Blog Alma Missionária

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domingo, 28 de abril de 2013


Enciclicas
Bula Romanus Pontifex
Papa Nicolau V
08 de Janeiro de 1455
Nicolau, bispo, servo dos servos de Deus, por uma memória perpétua.

O Romano pontífice, sucessor dos portadores das chaves do reino dos céus e vigário de Jesus Cristo, contemplando com uma intenção paternal a totalidade das várias regiões do mundo e as características de todas as nações que ali residem e procurando e desejando a salvação de todas, de maneira benéfica decreta e dispõe por diligente ponderação aquelas coisas que ele vê que serão agradáveis à Majestade Divina e pelo que ele pode trazer o rebanho confiado a ele por Deus para o interior do único divino aprisco, e poder adquirir para si a recompensa da felicidade eterna e obter o perdão para suas almas. Isso nós acreditamos que certamente virá a acontecer, através da ajuda do Senhor, no momento que nós concedermos apropriados favores e especiais graças àqueles reis e príncipes Católicos, que, como atletas e intrépidos campeões da fé Cristã, como nós sabemos pela evidência dos fatos, não só restringiram os selvagens excessos dos sarracenos e outros infiéis, inimigos do nome de Cristo, mas também na defesa e multiplicação da fé deles conquistada e de seus reinados e habitações, embora situados nas mais remotas partes desconhecidas por nós, e sujeitando-os ao seu próprio domínio temporal, não poupando trabalho e despesas para isso, a ponto destes reis e príncipes removerem todos obstáculos, poderem ser os mais animados para o prosseguimento de tão salutar e laudável trabalho.


Nós temos ouvido ultimamente, não sem grande alegria e satisfação, como nosso amável filho, o nobre personagem Henrique, infante de Portugal, tio de nosso mais querido filho em Cristo, o ilustre Afonso, rei dos reinos de Portugal e Algarve, seguindo as pegadas de João, de notável memória, rei dos ditos reinados, seu pai, e muito inflamado com o zelo para a salvação das almas e com fervor da fé, como um Católico e um verdadeiro soldado de Cristo, o Criador de todas as coisas, e um muitíssimo diligente, corajoso defensor e intrépido campeão da fé Nele, tem aspirado desde sua mais tenra mocidade com todas suas forças, para que o mais glorioso nome do dito Criador seja anunciado, exaltado e reverenciado por todo o mundo, mesmo nas mais remotas e não descobertas localidades e também para trazer para o seio de sua fé os pérfidos inimigos Dele e dos que dão a vida pela Cruz, pela qual nós fomos redimidos, especialmente os sarracenos e todos os outros infiéis, [e como] depois a cidade de Ceuta, situada na África, foi subjugada pelo citado Rei João para seu domínio, e depois de muitas guerras travadas, algumas vezes em pessoa, pelo citado infante, embora em nome do citado Rei João contra os inimigos e infiéis já mencionados, não sem volumosos esforços e despesas, e com perigos e perdas de vidas e propriedades, e o massacre de muitos de seus súditos naturais, o citado infante não sendo nem enfraquecido nem amedrontado pelos tantos e volumosos trabalhos, perigos e perdas, mas colhendo diariamente mais e mais zelo na perseguição desse tão laudável e pio propósito, tem povoado com Cristãos ortodoxos certas ilhas isoladas pelo oceano, e tem motivado assim a edificação de igrejas e outras casas pias nestas áreas, para que o divino serviço seja celebrado. Também pela laudável devoção e dedicação do citado infante, muitos habitantes nessas várias terras situadas no dito mar, chegando ao conhecimento da verdade de Deus, tem recebido o santo batismo, para o louvor e gloria de Deus, a salvação das almas de muitos, e também a propagação da fé ortodoxa, e o aumento da adoração divina.


Além disso, desde algum tempo atrás, tinha chegado ao conhecimento do citado infante que nunca, ou pelo menos não ao alcance da lembrança dos homens, tinha sido costumeiro navegar nesse oceano em direção à costa sudeste, e que, portanto, era totalmente desconhecido para nós ocidentais a existência de povos nessas partes, acreditando que ele melhor realizaria sua obrigação com Deus nessa matéria, se pelo seu esforço e dedicação tornasse o mar navegável até o ponto em que os indianos fossem chamados a adorarem o nome de Cristo, e que desta forma deveria estar pronto a entrar em contato com eles, e incitá-los a ajudar os cristãos contra os sarracenos e outros tais inimigos da fé, e deveria também estar pronto a, logo em seguida, subjugar certos povos gentios ou pagãos, vivendo no meio deles, que estão inteiramente livres da infecção da seita do mais ímpio Maomé, para pregar e motivar ser pregado entre eles o desconhecido, porém muito sagrado nome de Cristo, sempre fortalecido, contudo, pela autoridade real, ele não tem cessado por vinte e cinco anos enviando quase anualmente um exército de povos dos ditos reinos, com volumosos trabalhos, perigos e despesas, em diversos navios ligeiros chamados caravelas, para explorar o mar e as terras da costa em direção do sul e o pólo Antártico. E, assim, veio a suceder que quando um número de navios dessa natureza tinha explorado e tomado posse de muitos portos, ilhas e mares, eles finalmente chegaram à província da Guiné, e tendo tomado posse de algumas ilhas e portos e o mar adjacente a essa província, viajando mais adiante, eles chegaram à boca de um certo rio que geralmente supunham ser o Nilo, e uma guerra foi travada por alguns anos contra os povos daquelas áreas em nome do citado Rei Afonso e do infante, e em diversas ilhas daquela redondeza foram subjugados e pacificamente controlados, à medida que eles ainda são retidos juntos com o mar adjacente. Desde então, além disso, muitos homens da Guiné e outros negros, tomados à força, e alguns pela permuta de artigos não proibidos, ou por outros contratos legais de compra, têm sido enviados para os ditos reinos. Um grande número destes tem sido convertidos à fé Católica, e isso é desejável, através do socorro da misericórdia divina, e se tal progresso for continuado com eles, também aqueles povos serão convertidos para a fé ou pelo menos as almas de muitos deles serão ganhas para Cristo.


