Blog Alma Missionária

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sábado, 19 de abril de 2014

quinta-feira, 17 de abril de 2014

A Pérola Preciosa - 2.º Mistério

A PÉROLA PRECIOSA

Breves pensamentos sobre o Rosário meditado, para sacerdotes.
pelo
Padre Wendelin Meyer, O.F.M.
Tradução portuguesa por
Alberto Maria Kolb


2.º M I S T É R I O
JESUS DENTRO DO PEITO...

As dez contas desta dezena seguem como dez pequenos marcos num caminho solitário. O caminho a percorrer é de Nazaré a Judá.

Bela e santa, uma pessoa anda sozinha pela estrada pedregosa e cheia de montanhas: é Maria Santíssima, a mãe do Senhor. Leva consigo o Santo dos Santos. Ninguém o sabe, só e unicamente o céu conhece este segredo; Ela leva Deus em Si. E assim Ela empreendeu essa jornada pelas montanhas da Judá; Ela, a portadora de Cristo. Sua jornada se assemelha às jornadas do Sacerdote, pois não raras ve­zes percorre assim o sacerdote as ruas das ci­dades e povoações: o sacerdote leva a Jesus so­bre o coração, Maria caminha com Jesus dentro do peito. À viagem de Maria é pois o quadro comparativo à jornada do Sacerdote, quando leva a sagrada comunhão a um doente ou os úl­timos sacramentos a um moribundo.


Maria levou Seu mistério à casa de Izabel: fazendo alegremente o Sacrifício — pressurosa — para a bênção de João Batista — para a alegria de Izabel — tendo nos lábios o «Magnificat».

FAZENDO ALEGREMENTE O SACRIFÍCIO

Sacrificou a sua tranquilidade, a Sua amável solidão e subiu pelas montanhas de Judá.

Diante delA estende-se um caminho acidentado e áspero, são as altas montanhas de Judá. A jornada a percorrer são muitas léguas. De Nazaré a Jerusalém são 30 horas de ca­minho, mas Izabel morava além da cidade santa. A caridade de Maria havia de perfazer um caminho de quatro dias, e este sacrifício Maria Santíssima o faz sem queixas, pelo con­trário mui alegremente.

Os sacerdotes santos, acrisolados de virtu­des, pensam e obram como a Mãe de Deus. Pa­gam alegremente o tributo de seu tempo e de seu trabalho, deixam de boa vontade, quando o ofício o requer, o seu remanso de Nazaré o seu gabinete de trabalho, tão cômodo e con­fortável; o seu jardim de flores, tão belo e encantador; o seu descanso, aliás tão merecido e reconfortador. Estes sacerdotes nas suas visitas aos doentes não olham a distância e o número de quilômetros, nem de léguas; nem pensam nos caminhos difíceis, na areia, na lama, pedras, chuvas... sua mente está em Deus, sua pessoa pronta para o sacrifício.

PRESSUROSA

O amor impera e não sofre demoras. Ajun­tando ao amor ainda o contentamento e a alegria íntima de fazer o bem, então o homem não conhece tardança.

Maria Santíssima intimamente alegrou-Se de poder anunciar e levar à Sua prima Izabel a grande dita e feliz nova. Abiit in montana cum festinatione, in civitatem Juda (S. Luc. I, 39).

Os mesmos sentimentos invadem o sacerdote, as mesmas asas o elevam às altas regiões e aos ideais nobres a promover e participar de obras de caridade, do socorro ao próximo, obras de grande alcance e de grande benemerência. Quem agita e move tais asas espirituais, deixa imóvel debaixo de seus pés a negligência, o amor às comunidades é a fuga dos trabalhos. Ecce adsum! eis a mola da sua vida. Seja o operário quem o chame, seja o letrado que requeira sua presença — ecce adsum!

— Mais ainda: o seu amor, a sua caridade, transmudam-se em sede, em sede ardente. Ele tem sede de levar voluntariamente o Deus-Eucarístico até lá onde não se sente fome do manjar celeste, ainda que o doente já es­teja às portas da eternidade. Verdadeiro espírito de Maria! Mas este espírito destila só e unicamente das almas que vivem da fé: «Justus mens ex fide vivit

PARA BÊNÇÃO DE JOÃO BATISTA

Da partícula consagrada, tão diminuta e pe­quena, parte uma bênção imensa, mas muitas vezes não cabe na nossa percepção. O agir da graça é misterioso.

Aqui porém percebemos claramente o poder que parte de Cristo. O Redentor dentro do co­ração de Maria; uma força secreta d’Ele dimana. Izabel a percebe, quando Maria Santíssima transpõe o portal da casa; a criança salta, no ventre de Sua mãe; João é purificado da man­cha original. Quando o sacerdote leva o Santíssimo à casa dum moribundo, não parece que um ar purificador e um sentimento de pro­funda devoção se apodera das famílias? Os pais juntamente com seus filhos, os velhos e moços, todos caem de joelhos, batem aos pei­tos e mostram a sua reverência. E Deus entra então no coração do moribundo, talvez a última vez; ele aí o purifica de suas manchas e de seus pecados e tira até uma parte de suas penas.

