POBREZA E HUMILDADE - LITURGIA DIÁRIA , 12 DE ABRIL DE 2013

POBREZA E HUMILDADE
EXCERTOS DA CARTA PASTORAL SOBRE PROBLEMAS DO APOSTOLADO MODERNO (1953) ESCRITA POR D. ANTÔNIO DE CASTRO MAYER
SENTENÇA FALSA OU AO MENOS PERIGOSA :
"Jesus Cristo pregou a pobreza e a humildade, a preferência pelos fracos e pequenos. Uma sociedade imbuída deste espírito deve eliminar as desigualdades de fortuna e de condição social. As reformas políticas e sociais decorrentes da Revolução Francesa foram, conscientemente ou não, de inspiração evangélica, concorrendo para realizar uma sociedade verdadeiramente cristã"
"Jesus Cristo pregou o espírito de pobreza e humildade, a preferência pelos fracos e pequenos. Por pobreza, a Igreja entende o desapego dos bens da terra, ou seja, um tal emprego dos mesmos, que sirvam para a salvação da alma e não para sua perdição. Assim, nunca ensinou que ser rico é intrinsecamente mau; mas que tão somente é mau fazer uso desordenado da riqueza. Por humildade a Igreja entende o fato de o fiel reconhecer que nada tem de si e tudo recebeu de Deus, e de se situar no lugar que lhe compete. A existência de classes sociais é, pois, condição para a prática da virtude e da humildade. Quanto à preferência pelos fracos e pelos pequenos, seria impossível numa sociedade em que todos fossem iguais. A Revolução Francesa, na medida em que tendeu para a completa igualdade política, social e econômica, na sociedade ideal sonhada pelos seus fautores, foi um movimento satânico, inspirado pelo orgulho"
EXPLANAÇÃO :
Por certo, as desigualdades quer no domínio político, quer no social ou econômico têm por vezes sido iníquas, e isto por dois motivos principais: ou porque essas desigualdades eram ilegítimas, e mero fruto da opressão; ou porque se acentuavam tanto que negavam a dignidade natural do homem, ou os meios para viver sadia e honestamente. Um exemplo frisante de desigualdade exagerada é a sorte duríssima e imerecida a que, no século XIX, foram lançados os operários em consequência da revolução industrial (Pio XI, "Quadragesimo anno", A.A.S. 23, p. 195, 197/8). Ao contrário do que se tem dito, a Igreja tem cumprido seu dever de lutar contra essa situação. Mas, em tal luta, seu objetivo é uma sociedade hierárquica dentro dos limites da ordem natural. Nunca a abolição de todas as desigualdades legítimas, sonhada pelos revolucionários e na qual se empenham a ação da Maçonaria e outros fatores (cf. Pio XII, Alocução do Natal de 1944, A.A. S. 37, p. 14)
ESPÍRITO DE POBREZA DOS PRIMEIROS CRISTÃOS
Os primeiros cristãos, primícias da Igreja nascente, levaram ao auge a perfeição evangélica e deram o exemplo de uma incomparável união, de uma completa abnegação e sublime caridade. Viviam como se fossem um só coração e uma só alma. Tudo que cada um tinha era possuído em comum. Vendiam as suas fazendas e os seu bens e distribuíam-nos por todos, segundo a necessidade que cada um tinha. A comunhão de bens realizada pela fé destes primeiros cristãos dava aos Apóstolos a administração e o domínio das coisas temporais
Desde modo se acha constituída a propriedade eclesiástica no próprio berço da Igreja
Dentre os que venderam os seus bens para fazer comum o valor deles, cita a Sagrada Escritura por exemplo, um levita, natural de Chipre, chamado José, que recebeu o sobrenome de Barnabé e que, pouco tempo depois, elevando à dignidade de Apóstolo, veio a ser companheiro de São Paulo
São Lucas nos Atos dos Apóstolos fala-nos de um outro fiel chamado Ananias, que vendeu um campo e trouxe aos Apóstolos só uma parte do preço, fazendo-lhes crer que o trazia todo. São Pedro disse-lhe: "Ananias, por que tentou Satanás o teu coração para que tu mentisses ao Espírito Santo e reservastes parte do preço do campo? Porventura não te era livre ficar com ele e ainda hoje, depois de vendido, não era teu o preço?" Essas palavras de São Pedro mostram que o crime não consistia no direito exclusivo de propriedade nem no de reservar para si a totalidade ou parte do que lhe pertencia, mas na mentira do discípulo que, depois de afirmar que dava todos os seus bens, como os outros, retinha uma parte por espírito de cobiça e avareza. Ricos com o que conservavam em seu poder Ananias e sua esposa Safira vinham a sê-lo muito mais adquirindo o direito de participar do tesouro comum da Igreja
Essa criminosa especulação foi o segundo atentado contra os bens da Igreja e dos pobres. O primeiro cometera-o Judas Iscariotes que roubava o que recolhia para os pobres. Como se vê, a oblação foi livre e santa desde o princípio da pregação evangélica e é o que estabelece uma diferença essencial entre o Evangelho e o comunismo. "O comunismo, diz o Padre Rivaux, é a exaltação até ao delírio de todos os apetites materiais e de todos os desejos grosseiros . A COMUNHÃO EVANGÉLICA É A ABNEGAÇÃO , A IMOLAÇÃO DO ORGULHO E DA CARNE . DO EVANGELHO AO COMUNISMO HÁ A DISTÂNCIA DO CÉU AO INFERNO"

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