3º Dia De Meditação Da Paixão De Cristo – O BEIJO DE JUDAS
3º dia de meditação da Paixão de Cristo – O BEIJO DE JUDAS
3 – O BEIJO DE JUDAS
Judas sabia que o Senhor permaneceria naquela noite em Jerusalém, pois era tarde para voltar a Betânia, como fizera nos dias anteriores.
Após chegar a um acordo com os judeus para entregar-lhes o Senhor, manteve-se oculto e à espreita. Seguiu depois os passos da pequena comitiva até que esta se internou no horto. Era lugar conhecido por ele, pois Jesus se reunia ali frequentemente com os seus discípulos (Jo). Saiu imediatamente em busca dos que iriam prender o Mestre. Tudo tinha sido minuciosamente preparado. São Marcos diz que Judas se apresentou acompanhado de uma multidão munida de espadas e varapaus e que ia da parte dospríncipes dos sacerdotes, dos escribas e dos anciãos. Jesus estava ainda falando com os seus discípulos quando o traidor apareceu à frente desse grupo armado.
Avançou para o Mestre e beijou-O: era o sinal combinado com os que haviam de prendê-Lo. Enquanto O beijava, cumprimentou-O: Salve, Rabi. Jesus estremeceu e respondeu-lhe com imensa pena: Amigo, a que vieste? Como é possível que facas isto comigo?
Parece-nos impossível que o homem que olhara tantas vezes para Cristo, que convivera tanto com Ele, pudesse ser capaz de entregá-Lo. Porque Judas presenciara muitos milagres, experimentara a bondade do coração de Jesus, sentira-se atraído pela sua palavra e, sobretudo, fora tratado com predileção por Ele: tinha chegado a ser um dos Doze mais íntimos! Talvez ele mesmo tivesse realizado algum milagre naqueles anos de lealdade ao Mestre.
Ser entregue por um dos seus foi especialmente doloroso para Jesus. Esse beijo foi o primeiro golpe, duríssimo, com que se iniciava a sua Paixão. Jesus sentiu imediatamente como que uma queimadura no rosto.
Em alguns lugares do México, existem Cristos de talha, cobertos de feridas, que mostram na face uma chaga especialmente profunda, cheia de sangue, a que chamam o beijo de Judas. É o beijo traidor do amigo, as negações dos que somos mais íntimos… Então haverão de perguntar-lhe: Que feridas são essas…? E Ele responderá: São as que recebi na casa dos meus amigos (Zac 13,6.).
Pensemos também nós, na intimidade da oração, em como o beijo de Judas, esse beijo que queimou o rosto do Senhor, foi tantas vezes o nosso. Esta consideração ajudar-nos-á a desagravar, a fazer-nos ver o peso e o terrível alcance dos nossos erros. Todo o pecado está íntima e misteriosamente relacionado com os sofrimentos de Cristo, numa relação estrita de causa e efeito.
Esta cena da Paixão do Senhor é, de um outro ponto de vista, um apelo à esperança, já que “depois de ver de quantas maneiras mostrou Deus a sua misericórdia para com Judas, que de apóstolo passou a traidor, de ver com frequência o convidou a deixar-se perdoar, e não permitiu que perecesse senão porque ele mesmo quis desesperar, não há razão alguma nesta vida para que ninguém, mesmo que seja como Judas, deva desesperar do perdão.
“Seguindo o santo conselho do Apóstolo: Rezai uns pelos outros para serdes salvo (Ti 5,16), se vemos que alguém se desvia do caminho reto, esperemos que algum dia voltará a ele, e entretanto rezemos sem cessar para que Deus lhe ofereça ocasiões de cair em si, para que com a sua ajuda as receba e, uma vez recebidas, não as deixe passar por malícia nem por culpa da sua miserável preguiça”(Thomas More, La Agonia de cristo, in loc.). Talvez se trate de um amigo, de um irmão, de um filho, do nosso pai… Todos podem e devem voltar. O Senhor os espera e prepara as graças necessárias. Talvez só falte a nossa colaboração decidida: uma oração mais intensa e perseverante, um exemplo que arraste, um maior espírito de sacrifício…Rezai uns pelos outros…
O Senhor não abandona os seus, nem mesmo quando estes O abandonam ou atraiçoam. Tudo tem remédio. Mas é necessário voltarmos a Ele com o coração humilde e contrito, dispostos a recomeçar, ainda que seja do patamar mais baixo da miséria humana. Jesus receber-nos-á sempre com uma palavra amigável, perdoará e esquecerá. E nós, se por acaso O tivermos deixado num instante de loucura ou por um longo período de ofuscamento, tornaremos a estar junto dEle, muito mais perto do que antes, porque seremos mais conscientes da nossa fraqueza e da necessidade que temos da sua ajuda.
Não demos ninguém como irrecuperável, mesmos ainda a nós mesmos, que somos os íntimos do Senhor, por mais que nos pareça ter-Lhe dado definitivamente as costas. Podemos e devemos voltar. O Senhor espera-nos, e nós contamos com as graças necessárias para regressar à casa do Pai. Não percamos nunca a esperança. Deus pode mais, infinitamente mais. Ele veio ao mundo para salvar e recordou-nos que não os de boa saúde que precisam de médico, mas os doentes. Precisam mais quanto mais grave é a doença. Ninguém está irremediavelmente perdido. (fonte: “A Cruz de Cristo”- Francisco Fernandez-Carvajal – Ed. Quadrante)

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