Mas desde então, conforme nós fomos informados, embora o rei e o infante citados anteriormente (que com tantos e tão volumosos perigos, trabalhos e despesas, e também com perda de numerosos cidadãos dos seus citados reinos, muitos dos quais tinham perecido nessas expedições, dependendo apenas da ajuda daqueles cidadãos, motivaram a exploração e a posse daquelas províncias e de tais portos, ilhas e mares, conforme já citado, como os seus verdadeiros senhores), temendo que estrangeiros induzidos pela cobiça navegassem para aquelas partes, e desejando usurpar para si a perfeição, resultado e honra de seu trabalho, ou pelo menos para atrapalhá-lo, devessem, portanto, tanto pela cobiça ou pela malicia, carregar ou transportar ferro, armas, madeira usadas para construção, e outras coisas e bens proibidos de serem carregados por infiéis ou devesse ensinar àqueles infiéis a arte da navegação, através do que eles poderiam vir a se tornar os mais poderosos e obstinados inimigos do rei e do infante, e assim o prosseguimento dessa empresa fosse molestada, ou quem sabe fracassasse inteiramente, não sem grande ofensa a Deus e grande reprovação por toda Cristandade. Para prevenir isso, e conservar seus direitos e possessões, [os citados rei e infante] sob as mais severas penas então expressadas, têm proibido e em geral têm ordenado que ninguém, senão com seus marinheiros e navios e com pagamento de um certo tributo e com uma expressa licença previamente obtida do citado rei ou infante, deve ousar navegar para as citadas províncias ou comerciar em seus portos ou pescar no mar, ainda que o rei e infante tenham adotado essa ação em tempo de acontecer que pessoas de outros reinos ou nações, motivados por inveja, malicia, ou cobiça, pudessem ousar, contra a proibição já citada, sem licença e pagamento de tal tributo, para ir até as citadas províncias, e nas províncias, portos, ilhas, e mares, assim adquiridos, navegar, comerciar e pescar; e, por isso o Rei Afonso e o infante não desejavam tolerar de nenhum modo que brincassem com essas coisas, e as presunçosas pessoas já citadas, e muitos ódios, rancores e dissensões, guerras, e escândalos para a mais alta ofensa a Deus e perigo das almas – Nós [portanto] pesando tudo e especiais premissas com a devida meditação, e registrando que desde que nós tínhamos formalmente por outras cartas de nossa concordância entre outras coisas livrado e ampliado a faculdade para o já citado Rei Afonso -- para invadir, procurar, capturar, conquistar e subjugar todos os sarracenos e pagãos quais sejam, e outros inimigos de Cristo onde estiverem, e os reinos, ducados, principados, domínios, possessões, e todos movíveis e inamovíveis bens quais sejam guardados e controlados por eles e reduzi-los à perpétua escravidão, e aplicarem e apropriarem para si mesmo e para seus sucessores os reinos, ducados, países, principados, domínios, possessões e bens, e convertê-los para seu uso e lucro – por terem assegurado a citada faculdade, o citado Rei Afonso, ou, pela sua autoridade, o já citado infante, de maneira justa e legal têm adquirido e tomado posse dessas ilhas, terras, portos, mares e eles de direito fazem pertencer ao citado Rei Afonso e seus sucessores, e o infante, não sem especial permissão do Rei Afonso e de seus mesmos sucessores, e mesmo qualquer outro fiel em Cristo que nomeado até o momento, nem está ele por quaisquer meios neste momento nomeado legalmente para intrometer-se com isto – em ordem que o Rei Afonso mesmo e seus sucessores e o infante podem estar disponíveis para mais zelosamente perseguir e poder perseguir esse mais nobre e pio trabalho, e de mais valiosa perpétua lembrança (que, desde a salvação das almas, aumento da fé, e queda de seus inimigos podem ser proporcionados através disso, nós respeitamos como um trabalho em que a glória de Deus e a fé Nele, e Seu povo, a Igreja Universal, estão relacionados) na proporção que eles, tendo sido ajudados de todos os maiores obstáculos, deveriam achar-se apoiados por nós e pela Sé Apostólica com favores e graças – nós, estando inteiramente informados de tudo e as especiais premissas, fazemos, motu próprio, não na instância do Rei Afonso ou do infante, ou a pedido de qualquer outra proposta para nós em seu benefício a respeito desta matéria, e depois de madura ponderação, pela autoridade apostólica, e de conhecimento certo, no mais completo poder apostólico, nos termos deste presente decreto, declaramos que as já citadas cartas de faculdade (os termos a partir dos quais nós desejamos que sejam considerados como palavra por palavra inseridas nestes presentes, com todas e em especial as cláusulas ali compreendidas) são estendidas a Ceuta e para as aquisições citadas anteriormente e seja quais forem todas outras, mesmo aquelas adquiridas antes das citadas cartas, e para todas aquelas províncias, ilhas, portos, e mares sejam quais forem, que vierem no futuro, em nome do citado Rei Afonso e de seus sucessores e do infante, naquelas partes e as que vierem a ser anexadas, e nas mais distantes e remotas partes, que possam ser tomadas das mãos dos infiéis ou pagãos, e que elas estão compreendidas sob as citadas cartas de faculdade. E pela força daquelas e das presentes cartas de faculdade as aquisições já realizadas, e o que o mundo vindouro poderá reservar a ser adquirido, depois que eles tiverem adquirido então, nós fazemos pelos termos desse presente decreto, e declaramos ter pertencido e de direito para sempre pertencer ao citado Rei e aos seus sucessores e para o infante, e que o direito de conquista no curso dessas cartas nós declaramos estarem estendidos dos cabos do Bojador e de Não, até o interior de toda Guiné, e em direção para além da costa meridional, fizeram parte e pertenceram, e para sempre de direito faz parte e pertence ao citado Rei Afonso, seus sucessores, e o infante e ninguém mais. Nós, ainda, pelo teor desses presentes decretos declaramos que o Rei Afonso e seus sucessores e o infante já citado poderiam e podem de agora em diante, livremente e legalmente, nessas [aquisições] e com relação a elas, impor quaisquer proibições, estatutos e decretos quais sejam, mesmo os penais, e com imposição de qualquer tributo, dispor e ordenar com respeito a suas propriedades e domínios. E em ordem de conferir um direito mais efetivo e assegurar-nos que façam através desses presentes, e para sempre dar, permitir e apropriar ao já citado Rei Afonso e seus sucessores, reis dos ditos reinados, e ao infante, as províncias, ilhas, portos, áreas, e mares quais sejam, quantos sejam, e de quais serão suas espécies, que já tem sido adquiridos e que venham a ser adquiridos, o direito de conquistar também desde os cabos do Bojador e de Não já citados.


Além disso, desde que seja próprio aos muitos caminhos em favor do aperfeiçoamento de um trabalho dessa natureza, nós permitimos que o já citado Rei Afonso e [seus] sucessores e o infante, como também as pessoas que eles, ou qualquer outro deles, devam pensar que esse trabalho convenha ser investido, pode (de acordo com a autorização para o citado Rei João por Martinho V., de feliz memória, e uma outra permissão concedida também ao Rei Eduardo, de ilustre memória, rei dos mesmos reinos, pai do dito Rei Afonso, por Eugenio IV, de pia memória, Romanos pontífices, nossos predecessores) fazer compras e vendas de quaisquer coisas e bens e mantimentos quais sejam, conforme lhes sejam adequados, com quaisquer sarracenos e infiéis, nas ditas regiões, e também podem firmar quaisquer contratos, tratados de negócios, barganhas, compras e negócios, e carregar quaisquer artigos para as áreas desses sarracenos e infiéis, desde que eles não sejam instrumentos de ferro, madeira a ser usada para a construção, cordame, navios ou quaisquer tipos de armas; e também poder fazer, executar, ou perseguir em todas as outras e coisas especiais [mencionadas] nas premissas, e coisas adequadas ou necessárias em relação a esses; e que o mesmo Rei Afonso, seus sucessores, e o infante, nas províncias, ilhas, e lugares já adquiridos, e a serem adquiridos por ele, poder descobrir e [assim virem a ser] fundados e construídos quaisquer igrejas, monastérios, ou outros lugares pios quais sejam; e também poder enviar-lhes quaisquer personalidades eclesiásticas quais sejam, como voluntários, assim como seculares e regulares de quaisquer ordens mendicantes (com licença, porém, de seus superiores) e que aquelas pessoas podem permanecer ali todo tempo que venham a viver, e escutar confissões de todos que vivem nas ditas partes ou que venham para lá, e depois das confissões terem sido escutadas, possam, desta forma, dar absolvição em todos os casos, exceto aqueles reservados para a já citada Sé, e gozar da salutar penitência, e também administrar os sacramentos eclesiásticos livremente e legalmente, e isso nós permitimos e admitimos para o próprio Afonso e seus sucessores, os reis de Portugal, que devem vir mais tarde, e ao já citado infante. Além disso, nós rogamos ao Senhor, e pelo respingar do sangue do nosso Senhor Jesus Cristo, que, como tem sido dito, é relacionado, nós exortamos, e à medida que eles desejem a remissão de seus pecados, gozar, e também pelo seu perpétuo edito de proibição nós mais estritamente inibimos, todos e especialmente os fiéis em Cristo, eclesiásticos, seculares e regulares de quais sejam as ordens, em quais sejam as partes do mundo que elas vivam, e de quais sejam o estado, grau, ordem, condição, ou proeminência que eles devam estar, embora imbuído com arquiepiscopal, episcopal, imperial, real, ducal, ou qualquer maior dignidade eclesiástica ou secular, que eles não tencionem em carregar armas, ferros, madeira para construção e outras coisas proibidas pela lei de serem de qualquer modo carregada para os Sarracenos, para quaisquer províncias, ilhas, portos, mares e lugares quais sejam, adquiridos ou possuídos em nome do Rei Afonso, ou situados em seus domínios ou em qualquer lugar, para os Sarracenos, infiéis ou pagãos; ou mesmo sem especial licença do citado Rei Afonso e seus sucessores e o infante, para carregar ou induzir ser transportado como mercadoria e outras coisas permitidas por lei, ou para navegar ou induzir navegarem por tais mares, ou pescar neles, ou intrometer-se com as províncias, ilhas, portos, mares e lugares, ou quaisquer deles, ou com essa conquista, ou para fazer qualquer coisa por eles mesmos ou um outro ou outros, diretamente ou indiretamente, por documento ou consulta, ou oferecer qualquer obstrução ao já citado Rei Afonso e seus sucessores e o infante poderem ser atrapalhados do sereno proveito de suas aquisições e possessões, a perseguir e realizar essa conquista.


