Blog Alma Missionária

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quarta-feira, 3 de abril de 2013


29/01/2013Catequese e Liturgia
Por: D. Paulo Mendes Peixoto.
 O DNC provoca uma reflexão sobre o espaço formativo da catequese.
 Qual é, então, a finalidade e a pedagogia do processo catequético?
 O Vaticano II veio provocar o resgate da inspiração catecumenal.
 A partir daí sentimos a importância da relação catequese e liturgia.
 Não só o aspecto intelectual, mas o que atinge a pessoa toda.
 Dimensões: sensorial, afetiva, mental, espiritual, individual etc.
 Assim a catequese tem que ser uma experiência que atinge a pessoa.
 Deve unir experiência, valores e celebração, uma expressão de fé.
 O que não é celebrado não pode ser apreendido com profundidade.

I - Liturgia, lugar próprio para a catequese
I.1. Liturgia, cume e fonte da vida cristã
 A esperança no Vat II: a Igreja deveria beber nas fontes da fé.
 As principais fontes da fé cristã são a Sagrada Escritura e a Tradição.
 Por isto, as discussões começaram pela reforma da liturgia.
 A reforma litúrgica do Vat II já anunciava seu sentido e lugar na Igreja.
 A Sacrosanctum Concilium foi o primeiro documento a ser aprovado.
 Isto revela a importância da liturgia para os novos tempos.
 Algo começa ressoar como novidade, com base na Tradição da Igreja.
 Esta realidade foi assumida pelo Catecismo da Igreja Católica.
 A liturgia é ápice e fonte donde emana toda força da Igreja (SC, 10).
 Por isto, é lugar privilegiado da catequese para transformar as pessoas.
 Daí concluímos a íntima ligação existente entre catequese e liturgia.
 Liturgia é o exercício do múnus sacerdotal de Jesus em sinais sensíveis.
 Nela realiza-se a santificação da pessoa em culto público e integral.
 Aí acontece a comunhão salvífica de Cristo com a vida dos homens.
 Nos atos da Igreja acontece uma única liturgia de Cristo ressuscitado.
 A liturgia, nos sinais, favorece o encontro de Deus com o homem.
 Nela acontece a experiência santificante entre seus participantes.
 Ela se torna veículo, através da qual, torna-se operante a Palavra.
 A objetividade do mistério salvífico de Cristo atinge a comunidade.
 É uma presença iluminadora de Cristo pós-pascal na história.
 Para isto é necessário recuperar a riqueza e centralidade do mistério.
 Isto não acontece automaticamente, mas num espaço catequético.
 O catecismo diz que catequese e liturgia são dar plenitude à redenção.
 Tudo dentro de uma pedagogia em que a graça transforma a realidade.
 Catequese é conjunto de esforços empreendidos para fazer discípulos.
 É esforço de fazer os catequizandos crerem que Jesus é Filho de Deus.
 Há clareza no conceito, mas a prática nem sempre conduz a isto.
 A catequese é uma ação eclesial, não estrita a momentos instrutivos.
 O caminho da fé é fazer discípulos levando as pessoas à fé em Jesus.
 Que tipo de catequese é capaz de responder a isto e falar do mistério?
 O problema não são os conceitos, mas as atitudes diante do mistério.
 Fé significa "vida", que supõe catequese de encontro com as pessoas.
 O homem tem que ser inserido numa experiência que seja vital.
 Experiência litúrgica como cume e fonte da vida da Igreja.
 Está aí a razão de uma ligação forte entre catequese e liturgia.

I.2. Uma catequese nas fontes
 Ter consciência cristã para acolher o que é revelado na liturgia.
 Catequese é evangelizar a pessoa para acolher o mistério revelado.
 Mistério divino que é celebrado na liturgia de todos os dias.
 A liturgia é manifestação visível do mistério invisível de Deus.
 A proclamação evangélica confirma a verdade da encarnação.
 Cristo se revela na história dos homens na vida de comunhão.
 A vida de Deus chega a nós através de sinais e símbolos sensíveis.
 Nos atos litúrgicos acontece uma presença como história da salvação.
 A catequese está ligada a ação litúrgica e sacramental da fé cristã.
 A linguagem da fé está ligada à própria identidade do ser cristão.
 A linguagem de Deus é para ser escutado, visualizado e seguido.
 A identidade cristã tem sua origem na revelação de Deus em Jesus.
 A fé cristã é aquele sentir que tem por objeto a revelação de Deus.
 Conhecer o Deus da comunhão implica modelar-se por Ele.
 A liturgia continua na história a pedagogia divina da revelação.

