Blog Alma Missionária

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sábado, 16 de fevereiro de 2013


1º Dia De Meditação Da Paixão De Cristo – FAÇA-SE COMO TU QUERES

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1- FAÇA-SE COMO TU QUERES
    Depois da ceia pascal, Jesus saiu com os seus discípulos em direção ao monte chamado das Oliveiras,do outro lado da torrente do Cedron, onde havia um horto (Jo). Chamava-se Getsêmani, e encontrava-se ao pé do monte, em frente do templo. Tinha já anoitecido quando chegaram.
Jesus avançou por entre as oliveiras acompanhado apenas por Pedro, Tiago e João, os três que tinham presenciado a glória da sua transfiguração no monte Tabor. Depois de adentrarem um pouco pelo horto, disse-lhes: A minha alma está triste até a morte(Mt 26,38); invade-O uma tristeza capaz de causar a morte.Ficai aqui e velai comigo, pede-lhes. Não quer que os seus discípulos mais íntimos desanimem e se abatam ao contemplarem tanta agonia e fraqueza.
Deixou então esses três, arrancou-se deles, parece dizer o texto, e afastou-se à distancia de um tiro de pedra(Lc 22,41), cerca de trinta metros. Jesus sente uma imensa necessidade de falar ao Pai, e experimenta interiormente o que qualquer homem sentiria nesses momentos: medo, solidão, tristeza, angústia…Prostrou-se com a face por terra, como quem não pode ter-se em pé. São Marcos diz-nos que, logo que os deixou, começou a sentir pavor e a angustiar-se.
   Parecia abandonado por todos. Depois de um tempo, voltou para onde estavam os três discípulos e achou-os dormindo. Por três vezes aconteceu o mesmo (Mt, Mc). Quando mais precisava, esses seus íntimos, os únicos a quem Ele fortalecera no monte Tabor com a visão da sua figura resplandecente de Filho unigênito do Pai, os mesmos que então tinham querido prolongar aqueles instantes de glorificação, agora faltam-Lhe com o apoio do seu calor e da sua vigilância.
    Jesus dirige-se confiadamente ao Pai. Na sua oração, manifesta o desejo de fazer-Lhe a vontade e quanto Lhe custa aceitá-laMeu Pai, se não é possível que este cálice passe sem que eu o beba, faça-se a tua vontade(Mt). Tem diante dEle a morte, o desprezo, a traição, a dor física. Mas sobretudo encontra-se só diante de todos os pecados do mundo: mentiras, delitos, impurezas, roubos, sacrilégios, deserções, esquecimentos, blasfêmias, imprudências, vícios, falsidades, desatinos, cumplicidades…Isso é o que verdadeiramente Lhe pesa e O esmaga.
Poderia pensar-se que Jesus sofre e expia a pena dos pecados, mas permanecendo intacto, longe dessa escória; mas a relação entre o Senhor e o pecado é real e imediata. Os pecados, de certo modo, estão sobre Ele, carrega-os sobre suas costas: Subiu ao madeiro, carregando os nossos pecados no seu corpo (1 Pe 2,24). Que fardo de miséria – da nossa miséria, das minhas misérias – lançou sobre os seus ombros!
É possível que, no meio daquela tristeza, tenha podido contemplar os frutos do seu sacrifício: a fidelidade de tantos discípulos através dos tempos, as conversões, os recomeços depois de uma queda, os atos heróicos de tantos homens e mulheres, a entrega incondicional de muitos que viriam mais tarde…e sobretudo a alegria de Seu Pai ao ser chamado assim Pai, por tantos que chegariam a ser filhos no Filho, seus irmãos. Talvez todos esses frutos da sua dor tenham ajudado a sua santa Humanidade a repetir uma vez e outra; Faça-se a Tua vontade. Tempos atrás, tinha dito aos seus discípulos: Não hei de beber o cálice que meu Pai me ofereceu? (Jô). Agora tinha chegado a hora.
Esta oração de Jesus é uma lição perfeita de abandono nas mãos de Deus, uma lição para nós que somos tão fracos e a quem nos custa tanto aceitar a dor e os contratempos da vida. Se o caminho se torna mais empinado e nos parece excessivamente duro para as nossas forças, procuremos nesta cena de Getsêmani a coragem e a serenidade que nos faltam. Ao longo da vida, podemos deparar com momentos de luta mais intensa, talvez de trevas e de dor profunda, com fortes tentações de desalento, em que nos custe compreender e aceitar a vontade de DEUS. A imagem de Jesus no Horto das Oliveiras diz-nos como devemos proceder nessas circunstâncias: abraçar o querer Divino sem por limites nem condições, identificar-nos com esse querer, sempre amoroso, por meio de uma oração confiada e perseverante, como a dEle: Senhor, não se faça a minha vontade
“Jesus ora nos horto: Pater mi (Mt 26,39), meu Pai, Abba Pater! (Mc 14,36), Abba, Pai! Deus é meu Pai, ainda que me envie sofrimento. Ama-me com ternura, mesmo que me fira. Jesus sofre para cumprir a Vontade do Pai… E eu, que quero também a Santíssima Vontade de Deus, seguindo os passos do Mestre, poderei queixar-me se encontro por companheiro de caminho o sofrimento?
Será esse um sinal certo da minha filiação, porque Deus me trata como ao Seu Divino Filho. E então, como Ele, poderei gemer e chorar a sós no meu Getsêmani. Mas prostrado por terra reconhecendo meu nada subirá até o Senhor um grito saído do íntimo de minha alma: Pater mi, abba, Pater…,Fiat! Faça-se!”(Via sacra, estação I, n.1)
   Nesses momentos difíceis – o nosso Getsêmani – procuremos também refúgio e fortaleza em Santa Maria:”Minha Mãe e Senhora, ensina-me a pronunciar um sim que, como o teu, se identifique com o clamor de Jesus perante Seu Pai: Non mea voluntas…(Lc 22,42): não se faça a minha vontade, mas a de Deus”(Ibidem estação IV, n.1)
   E então, cheios de paz, poderemos dizer do mais fundo do nosso coração: “Jesus, o que tu quiseres…eu o amo”( Josemaria escrivã, Caminho, 9ª ed. Quadrante, São Paulo,1999n.773). Tudo… sem limites. Não esqueçamos que o Senhor deseja mais do que ninguém a nossa felicidade, ainda que para isso tenhamos de passar pela dor, pelo sacrifício e pela abnegação. Paradoxalmente, aceitação da vontade de Deus está cheia de alegria, mesmo nesses momentos. A vida dos santos, que levaram a cabo o querer divino com toda a felicidade, transborda de alegria interior e de paz, muitas vezes no meio de grandes tribulações.
Nós, se seguimos Cristo de perto, experimentaremos do mesmo modo como essa alegria profunda – que nada tem a ver com a alegria fisiológica, de animal são(Cfr. Caminho, n.659) – também nos acompanha muito de perto na dor física, no cansaço e no tédio, no fracasso e nas decepções…, se aprendermos a amar, se permanecermos acordados, com sentido corredentor, junto de Jesus que sofre.(fonte: “A Cruz de Cristo” – Francisco Fernandez-Carvajal)

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