E nós decretamos que quem quer que seja que venha a infringir essas regras [devem incorrer nas seguintes penalidades], exceto as punições pronunciadas por lei contra aqueles que carregam armas e outras coisas proibidas para qualquer dos Sarracenos, que nós desejamos que não causem a si próprio por fazê-lo; se eles são pessoas solteiras, eles deverão incorrer na sentença de excomunhão; se uma comunidade ou corporação de uma cidade, castelo, aldeia, ou lugar, essa cidade, castelo, aldeia, ou lugar deverá através disso estar sujeita à interdição; e nós decretamos mais adiante que transgressores, coletivamente ou individualmente, não devam ser absolvidos da sentença de excomunhão, não estejam aptos a obter o relaxamento de seu interdito, pela autoridade apostólica ou qualquer outra, a menos que eles tenham dado devida satisfação de suas transgressões para o próprio Afonso e seus sucessores e para o infante, ou devam ter ajustado amigavelmente com eles a esse respeito. Por [esses] escritos apostólicos nós impomos nossos veneráveis irmãos, o arcebispo de Lisboa, e os bispos de Silves e Ceuta, que eles, ou dois ou um deles, por si mesmo, ou um outro ou outros, de acordo com eles ou qualquer deles que venham a ser requisitados da parte do já citado Rei Afonso e seus sucessores e o infante ou qualquer um deles, aos domingos, e outros dias de festas, nas igrejas, enquanto uma grande multidão de pessoas venha a se reunir ali para ao divino culto, fazer declarar e denunciar pela autoridade apostólica que tais pessoas que têm sido provadas por ter incorrido em tais sentenças de excomunhão e intertido, estão excomungadas e interditadas, e têm estado e estão envolvidas em outras punições já citadas. E nós decretamos que se eles venham também a ser induzidos por deles, sejam denunciados por outras, e para ser estritamente permitido para todos, até que eles venham a dar satisfação para suas transgressões já citadas. Criminosos são para ser postos em xeque pela censura eclesiástica, sem consideração para apelar, às constituições e leis apostólicas e todas outras coisas não obstante quais sejam. Mas em ordem que as presentes cartas têm sido publicadas por nós de nosso conhecimento certo e depois de madura deliberação, por causa disso, conforme já citado, não podem, daqui pra frente, serem impugnadas por qualquer um como fraudulentas, secretas, ou sem valor legal. Nós desejamos, e pela autoridade, conhecimento, e poder já citados, nós fazemos igualmente por essas cartas, decretar e declarar que as ditas cartas e o que ali está contido ali não podem de nenhum modo ser impugnadas, ou seus efeitos atrapalhados ou obstruídos, considerando qualquer defeito de fraudulência, segredo ou nulidade, nem mesmo de um defeito do padre ou de qualquer outra autoridade, ou de qualquer outro defeito, mas que elas devam ser válidas para sempre e devam obter total autoridade. E se alguém, por qualquer autoridade, venha intencionalmente ou não, tentar qualquer coisa inconsistente com essas disposições nós decretamos que esse ato deve ser nulo e não permitido. Além disso, porque seria difícil carregar nossas presentes cartas para todos os lugares quais fossem, nós desejamos, e pela citada autoridade nós decretamos por essas cartas, que fé venha a ser dada totalmente e permanentemente para cópias destas, certificadas sob a mão de um notário público e o selo da corte episcopal ou qualquer corte eclesiástica superior, como se as ditas originais cartas fossem exibidas ou mostradas; e nós decretamos que dentro de dois meses do dia quando essas presentes cartas, ou o documento ou pergaminho contendo o teor da mesma, venham a ser afixadas nas portas das igrejas de Lisboa, as sentenças de excomunhão e outras sentenças nisto compreendidas deverão atar todos e especiais criminosos como se de maneira completa essas presentes cartas têm sido feitas conhecer e apresentar a eles em pessoa e legalmente. Portanto, não deixe ninguém infringir ou com imprudente audácia transgredir essa nossa declaração, constituição, presente, concessão, apropriação, decreto, súplica, exortação, injunção, inibição, mandato e desejo. Mas se alguém presuma fazer isso, é conhecido por ele que ele incorrerá na cólera de Deus Todo-Poderoso e dos santos apóstolos Pedro e Paulo.


Dado em Roma, em São Pedro, no oitavo dia de Janeiro, no ano da encarnação de nosso Senhor um mil quatrocentos e quarenta e quatro, e no oitavo ano do nosso pontificado.




Conhecendo melhor a Bíblia - Lugares Bíblicos
Perga
Fonte: Lista Exsurge Domini
Autor: John Nascimento
Transmissão: Rogério Hirota (SacroSancttus)
Perga, era a capital da então região da Panfília, que é a moderna Província de Antalia, no Sudoeste Mediterrâneo, na costa da Turquia.
Hoje é um grande lugar de antigas ruínas a 15 quilómetros a Leste de Antalia, onde há uma acrópole datada da Era do Bronze.
Historia
No século XII a. C. tinha havido uma grande onda de emigração de gregos do norte da Anatólia (moderna turquia) para a costa do Mediterrâneo.
Muitos fixaram-se imediatamente na área Sudeste da moderna Antália, que ficou a ser conhecida como Panfília (que significa terra das tribos)
Quatro grandes cidades se formaram nesta região : Perga, Silion, Aspendos e Side.
Perga foi fundada cerca do ano 1000 a. C. e ocupa 20 km da ilha.
Foi fortalecida , por medidas defensivas para evitar os piratas terroristas do Mediterrâneo.
Em 546 a. C. os Persas atacaram as forças locais e ganharam o controlo da região
Duzentos anos mais tarde, em 333 a. C. o exército de Alexandre Magno chegaram a Perga, durante a sua campanha para conquistar a Pérsia.
Os habitantes de Perga enviaram emissários para conduzirem o exército para dentro da cidade.
Alexandre foi seguido pelo império do Seleucidas, cujo mais célebre ancião que lá vivia, o matemático Apolónio, (292 b.C – 190 b.C.) ali viveu e trabalhou.
Apolónio era um discípulo de Arquimedes e escreveu uma série de oito livros para descrever a família das curvas, conhecidas como secções cónicas, compreendendo o cículo, a elipse, a parábola e a hipérbole.
O domínio romano começou em188 a. C. e a maior parte das ruínas existentes datam desse período.
Depois do colapso do Império Romano, Perga permaneceu desabitada até ao tempo de Seljuk, antes de ser gradualmente abandonada.
Ruínas
Perga é actualmente um lugar arqueológico e a maior atracção turística.
A antiga Perga, uma das principiais cidades da Panfília, estava situada entre os rios Catarrhactes e Cesrus, 60 estádios de distância da foz deste último rio, um lugar que na moderna Turquia, se chama Murtana, um tributário de Cestrus, e vilaiet de Koniah no Ottoman.
As suas ruínas incluem um teatro, a palaestra, o templo de Artemis e duas igrejas.
O mais famoso templo de Artemis está fora dos muros da cidade.
Dois guias contam a história de que Perga foi o berço da cerveja, alegadamente descoberta por acaso, mas recentes encontros da Faraónica cerveja, antecederam largamente a cidade.
História Eclesiástica
Outras figuras históricas notáveis que visitaram Perga duas vezes são S. Paulo e seu companheiro S Barnabé, como nos contam os Actos dos Apóstolos, durante a sua 1ª Viagem Apostólica, onde pregaram a Palavra de Deus, antes de sairem de Atália , a 15 quilómetros de Antioquia :
- “A seguir, atravessaram a Pisídia, chegaram a Panfília e depois de anunciarem a palavra em Perga, desceram a Atália”.(Act.14,24-25).
Perga permanece uma Sé titula da Igreja Católica Romana na antiga província da Panfília.
Foi rem Perga que João Marcos deixou S. Paulo e voltou para Jerusalém.
Forum de Perga


