Blog Alma Missionária

Blog Alma Missionaria

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

15º Domingo do Tempo Comum - B
Por: Padre Wagner Augusto Portugal
 
Leia as outras homilias
 

"Contemplarei, justificado, a vossa face; e serei saciado quando se manifestar a vossa glória." (Sl 16,15)
Irmãos e irmãs,

A missão de evangelização é urgente e pede de cada um de nós um grande despojamento. Por isso, o Evangelho deste domingo(Mc 6,7-13) nos pede que imitemos a Jesus. Os apóstolos recebem de Jesus a autoridade para curar, para exorcizar e fazer os sinais assim como Ele. Ao imitarem Jesus, os apóstolos faziam acontecer o Reino de Deus, convertendo os incréus, anunciando o Evangelho e dando continuidade ao Projeto de Jesus, projeto de seguimento, projeto de partilha, projeto de comunidade.

No domingo passado, refletimos que Jesus fora rejeitado pelos seus conterrâneos, pelo povo de Nazaré. Hoje, o Divino Mestre vem falar do envio dos seus apóstolos para a missão.

Essa missão tem muitos momentos de alegria e de contentamento espiritual; mas
 também suas grandes dificuldades, desilusões, incompreensões, perseguições e seus reveses.

Lembrando ainda a mensagem evangélica do domingo passado, o verdadeiro discípulo não 
pode e não deve estar preocupado em ser ou não ser aceito, e, muito menos, aplaudido no desem-
penho da sua missão. A conseqüência disso é não se preocupar com nada, nem com o que vai 
acontecer com sua vida, porque, se for necessário, terá que perder a sua vida em benefício do 
anúncio do Reino de Deus.

O mais importante é que todos nós sejamos fiéis ao projeto do Reino de Deus, fiéis ao Evangelho, 
comprometidos com a missão. Carregando a Cruz de Cristo, chegaremos todos à glória da ressur-
reição final.

Meus irmãos,

Jesus envia os seus discípulos para a missão.

Ora, todos nós temos que conhecer as verdades de nossa fé, por isso freqüentamos a catequese.
 Os discípulos também foram catequizados pelo maior e mais santo catequista, o próprio Senhor Jesus.

Depois de ser diplomados, de ter aprendido a missão, é hora de colocá-la em prática. É hora de colocar
 a mão na massa. Fé e vida, uma dialética muito importante na nossa caminhada de cristãos. Colocar
 no nosso cotidiano, em prática, tudo aquilo que vivemos e entendemos intelectualmente. Daí a grande
 advertência de Jesus aos seus discípulos: o DESAPEGO. Desapegar-se das coisas do mundo e 
apegar-se ao amor generoso do Sagrado Coração de Jesus. Deixar se contaminar pelo coração mise-
ricordioso e amoroso do Senhor da Messe e Pastor do Rebanho. Ser misericordioso, acolher com o
 abraço e o sorriso do Senhor que nos faz um apelo ingente: VEM E SEGUE-ME!

Para ser um verdadeiro discípulo, não devemos servir aos nossos projetos pessoais, mas devemos 
nos apagar, devemos nos aniquilar, para que o CRISTO APAREÇA E ILUMINE A NOSSA 
MISSÃO DE EVANGELIZADORES.

Evangelizamos para quem? Evangelizamos por quem? Evangelizamos quem?

Permitimo-nos ser evangelizados e nos tornamos evangelizadores somente para Jesus, o Ressuscitado.

Para pregar a Palavra de Deus, temos que nos desapegar até de nossos caprichos e vaidades pessoais.
Precisamos nos tornar ser instrumentos da misericórdia e da graça de Deus. O verdadeiro discípulo é 
aquele que se despega do pão, do dinheiro, das posses e bens materiais, da segurança, da vaidade,
 por isso Jesus adverte no Evangelho de hoje: “Mandou que andassem de sandálias e que não levas-
sem duas túnicas” (Mc 6, 9).

O apóstolo é aquele que serve. Ele é o primeiro servidor, aquele que “serve com alegria”. O SERVIÇO
 passa pelo diálogo, pela escuta, pela comunicação necessária do entendimento e da partilha. É evan-
gelizar a partir do prisma da necessária comunicação da paz e do amor. O apóstolo e o discípulo devem 
esquecer de si mesmo e preocupar-se com as coisas de Deus. Isso exige um despojamento 
contínuo da ostentação, da vaidade, das aparências falsas.

