Blog Alma Missionária

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quarta-feira, 18 de setembro de 2013

MÚSICA, LITURGIA, HUMILDADE E BOM SENSO‏ - LITURGIA DIÁRIA , 18 DE SETEMBRO DE 2013

quarta-feira, 18 de setembro de 2013


MÚSICA, LITURGIA, HUMILDADE E BOM SENSO‏

 

Ser "músico de Missa" é algo extraordinário, é chamado de Deus, preste atenção no seu ministério!

 

Segundo o Catecismo da Igreja Católica (CIC), n. 1323 , Santa Missa é : "O nosso Salvador Instituiu na Última Ceia, na noite em que foi entregue, o Sacrifício Eucarístico do seu Corpo e Sangue, para perpetuar pelo decorrer dos séculos, até voltar, o Sacrifício da Cruz, confiando à Igreja, sua esposa amada, o memorial da sua Morte e Ressurreição: sacramento de piedade, sinal de unidade, vínculo de caridade, banquete pascal em que se recebe Cristo, a alma se enche de graça e nos é concedido o penhor da glória futura". E continua: " [...] ela é a renovação do Sacrifício de Nosso Senhor Jesus Cristo, que sendo verdadeiro Deus e verdadeiro homem, pagou pelos nossos pecados na cruz. Tal Sacrifício se torna presente na Santa Missa no momento em que o pão e vinho se tornam verdadeiramente o Corpo, Sangue, Alma e Divindade de Nosso Senhor. (CIC, 1373-1381) . O Santo Sacrifício da Missa é incruento (ou seja, sem sofrimento nem derramamento de sangue), pois não se repete, ou seja, é o mesmo e único Sacrifício do Calvário, porém, torna-se verdadeiramente presente na Santa Missa para que possamos receber os seus frutos e nos alimentar da Carne e do Sangue de Nosso Senhor. Por isso o Sagrado Magistério nos ensina que "o sacrifício de Cristo e o sacrifício da Eucaristia são um único sacrifício" (CIC, 1367)

 

O Papa João Paulo II escreve: “Ele (povo) quer sentir nas músicas de vossas igrejas o apelo ao louvor de Deus, à ação de graças, à prece humilde e confiante e se sente desconfortável quando esses cantos em sua letra envolvem uma mensagem política ou puramente terrena, e em sua expressão musical não apresentam a característica de música religiosa, mas são marcadamente profanos no ritmo, na linha melódica e nos instrumentos musicais de acompanhamento” (Aos Bispos dos Regionais Nordeste 1 e 4 da CNBB, por ocasião da visita ad limina Apostolorum 1995-1996)
 

O Papa Bento XVI escreve:  “No âmbito da valorização da Palavra de Deus durante a celebração litúrgica, tenha-se presente também o canto nos momentos previstos pelo próprio rito, favorecendo o canto de clara inspiração bíblica capaz de exprimir a beleza da Palavra divina por meio de um harmonioso acordo entre as palavras e a música. Neste sentido, é bom valorizar aqueles cânticos que a tradição da Igreja nos legou e que respeitam este critério; penso particularmente na importância do canto gregoriano”  (Exortação Apostólica Pós-Sinodal Verbum Domini do Santo Padre Bento XVI ao Episcopado, ao Clero, às pessoas consagradas e aos fiéis leigos sobre a Palavra de Deus na vida e na missão da Igreja, n.° 70)

 

Olhando para a seriedade da Celebração Eucarística, reviver o sacrifício de Cristo, que é a nossa redenção, não é qualquer coisa, nem deve ser vivido de qualquer maneira, por isso os músicos não podem tocar na Missa de qualquer jeito , do jeito que quiserem

 

A música tem íntima ligação com a liturgia, dela depende e a ela serve. Tomando por base essa frase, percebemos que não se toca simplesmente na Santa Missa, mas se presta um serviço a Deus e à sagrada liturgia . Para isso é preciso ter a postura

 

A Liturgia no Santo Sacrifício da Missa, perpetuação do Calvário de Nosso Senhor, deve ser algo sublime, digna do momento e do lugar. Toda a Igreja, em todo o seu tempo de existência, sempre prezou muito pela beleza e dignidade da Liturgia, que é dirigida a Deus

 

Não obstante assim seja, o que vemos hoje é um tal descaso que certas celebrações parecem ser animadas por artistas circenses ou por cantores pops. Há mesmo grupos que parecem surdos e parecem querer tomar o centro da Santa Celebração com instrumentos e microfones altíssimos e com músicas intermináveis, sem falar da total inconveniência destas com as partes da Santa Missa

 

E, como se não bastasse isso, é comum que, mesmo em partes tão sublimes como o "Sanctus", a música seja encerrada com, nada mais nada menos, um solo distorcido de guitarra... E na hora da Elevação do Santíssimo Corpo e do Santíssimo Sangue de Nosso Senhor, de repente (Deus nos acuda) escutamos elevar-se também o inconveniente som dos instrumentos musicais. Ora, e virou o que?! É show mesmo? Eu diria que é amor-próprio-desesperado!

 

Percebemos aqui erros crassos (crassíssimos!!!). Primeiro, o que motiva toda esta palhaçada é a vaidade, o orgulho, o sentimento do estrelato. Depois, temos a total ignorância do que seja a Liturgia, sendo que tal atitude chega a ser uma profanação. Depois, consideramos a possibilidade de algum problema de audição. E, por fim, a total falta de bom senso

 

Como dizia o Papa João Paulo II, ninguém deve buscar ser o protagonista do Santo Sacrifício e os cânticos devem ser ordenados e convenientes para o Santa Missa. Para isto nos diz Sua Santidade, parafraseando o Papa Paulo VI, que o modelo supremo da música litúrgia é o canto gregoriano. Este é, pois, o critério para a orientação do que seja conveniente ou não. Quanto mais a música se aproximar deste modelo, tanto mais é digna do Templo e, quanto mais dele se distancia, tanto mais é indigna

 

Porém, a partir da idéia de "inculturação", distorcida ao bel prazer dos artistas, tem se incluído na Missa verdadeiras cacofonias, como a infame "dança do espetinho". Desconfio que, para estes e outros abusos, a MTV tem dado sua contribuição e os"artistas" católicos, impossibilitados de obter fãs naquelas proporções, se aproveitam da morte de Nosso Senhor para a sua própria auto-promoção

 

Haverá, neste mundo ou no outro, maior contradição? O Deus humanado humilha-se na Cruz enquanto um qualquer se aproveita para tentar construir a sua fama ou para arrancar aplausos do "público", distraindo-os mesmo do que acontece sobre o Altar? Até onde vai a vaidade humana?

 

Seria cômico se não fosse trágico: Deus se humilha e  o homem quer se exaltar a partir da humilhação de Deus

 

Quero dizer com tudo isso : atenção nas escolhas das músicas. É interessante observarmos três pontos:

                     

- Dedicação e postura do músico, a música executada com perfeição

- Observação das diretrizes da Igreja sobre a música na liturgia

- Unção na execução da música, que se dá pela vida de oração do músico

 

Enfim... estamos no fim do mundo. E, como dizia Deus Pai a Santa Catarina de Sena: "até os demônios sentem asco das almas que tratam a Eucaristia com desdém”

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