Blog Alma Missionária

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sexta-feira, 15 de novembro de 2013

Apologética
A Teologia dos Dualistas
Fonte: Jovens na Fé
Autor: Fábio Ramos
Transmissão: Dalila e Xisto
A TEOLOGIA DOS DUALISTAS

Niebuhr, Richard Cristo e Cultura.

As tentativas de sintetizar Cristo e cultura sempre foram atacadas no decorrer da história. Estes ataques partem dos grupos: Radicais, culturais, sinteticistas e os dualistas, estes sim são os maiores opositores.

1 - Para os dualistas a questão fundamental da vida não é a que os cristãos radicais enfrentam quando traçam uma linha divisória entre a comunidade cristã e o mundo pagão, nem é também a do cristianismo cultural quê vê o
homem em conflito com a natureza. Difere também do sinteticista que vê o mundo pacífico em desenvolvimento. A grande questão para ele é o conflito entre Deus e o homem, ou seja, entre Deus e nós.

2 - Os dualistas diferem dos sinteticistas em sua compreensão tanto da extensão como da inteireza da depravação humana. A razão do homem pode estar obscurecida, mas não está desorientada em sua natureza. A cura do mau
exercício da razão está em um melhor exercício da mesma e na ajuda de Deus. A cultura religiosa do homem, em sua forma cristã, devem ser a cultura da Igreja, pois esta sim está longe da corrupção pecaminosa, apesar dos seus
problemas. (É o que pensava Clemente, Tomás e seus associados)

3 - Mas existe o dualista que vai afirmar que não é solução o exercício correto da razão, pois ele discerne corrupção e degradação em toda obra do homem, como, por exemplo, pensava Lutero. Não há diferença na sabedoria do filósofo e a estultícia do tolo, entre o crime do assassino e a pena imposta pelo juiz. O dualista diz que não há diferença alguma entre estas coisas, pois diante da santidade de Deus não há diferenças significativas. A cultura humana é completamente corrupta e não há nela nenhuma obra boa, não são apenas as realizações humanas fora da Igreja que são corrompidas, mas até as que são de dentro dela, não é só a filosofia, mas também a teologia, não apenas o apego dos judeus pela lei, mas também a defesa dos preceitos cristãos
4 - A concepção da corrupção da cultura pelos dualistas difere da visão do sinteticista, eles partilham do mesmo senso religioso do pecado que não pode ser traduzido em termos morais e intelectuais, a diferença entre eles nesse
ponto será o sentimento mais profundo a sordidez de tudo que é criatura, de tudo que é humano e terreno, quando na presença do santo. (ex. Senhor sabemos que somos como lixo diante de ti! Somos completamente maus e em nós não há mérito algum, mas tão somente pela tua bondade!...) O senso de sordidez e vergonha, de impureza, de poluição, é o acompanhamento afetivo de um julgamento moral objetivo sobre a natureza do eu e sua sociedade. Toda a ação humana e cultura estão infeccionadas pela impiedade, Que é a essência do pecado. E isso surge com o desejo do homem de viver sem Deus, de ser sua própria fonte do viver, de viver como se não tivesse dívida, de ser independente. Essa impiedade se mostra de diversas formas, ex.: Complacência dos homens moralmente justificantes, os que julgam-se autênticos, os que afirmam ser tudo vaidade. Se manifesta também no ateísmo, na piedade dos que conscientemente levam Deus aonde quer que vão, em atos desesperados de paixão pelos quais os
homens se afirmam contra a lei social, o desejo de ser independente da graça de Deus. O dualista gosta de mostrar que à vontade de viver como deuses, surge nos mais elevados empenhos dos homens, isto é nos mais nobres, de acordo com os padrões humanos.

5 - O sinteticista se alegra com o conteúdo racional da lei e das instituições sociais, O dualista cético tal como um sofista ou positivista chama a atenção para a cobiça do poder e para a vontade do forte, que
incidem em racionalizações nos arranjos da sociedade. Não importa as defesas que os sinteticistas façam dos elementos racionais da cultura, o dualista sempre verá que a razão nos feitos humanos não os isentará da perversão e impiedade que contaminam toda a cultura.

6 - A posição dualista não pode levar a outro modo de falar a não ser o paradoxal, pois ele se vê ao lado do homem no encontro com deus, não apenas o seu discurso é paradoxal, mas sua conduta. Ex.: Ele está sob a lei, mas
está sob a graça, ele é pecador, mas também é justo, ele crê como alguém que duvida, mas tem certeza da salvação, mas vive na insegurança.