Conhecendo melhor a Bíblia - Lugares Bíblicos
Patmos
Fonte: Lista Exsurge Domini
Autor: John Nascimento
Transmissão: Rogério Hirota (SacroSancttus)

Patmos, uma ilha na Grécia.
Patmos é uma pequena ilha da Grécia a 55 km da costa SO da Turquia, no mar Egeu. É uma das ilhas do Dodecaneso, e possui uma área total de 34,6 km² e uma população de 2700 habitantes (2002).
Constitui uma municipalidade grega com capital em Hora (ou Chora), às vezes erroneamente chamada Patmos. Skala é o único porto.
A ilha é dividida em duas partes quase iguais, uma do norte e outra do sul, unidas por um estreito istmo. A vegetação é limitada, e o relevo, formado de montes relativamente baixos, cujo pico mais alto é o Profitis Ilias (269 m).
História
O porto de Skala, na ilha de Patmos
Conhecida por ser o local para onde o apóstolo João foi exilado — conforme consta na introdução do livro bíblico de Apocalipse —, Patmos foi usada como um lugar de banimento durante os tempos romanos. Segundo uma tradição preservada por Ireneu, Eusébio, Jerônimo e outros, o exílio de João aconteceu em 95 d.C., no ano décimo quarto do reinado de Domiciano. A tradição local ainda aponta a caverna onde João teria recebido a revelação para escrever o livro[1].
Desde 1522, a ilha foi diversas vezes controlada pelos turcos, sendo capturada pelos italianos em 1912. Em 1948 passou definitivamente ao controle grego.
As relíquias arqueológicas na Ásia Menor, relativas ao Novo Testamento centram-se primariamente à vida dos Apóstolos João e Paulo.
João recebeu a sua revelação na ilha de Patmos, de 12 x 7 quilómteros e a 100 quilómetros de Skala, um pequeno e moderno porto e um dos mais notáveis ancoradores do Mar Egeu.
A moderna cidade de Patmos está situada em volta do mosteiro de Ayos Elias do século XI, 244 metros de altitude e que domina a parte sudeste a ilha.
A Tradição considera que joão recebeu a sua revelação numa gruta nas trazeiras do mosteiro.
A natureza do exílio de João para a ilha de Patmos, não foi revelada. A primitiva Igreja atribui a sua presença nesta ilha à perseguição da Igreja que condenou João ao exílio.
O género Apocalíptico, é típico dos períodos de crise e de perseguição. Supõe-se, portanto, um desses períodos da Igreja Apostólica. O autor apresenta-se a si mesmo como João e escreve em Patmos, onde se encontra desterrado :
- “Eu,João, que também sou vosso irmão e companheiro na aflição, na realeza e na paciência em Jesus Cristo, estava na ilha de Patmos por causa da palavra de Deus e do testemunho de Jesus Cristo”.(Apc.1,9).
A tradição eclesiástica identifica este João com o Apóstolo do mesmo nome. Assim, tudo leva a concluir que se está sob a perseguição de Diocleciano, por volta do ano 95.
Violenta tempestade sacudia então a cristandade da Ásia Menor. O Apóstolo João, como pastor zeloso, esceve então o Apocalipse, para encorajar os cristãos à perseverança consolando-os com a certeza de que Jesus está com os Seus, os maus serão punidos, os bons premiados e que a Vitória dos cristãos está para breve.

Meditação Diária

Dom, 28 – Domingo V da Páscoa – Ano C
Act 14, 21b-27 / Slm 144, 8-13ab / Ap 21, 1-5a / Jo 13, 31-33a.34-35
Continuamos o nosso percurso pascal. As leituras de hoje apresentam-nos a figura de Jesus Cristo como aquele que nos acompanha neste caminho terreno, nem sempre fácil de percorrer, mas na certeza de que o Amor vence todos os obstáculos.
À semelhança do domingo passado, o livro dos Actos dos Apóstolos leva-nos a acompanhar os Apóstolos Paulo e Barnabé na pregação na Ásia Menor, «fortalecendo as almas» e exortando «a permanecer firmes na fé». As suas palavras são duras e exigentes quando dizem que «temos de sofrer muitas tribulações para entrar no Reino de Deus». O que quer isto dizer? Que a vida do cristão está destinada ao sofrimento? Não! A adesão a Jesus traz muitas alegrias e consolações, sentido para a vida e esperança na vida eterna. Mas todos sabemos que também existem sombras na nossa existência, as quais somos chamados a viver com perseverança na fé. Muitas vezes, percorremos uma estrada de densas nuvens, mortes, incompreensões, incertezas do futuro, relações desfeitas depois de projectos construídos juntos. Nem sempre o caminho mais plano e linear é o mais pedagógico e frutuoso. A nota do cristão está, neste sentido, no saber viver a vida com o olhar de Cristo, fortalecendo-se n’Ele quando as forças parecem vacilar. É na lógica pascal da ressurreição que a travessia das provas da vida se torna oportunidade de crescimento na fé.
Passando a estreita «porta da fé», deparamo-nos com «a cidade santa, a nova Jerusalém», a morada onde Deus vem habitar com os homens, como lemos no Livro do Apocalipse. Em Jesus, é Deus quem vem ao nosso encontro para permanecer sempre connosco a «renovar todas as coisas». Cristo torna-Se nosso concidadão e é, assim, que nós nos tornamos filhos de Deus por adopção, capazes de olhar para o mundo com um olhar «cristificado». Então, as lágrimas dão lugar à alegria, a morte e luto tornam-se sinais de vida, os gemidos e a dor ocasião de descentramento como dádiva para o outro. Sair de si mesmo quando as coisas não correm bem não é uma tarefa fácil, mas há que manter-se perseverante, pois Deus «está no meio de nós».
Antes do caminho da paixão e da cruz, Jesus já dissera aos seus discípulos: «Dou-vos um mandamento novo: que vos ameis uns aos outros. Como Eu vos amei, amai-vos também uns aos outros. Nisto conhecerão todos que sois meus discípulos». É este o amor paradoxal de Jesus que deve ser distintivo da comunidade cristã, um amor que supera o ensinamento vetero-testamentário do «amar o próximo como a ti mesmo» (Lv 19, 18 e Mt 22, 39) no «amai-vos uns aos outros como Eu vos amei». Num mundo tantas vezes marcado pelo individualismo, pelo consumismo desenfreado, pelo sucesso a todo o custo e pelo prazer hedonístico, Jesus propõe uma outra lógica bem diferente, o dar sem esperar receber. O amor pascal é como a semente que tem de morrer para dar muito fruto, para dar lugar à construção da nova Jerusalém, habitada por uma humanidade mais justa e mais solidária.

http://www.apostoladodaoracao.pt/

AS SETE MEDITAÇÕES SUGERIDAS POR SANTO AFONSO


Uma meditação para cada dia da semana

Domingo
Segunda-feira
Terça-feira
Quarta-feira
Quinta-feira
Sexta-feira
Sábado


Domingo
O fim do homem

1. Considera, cristão, que a existência que tens, de Deus a recebeste, criando-te á Sua imagem e semelhança, sem mérito algum da tua parte.Adaptou-te por filho nas almas salutares do Batismo; amou-te mais do que se fosse teu pai, e criou-te com o fim de O amares e servires nesta vida para depois O gozares na glória.de maneira que não nasceste nem deves viver para gozar, para ser rico poderoso, para comer, beber e dormir, como os irracionais, mas somente para amar ao teu Deus e ser dito eternamente.As criaturas foram postas por Deus á tua disposição para que te auxiliem a conseguir tão glorioso fim.Oh! infeliz de mim! que em tudo tenho pensado, menos no fim para que Deus me criou!Meu Pai, pelo amor de Jesus permiti que eu comece vida nova, inteiramente santa e em tudo conforme á vossa divina vontade!

