Blog Alma Missionária

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domingo, 17 de fevereiro de 2013


2º Dia De Meditação Da Paixão De Cristo – COMO GOTAS DE SANGUE

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2 – COMO GOTAS DE SANGUE
     Jesus, a própria inocência e santidade, carregou com os pecados de todos os homens. A Ele, que não conheceu o pecado, Deus o fez pecado por nós (2 Cor 5,21), ensina São Paulo numa frase concisa e terrível. Assumiu como se fossem seus os horrores e os erros de cada homem, de cada mulher, eofereceu-se para pagar pessoalmente por essas dívidasTodas: as devidas pelos pecados já cometidos, pelos pecados que se cometiam naqueles momentos, e pelos crimes e faltas que se cometeriam até o fim dos séculosVerdadeiramente, foi Ele quem suportou os nossos sofrimentos e carregou com as nossas dores… Pelas nossas iniquidades é que foi trespassado, pelos nossos pecados é que foi torturado. O castigo que nos trouxe a paz caiu sobre Ele, e por suas chagas fomos curados (Is 53, 4-5).
Na sua sabedoria divina, Jesus no Horto contemplou com especial clareza tudo o que Lhe oprimia a alma:a rejeição da sua Pessoa e da sua doutrina pelo povo eleito; a presença, já próxima de Judas; a fraqueza de Simão, que Ele tinha escolhido como rocha da sua Igreja; a deserção dos seus discípulos; os incontáveis pecados dos homens e mulheres de cada geração; o desprezo e a indiferença com que muitos olhariam o seu sacrifício e a Sagrada Eucaristia que acabava de instituir num arrebatamento de amor; a resistência à graça de tantos e tantos…”Pesares e sofrimentos se revolviam como um turbilhão tempestuoso no seu Coração amabilíssimo e o inundavam como as águas do oceano irrompem sem piedade através dos diques destruídos” (São Thomas More, La Agonia de Cristo, Rialp, Madrid,1988,in loc). Deus Pai não pôs limites à dor do Filho (Não esqueçamos que o Pai, o Filho e o Espírito Santo são um só Deus, é o Amor de Deus que resolve assumir, na Humanidade Santíssima de Cristo, Deus e homem verdadeiro, todas as consequências do pecado original e dos pecados pessoais dos homens – dor, solidão, morte…-, e transformá-las, pela humildade e obediência amorosa, em cura e em meio de salvação da humanidade).
   Nós não podemos compreender por completo esse sofrimento e essa agonia de Jesus porque não conhecemos bem nem a essência do pecado nem a santidade de Cristo. É como se a sua divindade estivesse aqui completamente oculta. O próprio São Lucas nos diz que entrando em agonia, Jesus orava com mais intensidade. Foi tal o esforço da vontade humana de Cristo em aceitar o cálice da Paixão que Lhe sobreveio um suor como de gotas de sangue que caíam até o chão (Lc 22,44).   A violência da agonia teve esse efeito sobre o corpo – um suor de sangue que deve ter sido tão copioso que se traduziu em gotas que caíam até o chão.
Esta passagem acha-se suprimida em alguns manuscritos antigos. Houve alguns que, na sua luta contra os hereges, tiveram receio de apresentar uma figura demasiado humana de Jesus. Obrigado,Senhor, porque pudemos te conhecer assim! Tão fraco! Como estás próximo da nossa debilidade!
A natureza humana do Senhor mostra-se aqui em toda a sua capacidade de sofrimento. E este foi tão intenso que ultrapassou de longe os limites da capacidade natural do homem. Foi tal o seu desfalecimento que Deus Pai teve que enviar um Anjo do céu para confortá-Lo (Lc 22,43).
   O Senhor aceitou essa consolação. Aquele que manda sobre o mar e os ventos, e estes Lhe obedecem, Aquele que tem poder sobre a morte quer, no entanto, enquanto homem, receber consolo e a ajuda que Lhe pode dar uma criatura. Dá-nos exemplo, para que nós saibamos admitir o auxílio ou o conselho de outras pessoas nos momentos difíceis.
Quantas vezes estamos cegos, envoltos nas trevas do orgulho, das seduções da infidelidade, das miragens da autonomia sem Deus, da loucura das “leis do coração” que querem saltar por cima do senso do dever e do compromisso! Tudo isso, e muito mais, faz-nos pressentir que a solução não pode estar diante dos nossos próprios olhos: um olho, que enxerga objetos a quilômetros de distância, não é capaz de enxergar o outro olho, que tem ao lado. Deixar-nos esclarecer, apaziguar, para recuperar o rumo e as forcas, é o que Deus nos oferece sempre para nos tirar da obnubilação e da angústia, quando nos dispomos a orar de verdade, de joelhos por terra, em oração de sangue, sem olhar com desconfiança o seu Anjo – um homem de Deus, uma criatura que, no entanto, é o seu enviado.
Não esqueçamos que o senhor padeceu por cada um de nós como se fôssemos o único homem, a única mulher, sobre a terra. São Paulo afirma de modo contundente: Jesus Cristo amou-me e entregou-se a si mesmo por mim (Gal 2,20)Essas gotas de sangue que caem do corpo do Senhor até o chão foram devidas à agonia que Lhe produziram as nossas negações, as nossas auto-suficiências. Quanto temos de agradecer-Lhe tanto sacrifício, tanta dor, com o fim de ganhar a nossa fidelidade para sempre!
   Além de procurarmos quem nos possa aconselhar em nome de Deus nos momentos de dificuldade ou de crise, temos muitas outras formas de agradecer ao Senhor pelo muito que fez por nós. Hoje pode ser-Lhe especialmente grato o propósito de nos confessarmos com frequência e cuidarmos com amor de cada confissão: o exame de consciência, a dor dos pecados, a sinceridade plena à hora de confessá-los, o propósito firme de não voltar ao vomitado (cfr. 2 Pe 2,22), de seguir à risca e com toda a confiança os conselhos do sacerdote…Lembremo-nos de que neste sacramento nos são aplicadas, de modopessoal, as graças que Cristo nos alcançou com o seu sofrimento.
   A confissão foi o grande presente de Páscoa que Cristo fez à sua Igreja: Recebei o Espírito Santo – disse Ele aos Apóstolos no próprio dia da Ressurreição -; a quem perdoardes os pecados, ser-lhes-ão perdoados…(Jo 20,19 e segs). Neste sacramento, é-nos aplicada eficazmente a Redenção. Nele se curam as feridas, se rejuvenesce o que já estava gasto e envelhecido pelo pecado e se remedeiam todos os extravios, grande e pequenos.
Além disso, o Senhor quis pôr este remédio ao alcance da mão, pois para recebê-lo “não é necessário atravessar o grande mar, nem empreender uma longa viagem, nem subir a montes muito altos, nem gastar dinheiro, nem extenuar o corpo”(São João Crisóstomo, homilias sobre São Mateus, 19,8). Basta-nos ser humildes, arrepender-nos, procurar o sacerdote que em nome de Jesus Cristo apaga as nossas faltas e pecados e nos devolve a Vida.
No sacramento da Confissão, encontramo-nos com Jesus Cristo, que se “reanima”ao ver como são eficazes em nós as suas dores e angústias. Cada vez que nos confessamos com humildade e sinceridade, alegramos o seu Coração. E Ele, por sua vez, nos enche de alegria e de amor. .(fonte: “A Cruz de Cristo” – Francisco Fernandez-Carvajal)

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