O TEMA DO DUALISMO EM PAULO E MARCIÃO

7 - A questão da vida, como Paulo a vê, paira entre a retidão de Deus e a retidão do homem, ou entre a bondade com que Deus é bom e deseja transformar em bons os homens, por um lado, e o tipo de bondade independente que o homem procura Ter em si mesmo. Em duplo sentido, o encontro com Deus em Cristo tinha tornado relativas todas as instituições e distinções culturais e todas as obras dos homens. Todas essas obras foram colocadas sob o pecado. Paulo afirma que os que praticam as obras da carne não herdarão o Reino dos Céus, mas também afirma que ninguém podia se aproximar do Reino de Deus pela mudança de hábitos sociais, porém acrescenta na pregação do evangelho uma nova ética de vida cristã cultural. Esta ética tinha de ser vivida em meio a
poderes das trevas e era uma ética em parte de cultura cristã e por outro lado também uma ética para relações interculturais. Na medida que esta ética se voltava para relações dos cristãos e suas igrejas com as instituições
sociais não cristãs, as suas prescrições eram diversas. As autoridades políticas eram reconhecidas como divinamente estabelecidas e deveriam ser respeitadas por todos os cristãos. Desta forma Paulo parece apresentar uma resposta sinteticista para o problema Cristo e Cultura, porém a forma como Paulo relaciona a ética do
Espírito de Cristo e diferente da qual Clemente e Tomás procediam de uma para a outra. Os sinteticistas vão da cultura a Cristo, ou do Cristo que instrui ao Cristo remidor, enquanto Paulo se move do Cristo Juiz da Cultura e o redentor na direção da cultura Cristã. Ao invés de duas éticas para dois estágios no caminho da vida, ou para dois tipos de cristãos, o imaturo e o maduro, as duas éticas de Paulo se referem às tendências contraditórias na
vida. Uma é a ética da regeneração e vida eterna e outra é a ética que visa evitar a degeneração. Neste sentido, Paulo é um dualista, as duas éticas não são contraditórias, mas não fazem parte de um sistema que as ligue
intimamente. O dualismo de Paulo não está ligado apenas à sua visão da vida cristã como sendo vivida no
tempo da luta final e do novo nascimento, mas também à sua crença de que toda a vida cultural, juntamente com seus fundamentos naturais é tão sujeita ao pecado e a ira que o triunfo de Cristo deve envolver o fim temporal de
toda a criação temporal, bem como da cultura temporal. No segundo século a resposta dualística à questão Cristo e Cultura foi de forma incorreta oferecida por Márcio, no seu desejo de livrar o cristianismo dos resquícios
de judaísmo cometeu muitos erros e usou elementos gnósticos em sua teologia. Pode ser considerado um cristão radical, pois fundou uma seita separada da Igreja completamente ascética. Embora fosse uma espécie de maniqueísta, que distinguia dois princípios de realidade e dividia o mundo entre Deus e o poder do mal, antes de tudo ele era um paulinista. Para ele o evangelho da graça era motivo de êxtase, algo incomparável, porém havia duas coisas que Márcio não conseguia de forma alguma por em sintonia, uma destas era o papel do Velho Testamento, como guardião da justiça, e a outra era a vida real do homem neste mundo físico. Márcio via este mundo como um mundo estúpido e mau. A vida em Cristo e em seu Espírito, a benção da misericórdia em resposta a misericórdia, pertenciam a uma esfera completamente diferente. Márcio descobriu sua resposta na crença de que os homens estavam tratando com dois deuses: o justo, mas grosseiro e limitado, que fez o mundo com matéria má e o Deus bondoso, o Pai, que por meio de Cristo salvou o mundo. Ele reconheceu duas moralidades: a ética da justiça e a ética do amor. Não se pode apesar disto afirmar que Márcio foi dualista, porém deve-se afirmar que ele foi um
cristão exclusivista. Os cristãos marcionistas se esforçaram para viver não somente possível fora do mundo do pecado, ms tanto quanto possível fora do mundo da natureza.