2.Considera que na hora da morte sentirás grande remorso, se não te houveres dedicado ao serviço de Deus.Que aflição a tua quando, ao termo de teus dias naquela hora suprema, chegares a conhecer que todas as grandezas e prazeres, todas as riquezas e glórias não eram mais um pouco de fumo! Ficarás estupefato ao ver que por umas bagatelas, por verdadeiras frivolidades perdeste a graça de Deus e a tua alma, sem poder remediar o mal que fizeste e sem ter tempo para trilhar o bom caminho.Ó desesperação! Ó tormento! Então compreenderás quanto vale o tempo, mas já será tarde; quererás comprá-lo a troco do teu sangue, mas já não te é possível.Ó dia calamitoso para quem não tenha servido e amado a Deus!

3.Considera quanto se descura este fim tão importante.Pensa-se em acumular riquezas, em assistir a banquetes e divertimentos, em passar alegremente os dias; e não se pensa em servir a Deus, nem em salvar a alma.O fim eterno é considerado como coisa insignificante.Por isso uma parte dos cristãos, divertindo-se banqueteando-se e cantando, caem no inferno.Oh! se soubessem o que quer dizer Inferno...Ó homem, fazes tanto para te condenares, e nada queres fazer para te salvares?!Infeliz de mim! (Exclamava ao morrer o Secretário do Rei da França, Francisco I) Infeliz de mim!Para escrever as cartas do meu príncipe, gastei tanto papel; e nem sequer aproveitei uma folha para escrever nela os pecados e fazer uma boa confissão!Oxalá (dizia no mesmo transe Felipe III, Rei da Espanha) que em vez de ser Rei eu tivesse servido a Deus na solidão do deserto! Mas para que servem naquela hora semelhantes suspiros e lamentações, se não para maior desesperação? Aprende na experiência alheia a viver solicito da tua salvação, se não queres experimentar a mesma sorte.Não te esqueças de que quanto fazes, dizes ou pensas, estranho ao que Deus quer de ti, tudo é perdido.Eia pois! Já é tempo de mudar de vida.Quererás por ventura esperar.Para te desenganares, o momento da morte, quando estejas ás portas da eternidade, prestes a cair no inferno, e quando não haja lugar para emenda?Meu Deus, perdoa-me!Amo-Vos sobre todas as coisas.Arrependo-me sumamente de Vos ter ofendido.Maria, esperança minha, roga a Jesus por mim.Amém.

Fruto I. Lembrar-me-ei freqüentemente de Deus e de seus imensos benefícios agradecendo-Lhe de todo o meu coração.

Fruto II. Regularei e empregarei bem o tempo, dirigindo todas as minhas ações em ordem á glória de Deus. 


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Segunda-Feira
A importância do fim do homem

1.Considera, ó homem, quanto tens a lucrar na consecução do teu grande fim.Tens a lucrar tudo, porque, se o conseguires, salvar-te-ás, serás para sempre ditoso, gozarás em teu corpo e em tua alma toda a sorte de bens; mas se o malograres, perderás a alma e o corpo, perderás o Céu, perderás a Deus; serás eternamente desgraçado, porque condenar-te-ás para sempre.É por isso que a ocupação das ocupações, a única e importante, a única necessária, é servir a Deus e salvar a alma.Não digas pois, cristão: Agora quero satisfazes meus apetites: depois consagrar-me-ei a Deus, e espero salvar-me.Esta esperança vã tem precipitado no inferno muitos que diziam isto mesmo, e agora estão irremediavelmente condenados.

Qual dos réprobos quereria em vida condenar-se? Nenhum por certo; mas Deus amaldiçoa o que peca fiado em sua misericórdia.Maldito o homem que peca com esperança.Tu dizes: Quero cometer este pecado, e confessa-lo-ei depois.Mas tens a certeza de que não te faltará tempo para isso? Quem de assegura que não morreras repentinamente depois do pecado? É certo que pecando perdes a graça divina: E é igualmente certo que voltarás a recuperá-la? Deus usa de misericórdia com os que O temem, mas não com os que O desprezam.Também não digas: É me indiferente confessar dois pecados ou três.

Não, porque bem pode suceder que Deus esteja disposto a perdoar-te dois, e não a perdoar-te três.Deus sofre com paciência, mas não sofre sempre.Quando se enche a medida, não só não perdoa mas, castiga o pecador com a morte, ou abandona-o, de maneira que este multiplicando os seus pecados precipitar-se-á no inferno.Castigo muito pior que a própria morte.Meu irmão que isto lhes, procede com cuidado, deixa a vida desordenada que levas e consagra-te ao serviço de Deus; teme não seja este o último aviso que Deus te manda; já bastam as ofensas que Lhe tens feito, e que então grande número te tem sofrido; teme não obter perdão para mais algum outro pecado mortal que cometas.Adverte que se trata da tua alma e da tua eternidade.Oh! a quantos não tem feito abandonar o mundo, internando-os nos claustros, nas grutas e desertos, este grande pensamento da eternidade!Ah! Pobre de mim!que vantagens advieram de tantos pecados por mim cometidos?O coração angustiado, a alma presa de dor, e o ter perdido a Deus e merecido o inferno.Ó meu Deus e meu Pai, convertei-me e fazei-me cativo do Vosso Amor.

2.Considera que este negócio é por desgraça o mais descurado de todos os negócios.Em tudo se pensa, menos na salvação.Para tudo há tempo, menos para servir a Deus.Dizei a um homem mundano que freqüente os Sacramentos, que faça ao menos meia hora de oração mental cada dia; responderás: Tenho filhos, tenho família, tenho interesses, tenho outras ocupações.Mas, desgraçado, não tens também tua alma para salvar?Pensas que tuas riquezas, teus filhos, teus parentes te poderão prestar algum auxílio na hora da morte ou livrar-te do inferno, se tens a desgraça de te comandares?Não presumas de poder conciliar Deus com o mundo, O céu o com pecado.A Salvação não é um negócio que se deva tratar com indolência:É preciso que faças violência a ti mesmo, e trabalhes, se queres ganhar a coroa imortal.Quantos cristãos contavam com poder mais tarde servir a Deus e deste modo salvar-se; e não obstante estão agora no inferno!Loucura tão rematada, pensar sempre no que tão depressa acaba, e tão raras vezes no que não terá fim!Ah! Cristão! olha por ti; pensa que em breve as de abandonar este mundo e entrar na eternidade.Pobre de ti se te condenares, porque jamais poderás remediar a tua desgraça.

3.Medita, cristão, e dize contigo mesmo:Tenho uma alma só: se a perco, tenho perdido tudo.Tenho uma alma só: se consigo conquistar o mundo, condenando-a, de que me servirá tão grande conquista?Se chego a ser um homem distinto, mas perco a minha alma, de que me servirá a minha distinção?Se acumulo riquezas, se argumento, os meus haveres, se engrandeço minha família, e não obstante perco a minha alma, de que me servirá tudo isso?Que aproveitaram as riqueza, os prazeres, as vaidades a tantos os que viveram no mundo, quando seus corpos são agora cinza e pó na sepultura e suas almas estão condenadas no inferno?Se pois, minha alma só a mim pertence, se não tenho mais que uma, e se, perdendo-a uma vez, a perco para sempre, devo pensar seriamente em salvá-la.É este um ponto de suma importância, porque se trata de ser sempre feliz ou sempre desgraçado.

No meio da minha confusão, meu Deus, confesso-O: até aqui tenho vivido como cego; afastei-me muito de Vós; não tenho pensado em salvar esta minha única alma.Salvai-me, ó meu Pai, pelo amor de Jesus Cristo.Resigno me a perder tudo, contanto que não vos perca a Vós, ó meu Deus.Maria, esperança minha, salvai-me com a vossa intercessão.

Fruto I. Preparar-me-ei prontamente para a morte com uma confissão.

Fruto II. Aplicar-me-ei com o empenho e fervor aos exercícios de piedade. 


