjedoura, junto com sua Santíssima Mãe, a sempre Virgem Maria, o fiel São José, os três Reis Magos, um boi e um burro.



São Francisco de Assis, no ano de 1223, deu início a esse costume ao montar o primeiro presépio, com o objetivo de ensinar aos fieis a importância do Natal.
Todo presépio ensina.
Ensina que devido ao pecado de Adão o homem não teria como se salvar, uma vez que nenhuma ação humana é capaz de limpar a culpa, de tamanho infinito, cometida por este primeiro homem.
Era preciso, portanto, que um Homem de valor infinito se sacrificasse por toda a humanidade, pois esse foi o preço da dívida de Adão.
Era preciso que Deus se encarnasse.
E Ele o fez.

“E o Verbo se fez carne e habitou entre nós” (São João, 1, 14).

Por ter um amor infinito à criação, Deus nos deu seu Filho unigênito, Jesus Cristo, o Verbo, que se encarnou.
Encarnou-se por amor ao homem.
Encarnou-se devido ao pecado do homem:

- Que fazeis, menino Deus,
Nestas palhas encostado?
- Jazo aqui por teu pecado.
- Ó menino mui formoso,
Pois que sois suma riqueza,
Como estais em tal pobreza?
- Por fazer-te glorioso
E de graça mui colmado,
Jazo aqui por teu pecado.
- Pois que não cabeis no céu,
Dizei-me, santo Menino,
Que vos fez tão pequenino?
- O amor me deu este véu,
Em que jazo embrulhado,
Por despir-te do pecado.
- Ó menino de Belém,
Pois sois Deus de eternidade,
Quem vos fez de tal idade?
- Por querer-te todo o bem
E te dar eterno estado,
Tal me fez o teu pecado.
                    Padre José de Anchieta.



O presépio mostra que o Nascimento de Nosso Senhor foi o início da Redenção do homem, que mais tarde se concretizaria com o sacrifício do Calvário. Na festa do Natal lembramos o primeiro passo de Cristo em direção à Cruz.
O presépio ensina mais.
Ensina que o Menino Deus nasceu em uma cocheira, porque os homens, aos quais veio dar salvação, não O acolheram:

“Não havia um lugar para eles na estalagem” (São Lucas 2, 7).

Os homens renunciaram a Nosso Senhor Jesus Cristo pela primeira vez, antes mesmo de seu nascimento. Negaram abrigo à Santíssima Virgem e a São José.
Desse modo, a Sagrada Família só encontrou acolhimento num estábulo, entre animais, na cidade de Belém.
Belém (Bethlehem), cujo nome significa “Casa do Pão” acolheu o Salvador. Ora, a casa do pão é a Igreja, morada do Santíssimo Corpo de Nosso Senhor, a Santa Hóstia.

“Jesus tomou o pão e, tendo-o abençoado, partiu-o e, distribuindo aos seus discípulos, disse: ‘Tomai e comei, isto é o meu corpo” (São Mateus 26, 26, 28).

O único lugar onde encontramos o Menino Jesus é a Igreja Católica, a Casa do Pão.
Explica Hugo de São Victor que, do mesmo modo que os animais deixam suas sujeiras no chão do estábulo e vão se alimentar no cocho, assim também o católico deixa sua sujeira no confessionário e vai se alimentar na mesa da comunhão.
No estábulo Cristo nasceu entre animais, um boi e um burro:

“O boi conhecerá o seu dono, e o burro conhecerá o presépio de seu Senhor” (Is. 1, 3).

O boi, no presépio de Nosso Senhor, simboliza o povo judeu, pois, do mesmo modo como o boi puxa o arado na terra, o judeu trabalha na vinha do Senhor.
O burro, por sua vez, simboliza o povo pagão, que não manifesta sabedoria.
Cristo nasceu entre ambos, pois trouxe a Redenção para todos os homens.
O presépio tem muito a nos ensinar.
Ensina que Cristo nasceu de uma Mulher, a Virgem Maria. Virgem antes e depois do parto.
No momento de seu Nascimento Nosso Senhor dignificou ambos os sexos, pois nasceu Homem e nasceu de uma Mulher, a mais perfeita das criaturas, a Santíssima Virgem.
Diz Santo Agostinho:
“Que se voltem para o segundo homem todos os que haviam sido condenados pelo primeiro (Adão). Uma mulher nos induzira à morte. Uma outra trouxe-nos a Vida. Dela nasceu um filho, semelhante à carne do pecado (Rm 8, 3), a fim de que fosse purificada a carne do pecado…”
Cristo, Deus e Homem, nasceu de uma Mulher para provar que é Homem. Nasceu de uma Virgem para provar que é Deus.
O presépio nos ensina que devemos ir a Deus por meio da Virgem Maria, pois Ela foi o meio pelo qual Cristo veio até nós. Foi Ela quem primeiro envolveu a sabedoria de Deus com panos, foi Ela quem ensinou o Verbo a falar, foi Ela quem alimentou o Menino Jesus. Enquanto o mundo dava as costas para o Salvador, Maria o servia.
Um Menino envolto em panos…
Claro que o Menino Jesus fora envolto em panos por pudor e para protegê-lo do frio, mas, antes de tudo, Ele foi envolto em panos porque “A glória de Deus consiste em encobrir a palavra; e a glória dos reis está em investigar o discurso” (Prov, 25, 2).
Aos sábios, cabe a interpretação, à Santa Igreja cabe ensinar. A palavra foi envolta em panos para que não fosse profanada por aqueles que se julgam sábios, os falsos pastores.

“Guardai-vos dos falsos profetas, que vêm a vós disfarçados em ovelhas, mas interiormente são lobos devoradores”. (São Mateus, 7, 15).

Só a Igreja Católica, única Igreja de Cristo, tem a verdadeira interpretação.
O presépio ensina tanto.
Ensina que três Reis visitaram o Menino Jesus.

 
Urna contendo as relíquias dos três reis magos

Guiados por uma estrela, os Reis foram adorar a Criança. Cada um levou consigo um presente: ouro, incenso e mirra.
São Tomas explica que os três reis e seus respectivos presentes representam todas as nações descendentes dos três filhos de Noé, que estavam sendo chamadas à fé.
Nesse sentido, diz Santo Agostinho:
“Toda a Igreja dos Gentios quis que esse dia fosse celebrado com a máxima devoção, pois, que são os Magos senão as primícias da gentilidade?”
O Papa são Leão Magno ensina que os Reis ao chegarem até o Menino, adoraram o Verbo na carne, a Sabedoria na infância, a Força na fraqueza, e o Senhor de majestade na realidade de um Homem. E, com o intuito de manifestarem sua fé a Cristo ofereceram incenso a Deus, mirra ao Homem e ouro ao Rei, manifestando, desse modo, a consciência da unidade entre a natureza divina e a natureza humana de Cristo, o Salvador.
Aprendemos muito ao olhar um presépio.
Aprendemos que devemos ir até a Igreja e nos prostrar diante de Jesus Cristo e adorá-Lo na Santa Hóstia.
Aprendemos que o Natal é a data em que comemoramos o Nascimento do Salvador, o início da Redenção do homem, a misericórdia infinita de Deus.
Aprendemos que devemos ir a Deus por meio de Maria.
Neste Natal, devemos ir até Belém, a Igreja Católica, e oferecer presentes para o Menino Jesus, oferecer nossos corações.
É tempo de se comemorar.
Um Menino nos nasceu, um Filho nos foi dado.
Montemos nossos presépios.
É Natal, o aniversário do Senhor.
Salve Maria!
Rafael Acácio.

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