O DUALISMO EM LUTERO E NOS TEMPOS MODERNOS

8 - Podemos perceber de forma mais forte o dualismo em Lutero, em suas duas obras mais conhecidas, que são os tratados sobre a liberdade cristã e o apoio aos assassinos dos camponeses, o temperamento de Lutero deve ser
considerado, porém ele arcava com a responsabilidade de toda uma sociedade nacional em tempo de tumultos, mas existe uma grande diferença entre a palavra de fé que opera em amor e sofrendo para serviço do próximo, para a
palavra de apoio aos governantes que dizia "apunhalar, esmagar tantos quanto puderem". A dualidade que é tão evidente na justaposição destas declarações surge em Lutero em muitos outros pontos, embora nem sempre tão
incisivamente. Ele parece Ter dupla atitude para com a razão e a filosofia, para com as organizações e para os ritos religiosos, bem para como estado e a política. Estes paradoxos tem sugerido que Lutero tenha dividido a vida em
dois compartimentos, ou ensinou que a mão direita cristã não deveria ver o que a mão esquerda mundana fazia.
Lutero faz distinções entre vida temporal e espiritual, entre o que é exterior e interior, entre corpo e alma, entre reino de Cristo e o mundo da cultura e obras humanas. Quando escreveu contra os camponeses ele escreveu:
"Há dois reinos, um Reino de Deus, outro reino do mundo...O de Deus o Reino da graça e misericórdia...mas o do mundo é um de ira e severidade" Apesar disso Lutero não divide a vida em Cristo e a vida na cultura, A base do
pensamento de Lutero e de sua carreira como reformador da moralidade cristã foi lançada quando ele chegou à convicção de que se requeria do homem no evangelho era requerido absolutamente por um Senhor absoluto. Cristo trata dos problemas fundamentais da vida moral e purifica as fontes de ação, mas pelo mesmo sinal Ele não governa diretamente as ações externas nem constrói a comunidade imediata em que o homem desenvolve a sua obra, esta é à base do dualismo de Lutero. Mas do que qualquer outro líder, Lutero afirmou a vida na cultura como esfera em que Cristo podia ser seguido e Lutero também entendia que as regras a serem seguidas na vida cultural eram independentes da lei cristã ou eclesiástica. Conclui-se que o dualismo na resposta luterana do problema Cristo e cultura foi o dualismo do "como" e do "que" da conduta. De Cristo recebemos o conhecimento e a liberdade para fazermos com fidelidade e amor o que a cultura nos ensina. No cristianismo moderno também surge o dualismo, mas muitas de sus expressões parecem débeis e abstratas. Kierkegaard estabelece o caráter dual da vida cristã, a vida cristã para ele tem o aspecto duplo de uma intensa relação do interior com o exterior, com os outros homens e as coisas. O dualismo com que ele luta é o do finito e infinito e isso caracteriza todos os seus escritos, ele se acerca do problema Cristo e cultura, mas não se envolve fortemente no mesmo. Seu debate não envolve os outros, pois é fechado nele mesmo, parece que ele não quer ser cristão, mas sim um tipo de Cristo. Em seu isolamento como "indivíduo" ele analisa bem o caráter do amor cristão, mas está apenas preocupado com a referida virtude do que com os seres que devem ser amados. Para ele o homem espiritual é o homem capaz de suportar o isolamento e ele usa a capacidade de suportar o isolamento para classificar o grau de espiritualidade do homem. Kierkegaard afiram que o relacionamento entre Deus e o homem deve ser vertical, o homem deve amar a Deus e odiar a si mesmo e também aos outros. Para ele os estado, a família, a Igreja tratam-se apenas de um desserviço a Cristo. Na verdade Kierkegaard está protestando como um cristão na cultura do século dezenove, contra a cultura cristianizada dos seus dias. A resposta dualística tem sido aceita pelos que defendem a separação do estado da Igreja, economistas que lutam pela autonomia da vida econômica, pelos sinteticistas e pelos cristãos culturais.

O dualismo pode ser o refúgio de pessoas de mentes que desejam prestar uma ligeira reverência a Cristo, ou
dos piedosos que sentem que devem algum favor a cultura ou ainda de homens de econômico que querem lucrar sem precisar lembrar dos pobres que herdarão o reino, estes professam o dualismo de conveniência.


AS VIRTUDES E VÍCIOS DO DUALISMO




Os dualistas, mais do que qualquer outro grupo leva a sério o caráter dinâmico de Deus, do homem, da graça e do pecado. Ele anuncia a ética da ação; Da ação de Deus, do homem e dos poderes maus, Tais éticas não devem
consistir de leis e virtudes admiravelmente organizadas em oposição aos vícios, mas pode ser sugerida e esboçada, pois de fato, a ação viva só pode ser sugerida e indicada. É uma ética de liberdade, não no sentido da lei,
mas no sentido da ação criativa, em resposta a ação sobre o homem. Com a sua compreensão da natureza dinâmica da existência, os dualistas têm feito uma contribuição grande e única ao conhecimento cristão e a ação cristã. Eles
põem de lado toda a análise superficial da inclinação humana para o vício, e têm tentado focalizar as raízes profundas da depravação do homem. Mas o dualismo também esta cercado de vícios; e para este ponto outros grupos no cristianismo continuam a chamar a atenção: O dualismo tende a levar os cristãos a um antinomismo e um conservantismo cultural. Realmente o dualista não pretende incentivar um comportamento sublegal e subcultural, por saber de uma vida supralegal e discernir o pecado da cultura, mas o conservantismo parece estar ligado à posição dualista. Se ele contribui para a mudança social, o faz sem intenção e com assistência de outros grupos. O dualismo tem uma tendência de relacionar temporalidade ou finitude com o pecado, tanto Lutero quanto Paulo fizeram isso, colocaram a criação e a queda dentro de uma relação de proximidade muito estreita, e com isso não fizeram justiça a obra criativa de Deus. A idéia de Paulo da criação é usada apenas para reforçar o seu
princípio da condenação de todos os homens por causa do pecado. Para Lutero, a ira de Deus se manifesta não apenas contra o pecado, mas contra todo o mundo temporal. Isso fará com que eles tenham uma expectativa imensa pela vida nova em Cristo, mediante a morte do eu, mas também uma ansiedade pela morte do corpo e pelo fim da ordem temporal. Por isso, por mais importantes que sejam os deveres sociais dos cristãos, eles não são de suma importância, pois a vida não está neles, a felicidade e a vida está escondida no céu.
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