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Terça-Feira
Do pecado Mortal

1.Considera como, tendo sido criado por Deus para amá-Lo, com infernal ingratidão te rebelaste contra Ele, tratando-O como inimigo, desprezando sua graça e amizade.Tu sabias que com aquele pecado Lhe causavas amaríssimo desgosto, e não obstante cometeste-O.Como procede quem peca? Volta a Deus as costas; deixa de O respeitar, levanta a mão para O ferir, e tortura seu divino coração.O homem, quando peca, diz a Deus com as suas obras: Afasta-Te de mim, não Te quero obedecer, nem servir, nem reconhecer por meu Senhor, nem ter por meu Deus.O meu Deus é o prazer, o interesse, a vingança.Tal foi a linguagem do teu coração, quando preferiste a Deus a criatura.Santa Maria Madalena de Pazzi não podia acreditar que um cristão foste capaz de cometer um pecado mortal com plena advertência.E tu, querido leitor, que dizes!Quantos pecados não tens cometidos já!Perdoa-me, meu Deus, e tende piedade de mim.Eu Vos ofendi, ó Bondade infinita.Detesto os meus pecados, amo-Vos, e arrependo-me de ter caído na torpeza de Vos injuriar, ó meu Deus, digno de infinito amor.

2.Considera como Deus te falava, quando pecavas: Meu filho, eu Sou o teu Deus, que te criei do nada, e remi com o meu sangue: Eu proíbo-te sob pena de incorreres no meu desagrado, que cometas este pecado.Mas tu, pecando, dizias a Deus: Senhor, eu não quero obedecer-Te, quero satisfazer meus apetites, e é me indiferente desagradar-Te, perder a Tua graça.Eis aqui, ó meu Deus, o que eu tenho feito tantas vezes.Como tendes podido sofrer-me?Oxalá eu tivesse morrido antes de Vos ter ofendido.De agora em diante não quero desgostar-Vos mais.Quero amar-Vos, ó Bondade infinita! Dai-me a perseverança, dai-me o Vosso santo Amor.

3.Considera que, quando os pecados chegam a um certo e determinado número, Deus abandona o pecador.Por isso, se te vires tentando a pecar de novo, ó meu irmão, não digas: Confessar-me-ei depois; porque, se Deus te fizer morrer então repentinamente, se Deus te abandonar, é fora de dúvida que não te confessaras; e em tal caso, que será de ti por toda a eternidade!Eis o motivo porque tantos homens se tem condenado.Estes também esperavam o perdão; mas a morte surpreendeu-os, e perderam-se.Teme que te sobrevenha a mesma calamidade, porque não merece misericórdia quem se serve da bondade de Deus para O ofender.Depois de tantos pecados que Deus te tem perdoado, deves com razão temer que não te perdoe mais, se reincidires no caminho do mal.Dai-Lhe graças por haver te esperado até agora, e faze neste momento o propósito firme de sofrer antes a morte que cometer outro pecado mortal, dizendo sinceramente: já bastam, Senhor, as ofensas que Vós tem feito; a vida que me resta não a quero eu empregar em ofender-Vos, a Vós que O não mereceis.Quero empregá-la só em amar-Vos e em chorar as ofensas que vos tenho feito.Arrependo-me, meu Jesus, de todo o meu coração; quero amar-Vos; dai-me forças para Vos amar.Maria, minha Mãe, auxiliai-me.

Fruto I. Farei freqüentemente atos de arrependimentos, dizendo: Misericórdia, ó meu Jesus; arrependo-me de Vos ter ofendido, peço-Vos perdão para os meus pecado.

Fruto II. Examinarei se há em mim algum afeto desordenado que possa afastar-me de Deus, e desterra-lo-ei do coração. 


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Quarta-Feira
A Morte

1.Considera que esta vida há de acabar.Já está pronunciada a sentença; tens de morrer.A morte é certa; a hora, porém, é incerta.O que será necessário para morrer?Um ataque apopléctico, a ruptura de uma veia no peito, um catarro sufocante, um vomito de sangue, a mordedura de um animal venenoso, uma febre, uma pneumonia, uma chaga, uma inundação, um terremoto, um raio basta para te tirar a vida.A morte te assaltará, quando menos pensares.Quantos se deitaram à noite com saúde, e pela manhã foram encontrados mortos!E não poderá acontecer-te o mesmo a ti?Dos que tem morrido repentinamente, nenhum esperava morrer deste modo; e não obstante assim morreram.Se estavam em pecado, onde estão agora, e onde estarão por toda a eternidade?Seja, porém, como for, é indubitável que chegará uma ocasião em que anoitecerá para ti, e não amanhecerá, ou antes, amanhecerá, e não anoitecerá."Virei como ladrão" diz Jesus Cristo; o que quer dizer: quando menos pensares e ás escondidas.Avisa-te com tempo este teu amante Senhor, porque deseja a tua salvação.Corresponde, pois ao teu Deus; aproveita o aviso; prepara-te para bem morrer, antes de chegar a morte.Então não é tempo de preparação, porque já deve estar feita.É fora de dúvida que hás de morrer.Há de terminar para ti a cena este mundo, e não sabes quando.Quem sabe se será dentro de um ano ou dentro de um mês?Quem sabe se amanhã mesmo ainda estarás vivo?Meu Jesus, ilumine-me, e perdoe-me.

2.considera que na hora da morte assistido de um sacerdote, que fará a encomendarão da tua alma, rodeado de parentes que por ti chorarão, com o Crucifixo á cabeceira e a vela benta aos pés, já prestes a passar á eternidade.Terás a cabeça dolorida, os olhos amortecidos, a língua abrasada, a garganta cerrada, o peito opresso, o sangue gelado, as carnes gastas e o coração transpassado de dor.Ao morrer deixarás tudo; pobre e indigente serás lançado a um sepulcro, e ali apodrecerás.Os vermes e outros animais imundos roerão tuas carnes, e de ti ficarão apenas alguns ossos descarnados, um pouco de pó hediondo e nada mais.Abre uma sepultura, e vê a que ficou reduzido aquele homem opulento, aquele avaro, aquela mulher vaidosa.Assim termina a vida!Na hora da morte ver-te-ás rodeado de demônios que te apresentarão o sudário dos teus pecados, cometidos desde a tua infância.Agora o demônio, para induzir-te a pecar, encobre e desculpa as tuas faltas.Diz que é pequeno mal aquela amizade, aquela vaidade, aquele prazer, aquele rancor que alimentas em teu peito; que não há intenções criminosas naquelas conversações.Mas no momento da morte patenteará a enormidade dos teus pecados; e á luz daquela eternidade em que brevemente terás de entrar, conhecerás a gravidade da pena em que incorreste ofendendo a um Deus infinito.Apressa-te, enquanto é tempo, a remediar o mal que tens feito.

3.Considera que a morte é um momento de que depende a eternidade.Encontra-se o homem já próximo a expirar, e por conseguinte prestes a entrar em uma das duas eternidades.Sua sorte depende daquele último suspiro, imediatamente ao qual a alma é salva ou condenada para sempre.ó momento!Ó último suspiro!ó momento de que depende uma eternidade de glória ou de pena!Uma eternidade sempre feliz ou sempre desditosa!Uma eternidade de toda a espécie de bens ou de males!Uma eternidade, enfim, de Paraíso ou de Inferno! O que quer dizer: que, se naquele momento te salvares, em vez da desventura estarão sempre ao teu lado o contentamento e a felicidade; mas, se errares o golpe, e te condenares, serão teus companheiros inseparáveis e cruéis a aflição e o desespero.Na morte compreenderás o que quer dizer glória, Inferno, Pecado, Deus ofendido, lei de Deus desprezada, pecados calados na confissão, roubo não restituído. "miserável de mim!dirá o moribundo, daqui a poucos momentos hei de comparecer diante de Deus.E quem sabe a sentença que me tocará!Para onde irei?Para o Céu, ou para o inferno? A gozar com os Anjos, ou a arder com os condenados?Serei ou filho de Deus, ou escravo do demônio?Ai de mim!Sabê-lo-ei dentro em pouco, e aonde entrar pela primeira vez ali permanecerei eternamente.Ah!Daqui a poucas horas, daqui a poucos momentos que será de mim?Que será de mim, se não reparar aquele escândalo, se não restituir aquele furto, aquela fama, se não perdoar de coração ao meu inimigo, se não me confessar bem?".Então detestarás mil vezes o dia em que pecaste, o prazer que desfrutaste, a vingança que tomaste! mas demasiado tarde e sem fruto, porque o farás simplesmente por temor do castigo, e não por amor de Deus. - Ah, Senhor!Desde este momento me converto a Vós: não quero esperar pelo momento em que a morte chegue; desde já Vos amo, abraço, e quero morrer abraçado Convosco.Maria, minha Mãe, fazei que eu morra sob o manto da vossa proteção; auxiliai-me naquele derradeiro transe.

