Blog Alma Missionária

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segunda-feira, 14 de janeiro de 2013


Lenda de S. J. de Ribamar


LENDA DE SÃO JOSÉ DE RIBAMAR

         Tem este nome uma igreja, distante da ca­pital 7 léguas, edificada na extremidade da ilha do Maranhão, frente à baía de São José.
         Foi em seu princípio, aldeia de Índios ga­melas, provida de pároco ou missionário, em 2 de julho de 1757, até o dia 5 de agosto do mesmo ano, quando aí foi o governador Gonçalo Pereira Lobato e Souza em companhia de várias pessoas e, em presença do padre jesuíta José Vellez Vidigal, que ai residia, declarou que, conforme o alvará, com força de lei, com data de 7 de junho de 1755, re­movia os regulares da administração tempo­rária dela, restituía aos índios a liberdade de suas pessoas, e elevava esta aldeia à catego­ria de lugar com a mesma denominação.
         Soube o governador não haverem terras algumas pertencentes à dita aldeia, por se achar dentro das terras dos religiosos da Companhia de Jesus, concedidas por datas e sesmarias, além doutros títulos anteceden­tes, pelo governador deste Estado, Francisco Coelho de Carvalho, em 16 de dezembro de 1627, as quais foram demarcadas e tombadas, havia pouco tempo pelo ouvidor Mathias da Silva Freitas, em virtude da provisão de 13 de março de 1729, pelo qual a constituiu sua majestade Juiz de tombo de todas as terras destes padres, como tudo lhe constou dos au­tos do mesmo tombo, apresentados pelo dito ouvidor.
         Não obstante isto, não tendo os índios ter­ras próprias para sua cultura, entendeu o governador que era necessário adjudicar-lhes qualquer terreno, embora fosse dos padres da companhia, ou de outras pessoas, sem em­bargo dos títulos, que tivessem, e tudo isto era execução da real ordem de sua majestade, de 6 de junho de 1755.
         Para este fim, mandou chamar à sua pre­sença os louvores seguintes: João Ferreira Andiroba, Theodoro Amado Annes, Theodoro da Silva e Francisco Xavier Correia, aos quais sob juramento dos santos Evangelhos, pediu que marcassem, terras quanto bastassem não só para subsistência dos atuais índios, como também para com casais que pretendiam introduzir neste lugar.
         Os louvados foram mais longe do que lhes fora devido, pois marcaram terras para a subsistência de 200 casais durante um século, como se vê do termo lavrado pelo tabelião Bernardo Marques de Matos no dia, mês e ano da criação do lugar. É tradição corrente que em seus princípios tivera ricas alfaias, vasos e adornos de ouro e de pratas oferecidos pelos fiéis que aí vinham em devota romaria. E tão verdade é que, em 15 de junho de 1825, o vigário geral José Constantino Gomes de Castro nomeou ao revdmo. Padre João Beckman e Caldas pa­ra proceder inventário da prata, móveis e mais coisas que fossem do uso da igreja, à vista da má arrecadação das suas alfaias.
         Tudo isto desapareceu por ocasião da balaiada em 1339.
         Corre como certo, que, outrora, um navio português, que demandava o nosso porto, en­ganando-se na barra fora até à baia de São José e, quanto a tripulação assustada o via em perigo, houve uma voz, que, cheia de fé, invocou a proteção de S. José, e imediatamen­te uma onda livrou o navio dos terríveis bai­xios, que aí se encontram.
         Passados muitos anos regressou de Portu­gal o capitão deste navio, trazendo a imagem, do Santo. Levantou, em frente da baía, onde se deu o milagre, modesta capela, em que colocou a imagem.
         Os habitantes, da capital, desejosos de pos­suírem tão linda imagem, alta noite e, às ocultas, a removeram para a matriz, e, no dia seguinte com grande pasmo, desapareceu o Santo e abrigou-se na sua capelinha.
         Novo roubo fizeram, e, dando-se da parte da imagem igual procedimento, aí a deixa­ram visto que tal era o seu desejo.

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