I.3. Evangelho, cânon para a Liturgia e para a Catequese
 A relação liturgia e catequese provoca reflexão sobre a comunicação.
 Expor o Evangelho é fugir dos padrões doutrinais, ele já é a verdade.
 O Filho é a Palavra, acima de todo tipo de discurso pedagógico.
 A comunicação de Deus é uma linguagem por sinais e palavras.
 O perfil da fé passa por sinais, palavras, eventos e testemunhos.
 Crer é aprender a falar a língua de Deus na pregação, catequese, música, pintura, arquitetura, escultura, teologia e na liturgia.
 Há um perfil linguístico da fé, ou fé conectada à aceitação da palavra.
 É a capacidade de decifrar o sinal compreensível de Deus no mundo.
 Jesus fala do perfil linguístico da fé: "Porque não compreendeis a minha linguagem?" (Jo 8, 43-44).
 Sem familiaridade linguística, a palavra é causa de desentendimento.
 A verdade que o cristão conhece é a forma da cena do Evangelho.
 A verdade da palavra acontece num ambiente próprio, na comunhão.
 Na pedagogia de Jesus, a verdade da fé se revela na experiência de comunhão.
 É uma pedagogia do "lava-pés", singular tanto para a liturgia como para a catequese.

II. Liturgia: uma catequese existencial
 A catequese é instrumento didático-pedagógico que insere o catequizando na liturgia.
 Por outro lado, a liturgia é em si mesma, sacramental e catequética.
 É importante ver a liturgia como espaço privilegiado para a catequese.
 A liturgia é chamada a prolongar a pedagogia divina, fazendo história.
 Ela tem um valor insubstimável para a catequese na vida da Igreja.
 A ação litúrgica proporciona o encontro entre a história e o eterno.
 A liturgia usa símbolos que devem ser bem entendidos na catequese.
 Deus se revela como um pedagogo na peregrinação das pessoas.

III. Catequese e Liturgia: intrínseco relacionamento
 A tradição da Igreja é marcada pela relação entre liturgia e catequese.
 A revelação de Deus se dá em sinais e símbolos conforme a bíblia.
 A liturgia celebra o mistério de Cristo na forma de agir da Igreja.
 A autenticidade disto depende da ligação da liturgia com a catequese.

III.1. Liturgia: o ensinamento da tradição
 Catequese/liturgia convergem para um único ponto: encontrar Cristo.
 A liturgia sempre se apoiou em imagens, símbolos e verdades revestidas de símbolos.
 Realidades que tocam profundamente as pessoas numa prática de fé.
 Uma verdadeira catequese-litúrgica encontra riquezas na patrística.
 O catequizando compreende a lógica da fé participando dos ritos de iniciação à vida cristã.
 A catequese dos padres da Igreja foi estritamente ligada à liturgia.
 Os sinais litúrgicos são dados da experiência e estrutura de fé vivida na comunidade.
 Há uma convergência entre simbologia, instrução e vida concreta das pessoas.
 Os ritos são a estrutura condutora da liturgia e tem valor catequético.
 O calendário litúrgico é catequese vivente da economia da salvação.
 O objetivo da catequese é criar consciência de uma teologia vivida e litúrgica.
 São Leão Magno: "Andai, pregai, suscitai a fé (catequese), batizai (ação litúrgica); fazei isto em memória de mim (liturgia por excelência) se transfundiu na liturgia da Igreja".
 A liturgia, em ato, possibilita o encontro com o próprio Cristo.
 O itinerário salvífico passa da fé à catequese e desta à ação litúrgica.

III.2. Catequese em sintonia com a pedagogia divina
 Catequese eficiente tem que estar em sintonia com a pedagogia divina.
 É catequese mistagógica que lê os eventos históricos na ação litúrgica.
 A catequese mistagógica deve olhar o hoje histórico-salvífico da fé.
 Uma fé vivenciada na experiência dos fatos de hoje que motivam a fé.
 A catequese insere a pessoa na fé salvífica, atualizada pela liturgia.
 A catequese ajuda na passagem do sinal para o mistério da salvação.
 Leva o catequizando a saber que o homem Jesus é Filho de Deus.
 A catequese termina no sinal, mas propõe itinerário de crescimento.
 Ela anuncia uma Pessoa, evento de salvação, seguimento de Jesus.
 Catequizar é levar alguém perscrutar o Mistério da plenitude de Deus.
 Catequese é Cristo porque Ele é a Palavra de Deus, fonte da catequese.
 Esse trabalho da catequese depende de sua ligação com a liturgia.
 Liturgia sem catequese priva o cristão dos elementos que lhe dão vida.
 Sem catequese, a liturgia torna-se misticismo, rotina e mecanicismo.

III.3. A liturgia celebra Cristo e expressa a vida da Igreja
 A relação catequese e liturgia é visão renovada da liturgia, do Vat II.
 É daí que entendemos a catequese como função de formar na liturgia.
 A palavra valorizada na liturgia ajuda a entender a fé na celebração.
 Descobre-se a importância da fé como gesto integrante da celebração.
 Daí o sentido da catequese na formação dos gestos litúrgicos.
 A catequese ajuda o cristão a entender o mistério celebrado na liturgia.
 Mostra a centralidade da vida e do amor no que é celebrado no culto.
 Catequese/liturgia expressam o mistério da encarnação: Deus conosco.
 Não há como separar catequese/liturgia na iniciação cristã das pessoas.
 O RICA é o melhor exemplo de unidade entre catequese e liturgia.

D. Paulo Mendes Peixoto.
 

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