| 32 - LIBERDADE DA ESCOLHIDA | ![]() | ![]() |
| Por Carlos J. Magliano Neto | ||
“Com isso (o dogma da Imaculada) a igreja de Roma tira de Maria o direito de decidir, fazendo dela pouco mais que um robô; e ainda, a rebaixa a uma posição amoral”
(pág. 38)
Para entendermos melhor a questão da Imaculada Conceição de Maria, nos é necessário conhecer dois pontos:
1– “Não ter o pecado original”, é diferente de “não ter livre-arbítrio”.
2– Deus não traça um destino que fira a liberdade, mas sabe o que vai acontecer antes que tudo aconteça;
Vamos analisá-los calmamente:
1 – É um engano dizer que Maria não tendo o pecado original também não teve o livre-arbítrio, a liberdade de decisão. Note: Adão e Eva, os primeiros pais, não tinham o pecado original, foram criados sem mancha, e apesar de sua pureza tinham a liberdade de escolha e, por utilizar essa liberdade de maneira ruim, pecaram. Assim, Deus preservou Maria da mancha do pecado original, mas não lhe retirou a liberdade. Uma coisa não anula a outra. A liberdade de escolha de Maria fica clara na cena da Anunciação. Do mesmo modo como Maria disse: “Eis a escrava do Senhor” (Lc 1,38) ela também poderia ter dito: “Não quero isso, não. É muita responsabilidade para mim”. Maria é livre da mancha original e livre também para decidir sua vida. O que acontece é que Maria foi de tal maneira plasmada pela graça de Deus que ela entendeu que a verdadeira liberdade é servir a Deus integralmente e, por causa de seu conhecimento e de seu contato com Deus, não cabia em sua vida o pecado. Nesta Mulher (Maria), ao contrário da primeira mulher (Eva), se cumpriu toda a vontade de Deus e Ele a presenteou com “bens extraordinários e preciosos” tornando Maria participante “da natureza divina, depois de escapar da corrupção que o egoísmo provoca neste mundo” (2ª Pe 1,4).
2 – Não existe um destino traçado que tire a liberdade de alguém. A maior “semelhança” (Gn 1,26) que temos para com Deus é justamente o nosso poder de decidir sobre a nossa vida. Se existisse um destino traçado, impedido a liberdade, ninguém poderia ser culpado de nada. O ladrão seria ladrão porque Deus assim escreveu. O assassino seria assassino porque assim foi da vontade de Deus. Sendo assim, não seríamos imagem e semelhança de Deus, mas seríamos meros bonecos nas mãos do destino. Apesar disso, Deus já sabe de todas as atitudes que iremos tomar com nossa liberdade durante a nossa vida. Ele não escreveu, mas Ele já sabe o que, em nossa liberdade, vamos fazer. Um exemplo: Judas entregou Jesus às autoridades por trinta moedas de prata (cf. Mt 26,15). Deus não escreveu isso de maneira arbitrária ferindo a liberdade de Judas, mas Ele já sabia da atitude de Judas antes até do traidor nascer. No livro de Zacarias, escrito muitos anos antes, já se encontra a profecia: “E eles pesaram o meu salário: trinta moedas de prata” (Zc 11,12). Pus este exemplo para ser possível entender que o Senhor salvou Maria de seus pecados antes mesmo de acontecer o sacrifício da cruz, porque Ele já sabia que o sacrifício iria acontecer. Ele preservou Maria antes mesmo dela dizer o “sim” porque já sabia que Maria, na sua liberdade o diria.
“O divino artífice do universo queria preparar para seu Filho uma digna habitação, e por isso ornou a Maria com as mais encantadoras graças” (Beato Dionísio Cartuxo, Glórias de Maria, pág. 239).
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terça-feira, 18 de dezembro de 2012
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