Fruto I.Encararei com desprezo a vaidade do mundo e de meu corpo, origem de tantos pecados que tenho cometido.

Fruto II.quando o demônio me tentar para ofender a Deus, direi prontamente: "Considera que hás de morrer". 


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Quinta-Feira
Sobre o Juízo

1.Considera que, logo que a alma tenha saído do corpo, será conduzida ao tribunal de Deus para ser julgada.O Juiz é um Deus Onipotente, ultrajado por ti, e sumamente irado.Os acusadores são os demônios, teus inimigos; o processo teus próprios pecados; a sentença é inapelável; a pena é o inferno.Ali não há companheiros, nem parentes, nem amigos; a causa será resolvida entre Deus e a tua alma.Então compreenderás a hediondez de teus pecados, e não poderás ser tão indulgente com eles, como agora o és.Responderá por teus pecados de pensamentos, palavras, obras, omissão, escândalo, respeitos humanos: tudo se há de pesar naquela grande balança da justiça divina, e se fores encontrado réu de culpa grave, uma só que seja, estarás perdido.Meu Jesus e meu Juiz, perdoai-me antes de me fazer comparecer em vosso tribunal!.

2.Considera que a justiça divina há de julgar a todos os homens no vale de Josaphat, quando no fim do mundo ressuscitar os corpos para receberem juntamente com as almas prêmio ou castigo, segundo os seus méritos.

Reflete que, se te condenares, tornarás a unir-te a este mesmo corpo, que servirá de prisão eterna á tua alma desgraçada.Naquele encontro desagradável a alma amaldiçoará o corpo, e o corpo por sua vez amaldiçoará a alma; de maneira que a alma e o corpo, que agora correm de mãos dadas em busca de prazeres lícitos, unir-se-ão, em que lhes pese, depois da morte, para ser verdugos um do outro.Ao contrário, se te salvares, esse teu corpo ressuscitará formosíssimo, impassível e resplandecente; e assim irás, em corpo e alma, gozar d vida bem-aventurada.Tal será o fim da cena deste mundo!Afundar-se-ão no nada todas as grandezas, prazeres e pompas mundanas.Tudo acabará: só ficarão as duas eternidades, uma de glória e outra de pena, uma ditosa e outra infeliz, uma de gozos, e outra de tormentos: no céu os justos, no inferno os pecadores.Desgraçado então o que tenha feito do mundo o seu ídolo, e pelos prazeres miseráveis desta terra tenha perdido tudo, alma, corpo, bem-aventurança e Deus!.

3.Considera a sentença eterna.O Juiz eterno, Jesus Cristo, voltar-se-á primeiro contra os réprobos, a quem dirás: "Ingratos, tudo se acabou para vós!Chegou a minha hora, hora de verdade e justiça, hora de indignação e vingança!Criminosos, amastes a maldição; caia sobre vós: sede malditos na eternidade: ide para o fogo eterno, privados de todos os bens e sob o peso de todos os males".Em seguida voltar-se-á para os escolhidos e dirá: "Vinde vós, meus filhos queridos, vinde possuir o reino dos céus, que vos está preparado.Vinde não já para levar a cruz em pós de Mim, mas para partilhar da minha coroa.Vinde como herdeiros de minhas riquezas e companheiros de minha glória.Vinde cantar eternamente minhas misericórdias.Vinde da terra do exílio á pátria, da miséria ao gozo, das lágrimas á alegria, do sofrimento ao descanso eterno".Meu Jesus, eu espero ser também um destes filhos afortunados.Amo-Vos sobre todas as coisas, abençoai-me desde este momento, e abençoai-me também vós, ó Maria minha querida Mãe!.

Fruto I.Farei todas as minhas ações como se devesse comparecer, na ocasião em que as executar, perante o tribunal divino a dar conta delas.

Fruto II.Exercitar-me-ei em obras de misericórdia espirituais e corporais, porque ao que as praticar prometeu Deus uma benção eterna no dia do juízo. 


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Sexta-Feira
Sobre o Inferno

1.Considera que o inferno é uma prisão hedionda, cheia de fogo.Neste fogo estão submersos os condenados.Neste abismo de fogo que os rodeia por todos os lados, têm chamas na boca, nos olhos, em todas as partes do corpo.Cada sentido tem seu sofrimento próprio: os olhos são atormentados pelo fumo e pelas trevas, e horrorizados pela vista dos outros condenados e dos demônios; os ouvidos ouvem dia e noite contínuos clamores, prantos e blasfêmias.O olfato é atormentado pelo cheiro nauseabundo daqueles inumeráveis corpos corrompidos, e o paladar por ardentíssima sede e fome insaciável sem poder obter uma gota de água nem uma migalha de pão.Por isso aqueles encarcerados infelizes, abrasados pela sede, devorados pelo fogo, torturados por toda a espécie de sofrimentos, choram, clamam, desesperam-se; mas não há nem haverá quem os alivie e console.Ó inferno, inferno!Quantos há que se recusam a crer em ti até o momento em que caem em teus abismos!E tu, querido leitor, que dizes?Se houvesses de morrer agora, para onde irias?Tu, que não podes suportar o ardor de uma centelha de fogo que te salta á mão, poderás estar em um abismo de fogo que te abrase, abandonado de todos por toda a eternidade e sem lenitivo algum?

2.Considera em seguida a pena que tocará ás potências da alma.A memória será sempre atormentada pelos remorsos da consciência.Tal é aquele verme que sem cessar roerá o condenado ao pensar que se perdeu voluntariamente e por um prazer envenenado.Ó Deus!Como avaliará então aqueles momentos de prazer, depois de cem, depois de mil milhões de anos no inferno?Este verme recordar-lhe-á o tempo que Deus lhe deu para expiar suas culpas, os meios que lhe proporcionou para salvar-se, os bons exemplos dos companheiros, os propósitos feitos mas ineficazes.Então verá que já não há remédio para a sua eterna ruína.Ó Deus!Ó Deus!E como estes pensamentos agravarão o seu penar!A vontade estará sempre contrariada: nunca alcançará coisa alguma do que deseja, e sempre terá o que aborrece, isto é, todos os tormentos.O entendimento conhecerá o bem enorme que perdeu: a bem-aventurança e Deus.Meu Deus!meu Deus! Perdoai-me pelo amor de Jesus Cristo, vosso Filho.

3.Pecador, a quem por agora é indiferente perder o céu e perder a Deus, quando vires os bem-aventurados triunfarem e gozarem no reino dos céus, então tu, qual animal hediondo, serás excluídos daquela pátria ditosa e privado da visão beatífica de Deus, da companhia de Maria Santíssima, dos Anjos e dos Santos; conhecerá, ai!Tua espantosa cegueira, e dirás desesperado:"Ó Paraíso de eternas delícias: Ó Deus! Ó bem infinito! Já não sois nem jamais sereis meus! Desgraçado de mim!..." Eia, meu irmão, faze penitência, muda de vida, não te guardes para quando o tempo te faltar.Entrega-te a Deus, principia a amá-lo deverás.

Roga a Jesus, roga a Maria Santíssima que tenham piedade de ti.

Fruto I.Descontarei com alguma mortificação as penas que no inferno tenho merecido.

Fruto II.Quando experimentar algum dissabor, incomodo ou dor, direi a mim mesmo: "Lembra-te que tens merecido cair, e devias ser precipitado no inferno", e tudo sofrerei com paciência. 


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Sábado
Da Eternidade da Penas

1.Considera que o inferno não tem fim: padecem-se nele todas as penas, e toda são eternas.De maneira que passarão cem anos daquelas penas, passarão mil, e o inferno estará como se então principiasse! Passarão cem mil anos, cem milhões, mil milhões de anos e de séculos, e o inferno continuará a ser o mesmo que no primeiro dia.Se um anjo levasse agora a um condenado a notícia de que Deus queria tirá-lo do inferno quando houvessem decorrido tantos milhões de séculos quantas são as folhas das árvores, as gotas de água do mar e os grãos de areia da terra; tu ao sabê-lo ficarias atônito e horrorizado diante desse prodigioso número de séculos passados nos tormentos.E não obstante é indubitável que aquele condenado acolheria tal notícia com mais satisfação do que tu, se te anunciassem que tinhas sido feito monarca de um grande reino.Sim; porque diria o condenado:"É verdade que hão de decorrer tantos séculos; chegará, porém, um dia em que hão de acabar".Mas ai! passarão todos esses séculos e o inferno estará em seu princípio; multiplicar-se-ão tantas vezes quantas são as gotas de água, os grãos de areia e as filhas das árvores, e o inferno não terá diminuído absolutamente nada.Qualquer condenado contentar-se-ia com que Deus lhe aumentasse suas penas e as prolongasse quanto Lhe aprouvesse, com tanto que afinal tivessem um termo: mas este termo não o terão jamais.Se pudesse ao menos o pobre condenado enganar-se a si mesmo, iludir-se e dizer: "Quem sabe?Talvez Deus um dia tenha piedade de mim, e me tire do inferno!" Mas não: o réprobo terá sempre diante de seus olhos gravada a sentença da sua condenação eterna e não poderá deixar de dizer: "Todas estas penas que sofro agora, este fogo, estas tribulações, estes clamores não acabarão jamais?Não.E quanto tempo durarão?Durarão sempre.Sempre!" Ó sempre! Ó jamais! Ó eternidade! Ó inferno! Como?Os homens crêem em ti e pecam?E continuam sempre vivendo no pecado?

2.Meu irmão, acautela-te; pensa que também para ti há inferno, se pecares.Já está acesa a teus pés aquela formidável fogueira, e agora mesmo, ai! quantas almas estão caindo nela!Reflete que, se tu também lá caíres, não poderás jamais sair.Se alguma vez mereceste o inferno, dá graças a Deus por não te haver precipitado nele, e prontamente remedeia o mal que fizeste, enquanto te é possível.Chora os teus pecados, põe em execução os meios apropriados á tua salvação, confessa-te freqüentemente, lê este ou outro livro espiritual todos os dias, como todos os dias em honra de Maria, por quem deves ter particular devoção, recitarás o Rosário, e jejuarás todos os sábados; resiste ás tentações invocando repetidas vezes os doces nomes de Jesus e Maria, foge das ocasiões de pecar, e se além disto Deus te dá vocação para abandonares o mundo, faze-o prontamente.Tudo quanto se faça para evitar uma eternidade de penas é pouco, é nada.Nunca serão exageradas as nossas precauções para nos assegurarmos uma eternidade feliz.Vê quantos anacoretas, para se livrarem do inferno, se têm internado nas grutas e nos desertos!E tu que fazes, depois de ter merecido tantas vezes o inferno?Que fazes?Não vês que a tua condenação está iminente?Volta-te para Deus e dize-lhe: "Eis-me aqui, Senhor: quero fazer tudo o que de mim quiserdes".Maria, auxiliai-me.

Fruto I.Lembrar-me-ei desta verdade freqüentemente: Tudo acaba e depressa, exceto a eternidade.

Fruto II.Se sentir alguma dificuldade em fazer o bem ou em resistir ao mal, direi a mim mesmo: tudo é pouco para adquirir a felicidade eterna. 



http://www.santuarioperpetuosocorro.org.br

Mensagem do dia
 
Quinta-Feira, 25 de abril 2013
Arrumamos tempo para tudo, menos para orar.
Muito pior do que a esterilidade física é a esterilidade espiritual de nossa fé. O pecado, o mundo, o demônio conseguiram fazer de nós homens e mulheres estéreis na fé e na confiança em Deus.

É preciso – como Ana (cf. I Samuel 1,10.12-17) – derramar nosso coração diante do Senhor.

Infelizmente, somos homens e mulheres de pouca fé; gastamos um pouquinho de energia para pedir e já desanimamos. Dizemos que é impossível alcançar a graça e o milagre de que necessitamos e “entregamos os pontos”. Rezamos um pouquinho, e com isso, achamos que já rezamos muito. Arrumamos tempo para tudo, menos para orar e adorar nosso Deus. É como numa corrida: o corredor precisa ter força nas pernas não somente na descida; ele precisa continuar com firmeza e agilidade no mesmo ritmo também na subida e na reta. Vence aquele que não arrefece e conserva o ritmo até a chegada.

Todo cristão precisa dessa firmeza. O mundo tornou-se um deserto de fé e de amor. Por isso, o Senhor quer nos devolver a fecundidade da fé que foi esterilizada pelo sistema desse mundo e pela tentação.

«Nos livros, procuramos Deus; na oração, encontramo-Lo. A oração é a chave que abre o coração de Deus» (Padre Pio de Pietrelcina).

Rezemos, irmãos, com fé, esperança e amor, pois o nosso milagre está próximo e a nosso alcance. Para isso, o Senhor nos dá uma graça extraordinária: o derramamento do Espírito Santo. Peçam-no sobre os seus e sobre vocês.

Peçam esta graça ao Senhor:

Senhor, eu preciso ser uma pessoa de fé. Preciso orar sem cessar, com fé e perseverança. Preciso orar diante do impossível sabendo que nada é impossível para Ti e tudo é possível ao que crê. Senhor, eu renuncio a toda incredulidade e impiedade. Liberta-me pelo teu Espírito; não posso e não quero permanecer estéril. Preciso desse milagre. Pelo teu Espírito Santo, renova-me e restaura-me. Amém.

Deus o abençoe!

Monsenhor Jonas Abib
Fundador da Comunidade Canção Nova


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'Fragmentos de uma vida em Deus' 
Monsenhor Jonas Abib

Mensagem do dia
 
Quarta-Feira, 24 de abril 2013
Para muitos não há mais luta contra o pecado, mas uma inclinação a ele
Para muitos, já não existe mais a luta contra o pecado uma vez que existe uma inclinação a ele, e muitas oportunidades para cometê-lo. Muitas vezes, quando existe um "amigo" que nos leva a fazer aquilo que é errado, nós, sem nos esforçarmos muito, já entramos no pecado e vamos “bebendo-o", nos amarrando nos sentidos, nos sentimentos e acabamos presos por ele [pecado], porque ele é muito mais do que uma doença.

Sair do pecado – tendo a graça da conversão – é uma coisa de Deus. Só Ele pode nos converter. Conversão é mudança de direção, é dar "meia-volta" e viver o oposto. Se você não teve ainda a graça da conversão, é por Jesus, o Salvador, é somente pelo Sangue e pela Cruz d'Ele que todos seremos arrancados da situação de pecado em que estamos atolados.

O pecado tem nos tomado de tal maneira, que muitos estão totalmente presos ao vício das drogas, do alcoolismo, da mentira, da hipocrisia, da prepotência, da maldade, da corrupção, há anos, sem conseguir se libertar. A conversão inicial só se faz por Deus, pela intervenção de Jesus Cristo. Mas é preciso acolhê-la e aceitá-la. E mesmo depois de alcançar essa graça, – por causa do pecado original e do peso que ele vai tomando em nossa vida –, nós precisamos continuar a luta com os olhos fixos em Jesus que –, em nós, com seu Espírito Santo – começa e completa a obra da fé. Eu sei que você quer isso para a sua vida.

Não sei em que tipo de pecado você está emaranhado, mas, hoje, é o dia de colocá-lo no altar do sacrifício de Jesus. Mesmo que você esteja lutando há anos, e ainda não tenha conseguido se desvencilhar dele, como Jairo, tome posse do que o Senhor disse a ele: "Não temas, crê somente". O Senhor está ao seu lado, Ele não abandonou você e lhe diz. "Não tema, creia somente, porque Eu estou ao seu lado. Ponha seus olhos fixos em mim e caminhe. Eu quero lhe dar uma conversão completa". Para alcançarmos esta graça, peçamos a vinda do Espírito Santo, nosso Defensor e Advogado.

Deus o abençoe!

Monsenhor Jonas Abib
Fundador da Comunidade Canção Nova


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