Verdadeiramente, hoje entrou nesta casa a salvação, o Redentor cumulou esta família de grandes bens e da suma felicidade. Não é por acaso a visita de Cristo à alma do sacerdote acompanhada dos mesmos salutares efeitos?

Oh estas viagens silenciosas de Jesus, do corporal ao coração de seus fiéis ministros! Quão puro, quão resplandecente não se tornaria pou­co a pouco o nosso interior se, diariamente e sempre celebrássemos com a devida preparação!

PARA A ALEGRIA DE IZABEL

Santas almas vêem claramente. Iluminada pela graça, abrem-se aos seus olhos admiráveis profundidades, que não atinge o olhar sensual da maior parte dos filhos de Adão. Um destes olhares profundos lançou também Izabel, pois ela perscrutou o íntimo de Maria Virgem.

O mistério, o inenarrável mistério que Maria guardou em Si, a mãe de S. João Batista descobriu.

E como se com isto tivesse visto o paraíso e penetrado o céu, grande reverência e grande alegria interiormente se apoderaram dela. Todo seu ser mergulhou-se neste mundo bem-aventurado e neste mar de delícias, pois até a criança no seu ventre saltou de alegria. Os seus lábios então destilaram estas palavras cheias de emo­ção e de gozo: «Et unde hoc mihi ut veniat ma­ter Domini mei ad me?». Donde me vem a honra de que a Mãe de meu Senhor me venha visitar? (S. Luc. I, 43).

Bem aventuranças e felicidades distribuímos nas casas e nos corações, quando aos doentes ou à mesa da comunhão levamos o Divino Man­jar dos Anjos.

Bem aventuranças e felicidades quer comunicar-nos o Divino Redentor, quando oculto debaixo das espécies de pão e de vinho desce so­bre nosso corporal. A hóstia pura, vista exte­riormente, é aos nossos olhos, por assim dizer, a imagem pura da Virgem Maria e o que as espécies do pão e do vinho escondem é o mes­mo preciosismo Bem que Maria na casa de Izabel chamou o Seu Bem. Magnífico mo­mento da consagração, quando Sacerdote e Cristo «face a face» se encontram, tão pertinho, tão juntinhos como a Mãe de Jesus e a Mãe do Precursor. Oh portentoso momento da consagra­ção, quando um sacerdote inteiramente purifica­do, todo puro, olha a hóstia santa, toda pu­reza! Então seu interior exulta e canta de ale­gria: Exultat... prae gaudio...! Oh esplendo­rosos momentos que convertem as dores em ale­grias, os espinhos em rosas! Aleluia, Aleluia...! Oh meu Deus, como sois bom! Gratias agimus Domino Deo nostro, vere dignum et justum est, aequum et salutare.

TENDO NOS LÁBIOS O «MAGNIFICAT»

O espírito de caridade levou Maria Santíssima pelas montanhas da Judá; o espírito de caridade todo o tempo a acompanhou nesta jor­nada. E agora chegado ao seu termo ascende-se mais este fogo interno; esta chama de amor tomou proporções gigantescas.


Parecia serem momentos de Pentecostes, era o sopro do Divino Espírito Santo. Alegrias ín­timas invadem o coração de Maria Santíssima na saudação de Izabel. De sua alma, porém, sempre tão silenciosa, partiu um hino de gra­tidão e de glória. Ela cantou o primeiro Magni­ficat, o cântico repleto de amor e do espírito profético. Até a este ponto conduzem no fim as jornadas eucarísticas; produzem a repetição do «Magnificat», ascendem a flama sagrada de amor, comunicam algum tanto o espírito dos profetas que permite ao sacerdote ver profunda­mente os mistérios da nossa Redenção e conhecer e escolher os meios mais aptos segundo as condições e a variedade dos tempos, para frutuosamente conduzir e dirigir as almas. 

To­do seu ministério exterior e mais ainda a sua própria santificação ganham com isso. A sua vida interior e sobretudo a sua vida de oração eleva-se cada vez mais até uma amorosa e diuturna comunicação com Deus. O sacerdote en­tão só parece viver da oração. O mundo do seu interior lhe oferece dia por dia horas e mo­mentos mais agradáveis. Pouco a pouco desco­nhece ele o mundo e afasta-se de todo o criado, volta-se para o interior, vê seu Deus — é ago­ra feliz, sobretudo feliz... Magnificat anima mea Dominum, et exultavit spiritus meus in Deo salutari meo!

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