Blog Alma Missionária

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terça-feira, 18 de dezembro de 2012

27 - INFALIBILIDADEImprimirEnviar via E-mail
Por Carlos J. Magliano Neto


Comentando sobre a incapacidade da Igreja errar em termos de Doutrina o senhor afirma:

 “Os papas acreditam efetivamente que suas determina-ções são como as determinações de Deus”             (pág. 34)
       
Não diria que as determinações papais são como as determina-ções de Deus, mas digo que elas são totalmente constituídas pelo carisma da Verdade divina. E assim, não só os papas acreditam nisso, mas todos os cristãos que pautam sua vida pela Palavra de Deus deveriam saber e acreditar também. As determinações papais em termos de fé e moral não possuem erros. Isso porque Jesus é categórico ao falar com Pedro, o primeiro líder do grupo apostólico: “Por isso eu lhe digo: você é Pedro, e sobre esta pedra construirei a MINHA IGREJA e o poder da morte nunca poderá vencê-la. Eu lhe darei AS CHAVES DO REINO DO CÉU, e O QUE VOCÊ LIGAR NA TERRA SERÁ LIGADO NO CÉU, E O QUE VOCÊ DESLIGAR NA TERRA SERÁ DESLIGADO NO CÉU” (Mt 15,18-19). Além de Jesus ter deixado uma Igreja que Ele chama no singular “minha Igreja”, dá a Pedro “as chaves do Reino do Céu”. Tranqüilamente eu digo que Jesus não fez tudo o que fez, ensinou tudo o que ensinou para deixar uma obra que tempos depois poderia fracassar. Não. Logicamente que Jesus desejou que sua mensagem chegasse intacta e sem erro a todos os cantos do mundo, em todos os tempos a partir de sua vinda. Por isso, Ele escolheu para a Missão “os que ele quis” (Mc 3,13-16) e a esses deu autoridade (cf. Jo 20,21-23). Assim, deu capacidade primeiro a Pedro (cf. Mt 16,19) e depois a todos os outros juntos (cf. Mt 18,18) de ensinar aquilo que era ensinamento de Deus (cf. Mt 10,40; Jo 13,20) sem mancha, sem erro. Estes, que possuíam a autoridade dada pessoalmente pelo Senhor, foram passando essa autoridade para outros (cf. At 6,3-6) a fim de que nunca se acabasse no mundo essa corrente de Poder, de Autoridade e de Verdade iniciada pelo Filho de Deus. Daí concluímos que a Igreja que Jesus chamou de minha, enquanto se pronuncia sobre fé e moral é incapaz de errar, pois foi com este selo de inerrância que Deus a marcou “por causa da verdade que permanece em nós e estará conosco para sempre” (2ª Jo 1,2), assim, como a Palavra de Deus é uma só, não podemos duvidar que o Senhor esteve e está acompanhando de perto essa Igreja (cf. Jo 14,18) e que tudo o que se decide e se conclui na união dos apóstolos é inspirado e confirmado pelo Espírito Santo (cf. At 15,28).

“Jesus disse: ‘Você é feliz, Simão, filho de Jonas, porque não foi um ser humano que lhe revelou isso, mas o meu Pai que está no céu’” (Mt 16,17). Certamente Pedro foi feliz porque recebeu do Senhor tão nobre tesouro: falar das coisas de Deus não com sua capacidade humana imperfeita, mas com sabedoria revelada pelo Pai que está no céu: este é o dom de infalibilidade.

Errar em questões pessoais e assuntos que não se referem à fé e à moral, o Santo Padre e os Bispos podem errar como errou também Pedro (cf. Gl 1,11-14); são humanos. Mas até aí, nos erros, a graça se Deus se destaca demonstrando o quanto Ele acompanha a sua Igreja:

“... graças a Deus nós temos percebido isso ao longo dos séculos. Sempre ao lado do pecado, sobressaiu o mistério da santidade, a beleza da santidade, através de homens e mulheres que por uma vida de fidelidade absoluta, de uma busca incansável de Deus, semearam o ideal da santidade evangélica no chão da História” (D. Fr. Alano Maria Pena, O.P., Arcebispo-eleito de Niterói-RJ no “Programa Na Fé Católica” em 22 de agosto de 2003).

Esse dom da infalibilidade dado a Pedro e seus sucessores, na verdade nada tem de novo. Os redatores da Bíblia também receberam de Deus esse carisma, visto que tudo o que eles escreveram, pela graça de Deus, não possui erro de Doutrina (cf. 2ª Pe 1,20-21). E como o Senhor cooperou para que a Bíblia tivesse uma palavra inerrante, quis também que a sua Igreja a tivesse. Fato: em 2000 anos de Igreja Católica, 21 Concílios Ecumênicos e 264 papas, a Doutrina foi amadurecida, mas nunca alterada ou corrigida. Nunca um Concílio anulou ou corrigiu outro Concílio em termos de Doutrina. Nunca um Papa desdisse outro Papa em pontos de fé e moral. Perdoe-me, mas eu não consigo ver uma instituição assim, tão grande e tão una, como uma obra que não seja de Deus. Por isso temos a certeza que tudo o que a Igreja declara como Verdade de Fé, é para ser acreditado sem sombra de dúvida.

É o mesmo que os protestantes fazem: vocês também acreditam na verdade de fé declarada pelo líder de vocês. A diferença está apenas em que no nosso caso, temos o respaldo bíblico das palavras de Jesus sobre o primeiro líder que se estende a todos os outros nessa corrente apostólica ininterrupta bimilenária.

“Considerar-se-á, antes de tudo, a autoridade da Igreja universal e dos outros espíritos mais doutos que brilham nas controvérsias e escritos quando se trata da Verdade da Igreja” (Santo Agostinho, Doutor da Igreja, Na Escola dos Santos Doutores, 175).

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