Irmãos e Irmãs,

A grande qualidade do cristão é colocada em relevo pelo Evangelho de hoje: ser testemunhas
 do Senhor Ressuscitado.

Jesus manda sacudir a poeira das sandálias, caso fossem rejeitados. Era um costume israelita, 
toda vez que, tendo estado em território pagão, regressavam para casa.

Pagãos agora não seriam mais os não-judeus, mas aqueles que não quisessem receber a Boa Nova
 de Jesus, o Reino das Bem-aventuranças. Pelo que nos ensina o Evangelho de hoje, os Apóstolos
 tiveram êxito na sua primeira missão, na sua primeira evangelização.

Outro aspecto a ser valorizado é a nossa vocação para evangelizar.

Pelo Batismo, somos todos lavados do pecado original e nos tornamos na Igreja cidadãos que 
têm direitos e deveres, obrigações.

Mas a nossa vocação batismal é eminentemente evangelizadora. A missão dos apóstolos de ontem
 é a missão dos discípulos de hoje e de amanha: “fui enviado para anunciar a Boa Notícia do Reino 
de Deus” (Lc 4,43).

Os apóstolos seguiram a caminhada de Jesus percorrendo vilas, anunciando o Reino de Deus, curando 
doentes, exorcizando demônios e, mais do que tudo isso, valorizando a sua vocação profética 
anunciando o Evangelho da Salvação. Os apóstolos ontem, e nós hoje, somos convidados, com reno-
vado ardor missionário, a ser uma Igreja inteiramente evangelizadora, misericordiosa e participativa, onde
 todos se sintam co-responsáveis no envio, no estudo, na vivência da palavra de Deus, dando testemunho
 e sendo testemunho vivo da missão do Senhor Ressuscitado.

Caros fiéis,

A Primeira Leitura deste domingo(Am 7,12-15) nos ensina a missão do profeta. A gente não se faz profe-
ta: Deus é que chama, mesmo a quem aparentemente não está preparado: por exemplo, Amós, que era
 pastor e agricultor. Amós apela para a missão “forçada”, quando o sacerdote de Betel, em Israel, do Norte,
 farto de suas críticas, o quer mandar de volta para a sua terra, Judá, do Sul.

A Segunda Leitura(Ef 1,3-14 ou 1,3-10) nos apresenta que Deus nos chamou à santidade e à unidade em
 Cristo. A Carta aos Efésios nos apresenta o mistério da salvação. Ela inicia com um hino de louvor, que
 resumo todo o agir de Deus no conceito de “bênção”. A vontade de Deus visa, em última instância,
 o “louvor da glória de sua graça”, ou seja, que todo o mundo possa reconhecer sua bondade. Esta
 consiste, concretamente, em nossa adoção filial, o perdão dos pecados, nossa participação de 
seu Reino e glória. Tudo isto, ele o opera através de Cristo Cabeça da criação. A garantia, já a 
recebemos no Espírito que nos é dado no batismo e na vida.

Irmãos e Irmãs,

O critério básico do evangelizador é a SANTIDADE DE VIDA E DE ESTADO. O Evangelizador não 
precisa ser especialista, capaz de discutir nas praças e nas ruas. Nem precisa ser um excelente
 orador, muito menos especialista somente nas coisas secundárias, ou melhor, nas coisas supérfluas.

Ser um bom evangelizador é ser santo, é ser simples, é ser coerente, é amar a Deus, temendo a sua 
Palavra e o seu Evangelho, fazendo da sua vida um santuário de salvação. A palavra do pregador será
 fidedigna, se acompanhada de uma prática que mostre no Reino de Deus em gestos e, particularmente,
 na mão na massa na prática.

OREMOS, pois, irmãos e irmãs, para que nossos líderes leigos e todos os fiéis em geral exerçam a
 sua missão com sua presença no mundo, na sua família, no seu trabalho, nas relações sociais, para 
que, dando testemunho do Cristo Ressuscitado, evangelizem aqueles que estão fora do grêmio da 
salvação e colaborem na implantação, aqui e agora, do reino de justiça e da paz. Amém!

Nenhum comentário: