“No livro católico ‘Amém? Cremos em tudo que professamos?’ (p. 130), encontrei uma frase interessante no comentário do autor sobre a reza ‘Salve-Rainha’: ‘O problema desta oração é a sua linguagem arcaica. Durante a oração encontramos palavras difíceis que não costumamos usar no dia a dia’” (pág. 59)
Devo agora desenvolver bem a questão, pois o livro “Amém? Cremos em tudo que professamos?” é de minha autoria.
O senhor tem razão quando diz que é “fraco o nível cultural de boa parte de nossa gente” (pág. 60) o que dificulta ainda mais a compreensão. Porém, tudo pode ser explicado, tudo pode ser ensinado e também tudo pode ser aprendido. Não é porque as palavras não são de uso habitual que as pessoas ficarão para sempre na ignorância. Ninguém nasce sabendo, mas no decorrer da vida vai aprendendo.
Apesar da linguagem arcaica da Salve-Rainha, esta é uma oração da devoção popular e o povo tem um grande prazer em rezá-la, pois sabe que, embora mesmo que muitas vezes não a compreenda completamente, confia na sua autora que é a Igreja de Nosso Senhor e sabe que ela tem a autoridade para ensinar a “diversidade da sabedoria de Deus” (Ef 3,10).
Não são pelas palavras mais fáceis ou mais difíceis que deveremos reconhecer o valor das coisas. Veja por exemplo a Bíblia. Para muitas pessoas a Bíblia não tem uma linguagem entendível. Dizem elas: “Esse negócio de ir ver um texto lá na frente, depois voltar cá atrás, versículos, capítulos, é muito complicado”. E tem mais: além de tratar de uma realidade muito diferente da de hoje, ela ainda traz palavras, gestos e costumes que também não estão no nosso uso diário.
O que pessoas menos esclarecidas entendem, por exemplo, quando lêem “excelentíssimo Teófilo” (Lc 1,3) ou a ordem: “Se um homem for pego em flagrante tendo relações sexuais com uma mulher casada, ambos serão mortos, tanto o homem quanto a mulher” (Dt 22,22). A própria Bíblia diz que ela é difícil: “Em todas as cartas de Paulo, ele fala disso. É verdade que nas cartas há alguns pontos difíceis de entender, que os ignorantes e vacilantes distorcem, como fazem com as demais Escrituras, para a sua própria perdição” (2ª Pe 3,16). E não é pela Bíblia ser difícil que devamos dizer que ela é inútil, dispensável.
Como a Bíblia, a oração da Salve-Rainha precisa ser explicada e não inutilizada.
“Pelo fato de os habitantes do Céu estarem unidos mais intimamente com Cristo, consolidam com mais firmeza na santidade toda a Igreja. Eles não deixam de interceder por nós ao Pai, apresentando os méritos que alcançaram na terra pelo único mediador de Deus e dos homens, Cristo Jesus. Por conseguinte, pela fraterna solicitude deles, nossa fraqueza recebe o mais valioso auxílio” (Catecismo da Igreja Católica, §956).
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