Blog Alma Missionária

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segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Nossos SEMINARISTAS escrevem: ACOLHER E EVANGELIZAR!


Por: Manoel Martins da Silva
Entre várias lembranças que trago da minha infância, destaco uma em especial, que é a lembrança da minha primeira “aula” de catequese que aconteceu em uma comunidade bem simples do interior onde passei a maior parte da minha infância. Lembro que nesse interior as melhores roupas eram guardadas para datas especiais, e não havia data mais especial na família do que o batizado de uma criança, todos os parentes vinham dos interiores mais próximos para essa grande festa familiar, os animais mais belos eram mantidos na engorda para essa festa. 
Nesta época eu tinha uns cinco anos de idade, trago na memória até os dias atuais, não apenas por ser uma data em que tinha as melhores comidas e poderíamos usar as melhores roupas que eram guardadas o ano inteiro, mas sim  pela  imagem de certo senhor que ficada na porta da Capela para acolher a todos que entravam na pequena Igrejinha, essa é uma das imagens que ficaram cravadas no meu coração, pois ele tinha um sorriso tão doce, que não dava vontade de sair da porta da capela, mas tínhamos que entrar para iniciar a missa, confesso que durante a celebração não entendia quase nada do que estava acontecendo,sabia que era algo importante, algo de Deus pois a minha tia estava sempre corrigindo a minha postura e mandando eu me comportar. 
Para mim Deus não se manifestava nos ritos, pois não entendia a profundidade da celebração da santa missa, mas ele se manifestava na imagem daquele homem de branco que ficava de braços abertos para acolher a cada um que entrava na pequena Igrejinha para participar da missa.
Hoje se me perguntarem qual a imagem que eu tenho de Deus, afirmo com confiança que é a mesma imagem daquele Senhor que ficava esperando a todos que queriam participar daquele banquete celeste, que acolhia com um sorriso amigo, dava um abraço e dizia seja bem vindo (a), esse ato de acolhimento foi a primeira catequese que eu recebi, pois aquele Padre nesse pequeno gesto dava uma grande aula de evangelização para todos que entravam naquela Capela.
Hoje quando entro nas Igrejas por onde passo, sinto falta dessas atitudes que também são manifestações do Sagrado. O acolher nas nossas igrejas, acredito que é a porta de entrada para uma boa celebração e é uma ótima lembrança para o retorno. Como é bom quando nos sentimos acolhidos em um local em especial nas Igrejas que devem nos trazer a imagem de um Deus Amor, que é misericórdia, que acolhe e ama a todos incondicionalmente e  está de braços abertos para acolher a seus filhos amados.
Porém, hoje, entendo que o ato de acolher o irmão não é apenas função de religiosos, religiosas e padres, mas é uma função de todos nós e esta função não deve ser exercida como um ato de boa educação, mas ela vai além e deve ser exercida como um ato cristão, pois se não temos a capacidade de acolher o irmão que é um ser visível, será que teremos a capacidade de acolher a Deus que é invisível aos nossos sentidos?
Contudo, cabe a cada um de nós sermos sinal de Deus para os nossos irmãos que vem ao nosso encontro indo também nós ao seu encontro, pois, nós batizados, devemos ser um canal da graça de Cristo. Pois o próprio cristo é o maior exemplo de acolhimento que podemos ter, ele acolheu não só aqueles que se aproximam dele com um coração arrependido, mas acolhe igualmente aqueles que vão a sua procura para feri-lo.
É o que nos narra Mateus sobre a traição de Judas (Mt 14,44-55). Jesus, mesmo sabendo das suas intenções, abraça-o e beija-o em um último sinal de esperança. Sendo assim, somos convidados a acolher aos nossos irmãos e irmãs mesmo quando para praticar tal atitude temos que ir contra as leis do mundo ( olho por olho,dente por dente), e sermos verdadeiros cristãos, utilizarmos a “lei” de  cristo, fazer ao próximo o que gostaríamos que ele nos fizesse. Pois estamos mais próximo de Deus quando estamos próximos dos nossos irmãos, mesmo quando este irmão se torna um desafio e me convida a superar a mim mesmo, a ser mais paciente a lançar um olhar de esperança e ultrapassar as camadas superficiais dos defeitos e enxergar o seu mais precioso tesouro que é a sua alma a sua essência. Assim aquele que antes era um motivo de queda se torna canal da graça de Deus para a nossa própria edificação. 

http://www.dehonianosmar.com


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